Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença
Zoonoses de Várzea Grande alertam sobre aumento de casos e cuidadores atentos.
Entendendo as zoonoses
As zoonoses são doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos. Elas representam um grande desafio para a saúde pública, pois envolvem patógenos que podem afetar não apenas a saúde animal, mas também a humana. Várzea Grande, em específico, tem se destacado no controle de zoonoses, especialmente da Leishmaniose Visceral Canina (LVC), devido a sua alta incidência na região.
O que é Leishmaniose Visceral Canina?
A Leishmaniose Visceral Canina é uma doença causada por protozoários do gênero Leishmania, que são transmitidos principalmente pela picada de mosquitos do tipo palha, também conhecidos como flebotomíneos. Esta enfermidade tem como um dos principais reservatórios os cães, que atuam como hospedeiros do parasita e são fundamentais na propagação da doença.
Transmissão e vetores da doença
A transmissão da Leishmaniose ocorre quando um mosquito fêmea do gênero Lutzomyia pica um animal infectado e, posteriormente, picando um ser humano ou outro animal, retransmite o protozoário. O ciclo da doença se inicia portanto com a picada do vetor.
- Reservatórios principais: Cães são os principais reservatórios do protozoário responsável pela LVC.
- Vetores: Os mosquitos palha, especialmente o Lutzomyia longipalpis, são os principais vetores da doença.
O aumento do desmatamento e da urbanização intensificam as condições propícias para a proliferação desses mosquitos, o que leva à alta incidência de casos, como observado em Várzea Grande.
A importância da testagem em animais
Testar os animais é essencial para diagnosticar a Leishmaniose em fases iniciais, o que facilita a implementação de medidas de controle e tratamento mais eficazes. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Várzea Grande realiza uma série de testes em cães suspeitos para identificar a presença do protozoário e possibilitar ações para conter a disseminação da doença.
Teste de triagem:
- O CCZ realiza testes rápidos em cães suspeitos.
- Diagnóstico final é feito em laboratórios especializados.
Importância do diagnóstico:
- O correto diagnóstico evita eutanásia injustificada.
- Doenças com sintomas semelhantes podem ser confundidas com a LVC, tornando a testagem fundamental.
Sintomas a serem observados
Os responsáveis por cães devem estar atentos aos seguintes sintomas, que podem indicar a presença da Leishmaniose:
- Emagrecimento progressivo: Cães com a doença frequentemente não ganham peso, apesar de terem apetite normal. Isso se deve à função comprometida do fígado e baço.
- Lesões na pele: Feridas que não cicatrizam, especialmente nas extremidades do focinho e orelhas.
- Queda de pelos: O crescimento de pelos pode ser anormal, e o animal pode apresentar alopecia em áreas afetadas.
- Fragilidade: Cães podem se mostrar mais fracos e menos ativos do que o normal.
É importante ressaltar que nem todos os cães infectados desenvolvem sintomas, o que torna a testagem ainda mais crucial.
Cuidado com eutanásia injustificada
A eutanásia de animais deve ser um último recurso e só deve ser realizada após um diagnóstico comprovado da Leishmaniose. Muitas vezes, tutores solicitam a eutanásia sem que o diagnóstico tenha sido realizado, levando a decisões que poderiam ser evitadas. O CCZ atua para conscientizar a população sobre a importância de realizar testes antes de qualquer ação drástica.
- Protocolo do CCZ: Eutanásias são realizadas apenas após confirmação da doença, conforme regulamentações do Ministério da Saúde.
- Situações de mal-entendidos: Muitas doenças podem apresentar sintomas semelhantes, e a confusão pode levar a decisões precipitadas.
Como proceder em casos suspeitos
Caso um tutor suspeite que seu animal esteja infectado, é aconselhável:
- Procurar o Centro de Controle de Zoonoses: Levar o animal até o CCZ, onde será realizado o teste de triagem.
- Observar os sintomas: Monitorar o animal para notar quaisquer mudanças no comportamento ou saúde.
- Seguir procedimentos recomendados: Aguardar os resultados e seguir as orientações fornecidas pelo serviço veterinário.
A ação do Centro de Controle de Zoonoses
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Várzea Grande desempenha um papel vital no controle e prevenção da Leishmaniose:
- Testagem: Realiza testes em animais suspeitos e coleta amostras para diagnósticos confirmatórios.
- Educação: Promove campanhas de conscientização sobre zoonoses e a importância do cuidado com os pets.
- Monitoramento: A equipe do CCZ monitora a incidência da doença, coletando dados que ajudam a traçar estratégias de controle.
Manejo e prevenção eficaz
Como não existem vacinas disponíveis para a prevenção da Leishmaniose em cães, as atenções se voltam ao manejo ambiental e medidas preventivas:
- Uso de coleiras repelentes: A aplicação de coleiras com deltametrina ajuda a proteger os cães contra picadas de mosquitos.
- Higiene do ambiente: Manter o quintal limpo, eliminando folhas e outros materiais que possam servir de abrigo para os mosquitos.
- Correção da umidade: Evitar a formação de locais úmidos que favoreçam a reprodução dos vetores.
Mobilização da população é essencial
A participação da população é fundamental para a luta contra a Leishmaniose:
- Conscientização: Educar amigos, familiares e vizinhos sobre os riscos e sinais da Leishmaniose.
- Denúncia: Informar as autoridades sobre focos de infestação de mosquitos e qualquer situação que possa aumentar a transmissão da doença.
- Cuidado coletivo: Promover ações conjuntas para eliminar fontes de proliferação dos mosquitos, garantindo um ambiente mais saudável para todos.
A eficácia no combate à Leishmaniose Visceral Canina depende não apenas de uma atuação efetiva das autoridades de saúde, mas também do envolvimento ativo da comunidade, que pode ajudar a mudar o cenário dessa doença endêmica na região.