Eleitores deficientes em MT: Aumento surpreendente e impacto nas eleições

O número de eleitores deficientes em MT dobra, trazendo novas dinâmicas para as eleições.

Vanessa Almeida
Eleitores deficientes em MT: Aumento surpreendente e impacto nas eleições

Crescimento do eleitorado com deficiência

Nos últimos quatro anos, o número de eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida em Mato Grosso praticamente dobrou, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2022, o registro era de 13.113 eleitores, aumentando para 25.658 em 2026, o que representa um crescimento expressivo de aproximadamente 95%. Essa expansão é um sinal relevante de inclusão e demostra a crescente conscientização sobre a importância da participação política desse grupo.

  • Total de eleitores com deficiência: 25.658 (2026)
  • Total de eleitores com deficiência: 13.113 (2022)
  • Crescimento em 4 anos: 95%

Dessa nova totalidade, 17.432 eleitores são obrigados a votar, enquanto 8.226 têm voto facultativo. Esses números sublinham a importância de um sistema eleitoral acessível para todos os cidadãos.

A importância do voto

O ato de votar não é apenas um direito, mas sim um exercício fundamental de cidadania. Para muitas pessoas com deficiência, a participação nas eleições é uma maneira de se envolver na escolha de representantes e políticas que atendem suas necessidades e interesses. Essa participação ativa ajuda a moldar um ambiente político mais inclusivo e representativo.

Desafios enfrentados por eleitores

Apesar do aumento no número de eleitores, os desafios que as pessoas com deficiência enfrentam para exercer seu direito ao voto continuam a ser significativos. Marcione Mendes, um ativista e advogado cadeirante, compartilhou sua experiência de dificuldades de acessibilidade nas eleições. Ele enfatiza que esses obstáculos não são apenas físicos, mas também comunicacionais, especialmente para eleitores surdos e cegos.

  • Exemplos de dificuldades:
    • Falta de acessibilidade nas salas de votação
    • Barreiras de comunicação para eleitores surdos e cegos

Esses desafios podem resultar na exclusão de vozes importantes do processo democrático, lembrando que a acessibilidade é uma questão central para a inclusão de todos os cidadãos.

Tipos de deficiências mais comuns

Dos eleitores que declararam deficiência, a maior parte se enquadra na categoria "outros", totalizando 12.214 pessoas, o que representa cerca de 41,83% do eleitorado com deficiência. Na sequência, as deficiências de locomoção ocupam o segundo lugar com 7.326 eleitores (25,09%), seguidas pela deficiência visual com 5.595 (19,16%) e auditiva com 3.215 (11,01%). Há ainda cerca de 850 eleitores que relataram dificuldades específicas para votar.

Tipo de DeficiênciaNúmero de EleitoresPercentual
Outros12.21441,83%
Locomoção7.32625,09%
Visual5.59519,16%
Auditiva3.21511,01%
Dificuldades Específicas8502,91%

Iniciativas para a acessibilidade

Reconhecendo a importância da acessibilidade, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) implementou um programa chamado “Seu Voto Importa”. Este programa oferece transporte especial para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida. O prazo para solicitação desse serviço foi estendido até 14 de setembro, de modo a facilitar o deslocamento desses eleitores no dia da votação.

Os pedidos são processados por meio de um formulário eletrônico, permitindo a identificação das necessidades específicas de cada eleitor, incluindo a possibilidade de um acompanhante, se necessário.

Participação política e cidadania

A presença de pessoas com deficiência como candidatas ainda é bastante limitada e cresce a uma taxa inferior à do aumento do eleitorado. Em 2022, foram registradas 489 candidaturas de pessoas com deficiência, enquanto em 2026 esse número alcançou apenas cerca de 500. Essa estagnação em candidaturas destaca uma lacuna que precisa ser abordada para garantir uma representação mais adequada dessa população.

  • Dados sobre candidaturas:
    • 2022: 489 candidaturas registradas
    • 2026: cerca de 500 candidaturas registradas

É imperativo que ações sejam tomadas para incentivar a candidatura de pessoas com deficiência e garantir que possam ser ouvidas nos processos de decisão.

Comparativo entre 2022 e 2026

O crescimento do eleitorado com deficiência é um avanço significativo, no entanto, a representatividade nas candidaturas não acompanhou esse aumento. As dificuldades enfrentadas por essas pessoas ainda se manifestam em sua baixa presença nas posições políticas. A análise dos dados de 2022 e 2026 mostra uma discrepância que necessitará de uma atenção especial das instituições partidárias e da sociedade.

Impacto nas candidaturas

O aumento do número de eleitores com deficiência é um indicativo de que esse segmento está mais ciente de seus direitos e disposto a se envolver na política. Apesar disso, a baixa taxa de candidaturas é motivo de preocupação. As listas de candidatos ainda carecem de diversidade e inclusão, o que é essencial para que as demandas e necessidades das pessoas com deficiência sejam visíveis e atendidas nas esferas governamentais.

  • Deficiências mais comuns entre candidatos:
    • Deficiência física: 209 registros (39,81%)
    • Deficiência visual: 112 registros (21,33%)
    • Outros tipos: 75 registros (14,29%)
    • Autismo: 70 registros (13,33%)
    • Deficiência auditiva: 59 registros (11,24%)
Tipo de DeficiênciaNúmero de CandidaturasPercentual
Deficiência Física20939,81%
Deficiência Visual11221,33%
Outros tipos7514,29%
Autismo7013,33%
Deficiência Auditiva5911,24%

Perspectivas para futuras eleições

O futuro da participação política das pessoas com deficiência depende de ações concretas. É essencial que os partidos políticos adotem medidas inclusivas que incentivem e deem suporte a candidatos que representam essa população. O reconhecimento de que as barreiras devem ser enfrentadas não apenas na acessibilidade das escolas de votação, mas também na estrutura dos próprios partidos, é crucial para garantir uma representação adequada.

O papel dos partidos políticos na inclusão

A participação política efetiva de pessoas com deficiência remete a um trabalho contínuo para garantir que esses candidatos sejam ouvidos. Isso envolve não apenas abrir espaço para candidaturas, mas também assegurar que os membros da comunidade com deficiência tenham voz nas decisões de formação das chapas eleitorais.

Marcione Mendes destaca que, para haver mudanças significativas, é necessário conquistar espaço dentro dos partidos, algo que continua sendo um desafio. A falta de incentivos específicos para candidaturas de pessoas com deficiência e a ausência de condições adequadas para campanhas políticas também são barreiras importantes que precisam ser superadas.

"As pessoas com deficiência necessitam mais ainda, porque as chances são praticamente zero. Agora as pessoas com deficiência têm praticamente zero incentivo em todos os sentidos." Essa afirmação ressalta a necessidade urgente de um novo olhar sobre a inclusão e representatividade nas eleições futuras, para que todos os cidadãos possam ter suas vozes ouvidas.

Assim, para que a inclusão se torne uma realidade na política, é fundamental um engajamento coletivo que promova não apenas a presença de mais pessoas com deficiência nas cédulas, mas também participe ativamente nas esferas decisórias que impactam suas vidas.

Autor
Vanessa Almeida

Vanessa Almeida

Profissional com passagens por Designer Gráfico e gestões e atuação nas editorias de economia social em sites, jornais e rádios. Aqui no site Jornal a Ilha cuido sobre quem tem direito aos Benefícios Sociais.

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