Lambadão: A trajetória de Vlademir Oliveira e sua paixão
Lambadão se transforma em missão de vida por Vlademir Oliveira.
A história de Vlademir Oliveira
Vlademir Oliveira é um professor dedicado que, durante 24 anos, tem se destacado no mundo da dança, especialmente no ritmo do Lambadão. Sua jornada com esta manifestação cultural começou na juventude, aos 18 anos, quando se apaixonou pela dança e passou a fazer parte de grupos competitivos que fervilhavam nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande. Durante sua trajetória, o Lambadão foi mais do que um mero entretenimento para Vlademir; tornou-se uma forma de vida e expressão pessoal. A dança, para ele, não é apenas um hobby, mas uma missão: preservar, ensinar e difundir a rica cultura mato-grossense.
O renascimento do Lambadão
Após a queda das competições de dança e a dispersão dos grupos, muitos bailarinos deixaram os palcos e o Lambadão parecia estar perdendo força. Contudo, em 10 de março de 2015, Vlademir decidiu reunir velhos amigos da dança, dando origem ao grupo "Lambadeiros de Elite". Inicialmente, a ideia era simples: retornar a dançar e manter o convívio entre aqueles que compartilhavam a mesma paixão. No entanto, uma experiência no Rio de Janeiro despertou nele a vontade de transformar a dança em um verdadeiro espetáculo.
Uma conversa com o cantor Xande Pilares durante um programa de TV marcou a virada e inspirou o grupo a criar coreografias próprias. Em 2016, a coletividade apresentou seu primeiro espetáculo em homenagem ao aniversário da cidade de Rosário Oeste, desencadeando uma nova fase repleta de apresentações, cursos e oficinas em várias cidades de Mato Grosso.
Preservação cultural em Cuiabá
Vlademir enxerga a preservação do Lambadão como um reconhecimento de seu valor histórico para o estado de Mato Grosso. Após a extinção das competições, ele começou diálogos com figuras que também contribuíram para o crescimento do estilo, como o mestre Jaime. Juntos, eles transformaram as danças competitivas em apresentações artísticas mais regulares. Em 2018, essa luta culminou na criação de uma lei municipal que reconheceu o Lambadão como patrimônio cultural imaterial de Cuiabá, estabelecendo também uma data comemorativa dedicada a essa manifestação.
Aulas gratuitas e inclusão
Além de uma trajetória focada em apresentações, uma das principais preocupações de Vlademir sempre foi garantir acesso à dança para todos. Desde 2007, ele decidiu que suas aulas seriam gratuitas. Não apenas por um desejo de democratização, mas porque reconheceu que as taxas afastavam aqueles que queriam aprender, mas não podiam pagar. As aulas estão abertas a pessoas de todas as idades e ocorrem na Praça Alencastro, diante da Prefeitura de Cuiabá. Durante a época de chuvas, o grupo busca um local coberto para continuar as atividades.
Desafios para eventos de Lambadão
Apesar do crescimento e da aceitação do Lambadão em diversas regiões, seus eventos enfrentam uma série de desafios. A complexidade da burocracia e o custo elevado para a realização das festas passaram a ser um entrave significativo, especialmente após mudanças nas normas de fiscalização e nas leis de silêncio. Anteriormente, organizar um evento era mais simples, mas as novas exigências de documentação e investimento tornaram o processo mais oneroso. Essa realidade impacta não apenas os músicos, mas também uma ampla gama de profissionais envolvidos diretamente, desde vendedores ambulantes até técnicos de som.
Impacto socioeconômico da dança
Vlademir acredita que o Lambadão vai além de meramente ser uma dança. Ele considera que esse ritmo faz parte da economia criativa e tem capacidade de gerar renda para um vasto número de trabalhadores. Quando um evento é realizado, ele não apenas beneficia os artistas, mas também há um impulso econômico para diversos empreendimentos locais, como restaurantes e comércios. Sua visão é de que essa atividade cultural é essencial para o fortalecimento da economia local, refletindo sua importância não apenas social, mas também financeira.
Legislação e patrimônio cultural
A luta de Vlademir junto ao mestre Jaime resultou não apenas em um reconhecimento local, mas também nacional. Em 2019, o Lambadão foi oficialmente classificado como movimento cultural de Mato Grosso. Após a morte do mestre Jaime em 2021, a busca pela valorização da dança continuou. Em 2024, em conjunto com Klebinho, Vlademir articulou a aprovação de uma lei estadual que instituiu o Dia do Lambadão, celebrado em 10 de setembro, data que tem um significado especial, sendo o aniversário de Chico Gil, considerado o "Rei do Lambadão".
A dança como terapia e transformação
A dança para Vlademir não é apenas um conjunto de passos; é um caminho de transformação pessoal. Ele compartilha que vivenciou momentos desafiadores, incluindo uma luta contra a dependência química. A dança, segundo ele, foi fundamental para sua recuperação, oferecendo não apenas exercício físico, mas também espaço de acolhimento e suporte emocional. Alunos frequentemente buscam sua orientação não apenas em relação ao Lambadão, mas também em suas vidas pessoais. Um relato marcante foi de um aluno que pensou em desistir da vida, mas encontrou suporte e motivos para continuar através da dança e das interações no grupo.
O futuro do Lambadão
A visão de Vlademir é que o Lambadão continue crescendo e se expandindo em sua essência cultural. Já promoveu videoaulas para documentar sua metodologia e possui planos de transformar seu conhecimento em um livro que inclua a história, a música e a dança do Lambadão. Para isso, pretende contar com a colaboração de historiadores e músicos, buscando também a literatura como um meio de preservar a memória cultural. Ao levar as aulas para espaços públicos, Vlademir acredita que está disponibilizando a cultura para toda a comunidade. Sua mensagem para aqueles que hesitam em participar da dança é clara: "Permita-se". Ele enfatiza que a dança é para todos, sem qualquer exigência de habilidade ou experiência prévia.
- Não importa a idade.
- Todos podem se envolver.
Vlademir sempre observa a transformação nas novas pessoas que chegam para as aulas. Timidez cede espaço ao sorriso, e a música cria um sentimento de pertencimento. Para ele, o Lambadão é mais do que um mero estilo de dança; é a essência de memórias, identidade, amizade e o prazer de se reunir e dançar juntos.
Um legado a ser mantido
Ao longo de mais de 20 anos de dedicação à dança, Vlademir Oliveira não se limita a ensinar passos. Ele é um defensor da importância do Lamadão e de sua preservação para as próximas gerações. O legado que deseja deixar é um que transcende a pista de dança e transforma vidas. Cada passo dado é um convite ao universo cultural, e quando a música começa, a única coisa que falta é o desejo de participar. O futuro do Lambadão está em mãos que se permitem dançar.


