Estudantes de Direito imergem na prática do Poder Judiciário em MT

Estudantes de Direito conhecem a rotina do Poder Judiciário em Mato Grosso.

Vanessa Almeida
Estudantes de Direito imergem na prática do Poder Judiciário em MT

Experiência prática no Tribunal de Justiça

Um grupo de 41 alunos do 8º ao 10º semestre do curso de Direito da Unic - Beira Rio teve a oportunidade de visitar o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) em Cuiabá na tarde de quarta-feira, dia 9 de setembro de 2026. Essa atividade fez parte do projeto denominado Nosso Judiciário, que oferece aos estudantes uma visão detalhada sobre o cotidiano do Poder Judiciário. Durante a visita, os acadêmicos puderam acompanhar uma sessão de julgamento da Primeira Câmara de Direito Público.

A importância do projeto Nosso Judiciário

O projeto Nosso Judiciário foi desenvolvido em 2015 e busca transcender a prática acadêmica, promovendo uma aproximação entre os estudantes de Direito e a estrutura do Judiciário. Por meio de palestras, visitas guiadas e interações com magistrados, o programa é voltado não só para universidades, mas também para escolas públicas e privadas em Cuiabá e Várzea Grande. Essa iniciativa visa não apenas educar, mas também fomentar a cidadania e a cultura do respeito às leis.

Imersão na rotina do Judiciário

Ao lado do professor Bruno Nogueira Camelo, responsável pela disciplina de Processo Civil e advogado no Núcleo de Práticas Jurídicas, os estudantes puderam experimentar na prática o que aprenderam em sala de aula. De acordo com o professor, essa vivência é extremamente necessária, pois fornece aos alunos uma compreensão clara sobre todo o processo judicial, desde o momento em que um caso é iniciado até chegar à decisão final do juiz.

"Ver na prática como tudo acontece dá uma dimensão real ao que é estudado teoricamente. Os alunos observam que cada caso passa por diversas etapas antes de chegar ao veredito final, o que enriquece seu aprendizado", explicou Camelo.

Conversa com o juiz auxiliar Gerardo Humberto

Durante a visita, os alunos tiveram uma conversa valiosa com o juiz auxiliar da Vice-presidência do TJMT, Gerardo Humberto Alves da Silva Júnior. A discussão se concentrou em dois tópicos principais: a utilização ética da inteligência artificial no campo do Direito e a necessidade de constante atualização profissional.

O juiz comentou sobre a importância de se adaptar às novas tecnologias no setor judiciário. "A inteligência artificial é uma ferramenta que deve ser vista como uma aliada, e não como um substituto. É fundamental que os novos profissionais compreendam que, embora a tecnologia possa facilitar muitos processos, as decisões ainda precisam ser feitas por humanos para humanos", destacou Gerardo Humberto.

Uso ético da inteligência artificial no Direito

A introdução de tecnologias como a inteligência artificial no sistema judiciário levanta questões éticas significativas. O juiz Gerardo enfatizou que a presença dessas tecnologias deve ocorrer de maneira responsável, sempre garantindo que os direitos humanos sejam respeitados.

Os estudantes foram alertados sobre os desafios e responsabilidades que essa tecnologia traz para os profissionais da área. "A inteligência artificial pode otimizar processos, mas requer uma compreensão aprofundada de suas implicações éticas e sociais. O advogado do futuro precisará ser um especialista também em tecnologia", concluiu o juiz.

Atualização constante para profissionais do Direito

Ele também abordou a importância da atualização constante para os advogados, independentemente de estarem no início de sua carreira ou já atuando no mercado. "O cenário legal é dinâmico e em constante mudança. Portanto, a formação contínua é essencial para que os profissionais possam determinar como aplicar as novas normas e resolver os desafios contemporâneos enfrentados pelo Judiciário e pelos cidadãos. Esse é um aspecto que deve ser incorporado por todos os estudantes desde sua formação", afirmou.

Vivendo a teoria em situações reais

A experiência de conhecer o Tribunal de Justiça e participar ativamente de uma sessão de julgamento foi enriquecedora para os estudantes. Eles puderam ver de perto como as teorias discutidas nas aulas se traduzem em situações reais. Para muitos, essa experiência é o que realmente traz a prática ao aprendizado.

Carlos Renato Leite Salema, um dos alunos e oficial de justiça com 25 anos de experiência, comentou sobre a satisfação que sentiu ao ver todo o processo na prática. "Nós aprendemos tanto em aula, mas nada se compara a ver os desembargadores em ação. Essa visita me fez sentir que estou no caminho certo e que tudo faz parte do aprendizado contínuo", disse Carlos.

Depoimentos de estudantes sobre a experiência

 

  • Carlos Renato Leite Salema: "A teoria é fundamental, mas as situações práticas que vivenciamos aqui trazem um entendimento muito mais profundo. O que mais me impactou foi ver os juízes e servidores em ação, e perceber o quão humano é este sistema. Isso me motivou a querer seguir em frente na minha carreira."

  • Geovana Martiniano Dourado, estudante que atua em um escritório de advocacia focado em Direito Agrário e Ambiental, compartilhou sua visão: "Ver onde a teoria encontra a prática foi um dos momentos mais valiosos da minha formação. Eu saí do tribunal com uma nova perspectiva, especialmente depois de receber um livro que o juiz recomendou. Essas oportunidades são essenciais para meu crescimento académico."

O papel do professor na prática jurídica

O papel do professor é fundamental para guiar e inspirar os alunos a se tornarem profissionais competentes e conscientes de suas responsabilidades. O professor Bruno Nogueira ressalta que experiências assim são um complemento indispensável à formação acadêmica.

"Minha missão é mostrar aos alunos que o conhecimento não reside apenas na teoria, mas na prática do dia a dia. Eles precisam entender que, após a graduacao, entrarão em um ambiente onde cada decisão pode impactar vidas. O conhecimento é vital, mas a sensibilidade e a ética são igualmente importantes", afirmou Bruno.

Futuro dos estudantes após a formação

Após concluir o curso de Direito, os alunos expressaram seus planos e aspirações. A experiência de estar em contato direto com o Judiciário já moldou suas perspectivas profissionais.

Carlos Renato planeja se aposentar como oficial de justiça, mas deseja também seguir na advocacia para continuar contribuindo com seus conhecimentos. "Quero passar adiante tudo que aprendi, não apenas na teoria, mas também nas experiências reais que tive ao longo da carreira", afirmou.

Por outro lado, Geovana, ainda em estágio, já vislumbra um caminho promissor ao se envolver em aspectos práticos de sua futura profissão. "Estou animada para o que o futuro reserva e sei que essa experiência é apenas o começo de um longo aprendizado", compartilhou.

Além de fornecer experiências práticas, o projeto Nosso Judiciário realiza um importante trabalho ao conectar estudantes com as realidades do sistema judiciário, tornando os futuros advogados mais bem preparados e conscientes das suas responsabilidades. A educação prática não só enriquece a formação acadêmica, mas fundamentalmente transforma a maneira como os estudantes perceberão seu papel como agentes de mudança na sociedade.

Autor
Vanessa Almeida

Vanessa Almeida

Profissional com passagens por Designer Gráfico e gestões e atuação nas editorias de economia social em sites, jornais e rádios. Aqui no site Jornal a Ilha cuido sobre quem tem direito aos Benefícios Sociais.

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