Esquema criminosa: Família de missionária e o Comando Vermelho
Família de missionária atuava como 'pombo-correio' do CV-MT.
O papel da missionária na rede criminosa
A missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida se destacou como uma figura central em um esquema criminoso que vinculava sua família à facção Comando Vermelho, operando em Cuiabá. Rhavenna, além de ser responsável por manter a comunicação entre membros da facção que estão dentro e fora do sistema prisional, também gerenciava operações financeiras associadas ao tráfico de drogas. Seu envolvimento não se limitava apenas à comunicação; ela também estava sob investigação por movimentações financeiras suspeitas, o que levanta questões sobre a verdadeira natureza de suas atividades religiosas.
Quem são os membros denunciados?
O Ministério Público de Mato Grosso denunciou não apenas Rhavenna, mas também outros membros de sua família, cada um com papéis distintos dentro da estrutura criminosa:
- Rhavenna Barcelos: identificada como a principal responsável pela comunicação com os encarcerados.
- Pastora Orminda Barcelos: mãe de Rhavenna, acusada de atuar como intermediária, facilitando a comunicação e o transporte de valores.
- Renildo Silva Rios: namorado de Rhavenna, envolvido na organização criminosa e que teria sido uma fonte significativa de receitas.
- Rhuan Barcelos: primo de Rhavenna, segundo a denúncia, ele era encarregado de armazenar dinheiro em espécie e distribuir esses recursos quando solicitado.
- Anatany Nina: irmã de Rhavenna, responsável por depósitos e movimentações bancárias que reforçavam a atividade criminosa.
- Lo Rhuama Barcelos: outra irmã de Rhavenna, acusada de participar do esquema e receber benefícios financeiros.
Operação Fariseus e suas implicações
A operação policial conhecida como Fariseus resultou em ações coordenadas para prender e investigar a família Barcelos. No decorrer da operação, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão, além de prisões, incluindo de Rhavenna. A investigação revelou que ela utilizava um projeto religioso, denominado "Resgatando Vidas", que tinha como objetivo auxiliar detentos, mas que, na verdade, servia como um meio para se conectar a membros da facção criminosa, promovendo a troca de informações entre os encarcerados e os que estavam em liberdade.
Como a religião foi usada como fachada
A fachada religiosa que a família criou parece ter sido um artifício para alcançar e influenciar pessoas dentro do sistema penal. Através do projeto "Resgatando Vidas", Rhavenna e sua mãe conseguiram estabelecer contato com detentos de várias áreas da Penitenciária Central do Estado (PCE) em Cuiabá, que é a maior unidade prisional do estado. Essa atuação disfarçada como missionárias permitiu que mantivessem laços diretos com membros da facção criminosa e facilitassem trocas de informações, pedidos e até operações de transferência de dinheiro.
Comunicação entre presos e a família
O Ministério Público aponta que Rhavenna e sua mãe se envolveram ativamente em manter a comunicação entre os presos e os líderes do Comando Vermelho. A mãe de Rhavenna, Orminda, é citada em mensagens onde detentos a chamam de "mãe", solicitando que ela guardasse dinheiro ou entregasse objetos aos encarcerados. Essa troca não apenas envolvia informações, mas também recursos financeiros, onde mensagens em grupos de comunicação digitais evidenciam a participação ativa da família na facilitação desses enlaces.
Movimentação de dinheiro suspeita
A movimentação do dinheiro gerada por essas atividades ficou sob a mira da investigação. Os membros da família usaram múltiplas contas bancárias para evitar chamar a atenção das autoridades financeiras. O primo de Rhavenna, Rhuan, foi identificado como um dos responsáveis pelo armazenamento de valores em espécie, enquanto a irmã Anatany usou sua condição de funcionária em uma lotérica para facilitar a movimentação de dinheiro através de depósitos e transferências. Essas ações estruturadas visavam ocultar a origem dos fundos e minimizar a detecção de atividades ilícitas.
A influência do Comando Vermelho em Mato Grosso
O Comando Vermelho, uma das facções criminosas mais influentes do Brasil, encontrou na estrutura familiar de Rhavenna uma forma de expandir suas operações em Mato Grosso. A ligação da missionária com líderes da facção, como Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como "Batman", destaca como a criminalidade se infiltrou em diversos níveis da sociedade local. A capacidade de Rhavenna de viaja ao Rio de Janeiro e se relacionar com personagens centrais do crime organizado evidencia a abrangência das atividades do Comando Vermelho e a vulnerabilidade das estruturas de segurança pública.
Evidências coletadas durante a investigação
A investigação do caso contou com uma variedade de elementos, incluindo mensagens digitais, movimentações financeiras e depoimentos que apoiam as alegações do Ministério Público. Os arquivos digitais encontrados em dispositivos pertencentes a Rhavenna apresentaram links diretos com integrantes do lado de fora da prisão, indicando uma rede complexa de comunicação e operação. Além disso, a constante troca de mensagens entre Rhavenna e outros membros do crime organizado fortalece a acusação de que sua família atuava como facilitadora para a facção criminosa.
O impacto na comunidade local
A atuação da família Barcelos como parte do Comando Vermelho teve repercussões significativas na comunidade de Cuiabá, fazendo com que a confiança nas instituições locais fosse abalada. A percepção de que uma missionária e sua família estavam envolvidas em atividades ilícitas também provocou desconforto e desconfiança entre os membros da religião. Essa situação ressalta a importância de abordar não apenas as consequências criminais, mas também os danos sociais e psicológicos causados ao tecido social da comunidade.
Próximos passos da acusação
Atualmente, a denúncia ainda está sob análise do Judiciário e requer que os denunciados sejam convocados a se defender. O Ministério Público espera que a justiça seja feita e que os envolvidos sejam responsabilizados através de um processo que incluí a fase de instrução, onde provas serão avaliadas e testemunhas serão ouvidas. É importante salientar que a realização da denúncia não é sinônimo de condenação; os acusados têm o direito a defesa e a presunção de inocência até que se prove culpa de forma conclusiva.
Os elementos reunidos durante a investigação servirão como base para que o sistema judiciário tome decisões sobre o futuro dos denunciados e a possível condenação pelos crimes imputados.


