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Estado da Geórgia tem 2º turno da eleição para senadores; resultado define controle do Senado dos EUA

Há 2 cadeiras em jogo. Se os democratas vencerem ambas, governo de Joe Biden começará com vantagem tanto no Senado quanto na Câmara. Caso republicanos vençam, presidente eleito poderá encontrar dificuldades para aprovar alguns projetos.

 

Os Estados Unidos acompanham atentamente o resultado do segundo turno das eleições para senador na Geórgia, realizado nesta terça-feira (5). A votação dirá se o presidente eleito, Joe Biden, terá caminho livre para aprovar leis e projetos no Congresso ou se a Casa Branca encontrará no Senado uma barreira.

O Partido Democrata, de Biden, tem 48 cadeiras no Senado. Já o Partido Republicano, de Donald Trump, ocupa 50 assentos. Há duas vagas em jogo. Portanto, se os republicanos vencerem apenas uma das disputas, o presidente eleito terá minoria ao tomar posse em 20 de janeiro.

  • SANDRA COHEN: Por que a vitória no segundo turno da Geórgia é essencial para Trump e Biden?

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Por outro lado, caso os democratas vençam as duas vagas em jogo, haverá um empate no número de assentos do Senado. Nesse caso, o voto de minerva é do vice-presidente dos EUA — ou seja, a partir de 20 de janeiro, a democrata Kamala Harris.

Um cenário de vitória democrata em ambas as votações daria a Joe Biden a maioria no Congresso dos EUA — o partido do novo governo já ocupa a maior parte dos assentos na Câmara e passaria a ser majoritário também no Senado.

Presidente eleito dos EUA, Joe Biden, pede votos durante comício nesta segunda-feira (4) dos candidatos democratas ao Senado pelo estado da Geórgia — Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Donald Trump, presidente dos EUA, participa de comício de campanha dos candidatos republicanos da Geórgia ao Senado em 5 de dezembro — Foto: Jonathan Ernst/Arquivo/Reuters

Por isso, tanto Biden quanto Trump se engajaram publicamente na campanha dos candidatos ao Senado pela Geórgia. Os dois viajaram ao estado para compromissos das candidaturas.

Os comitês centrais tanto do Partido Republicano quanto do Partido Democrata também se dedicam quase integralmente à votação do estado.

As duas vagas em disputa são as seguintes:

  • David Perdue (republicano, atual senador) x Jon Ossoff (democrata)
  • Kelly Loeffler (republicana, atual senadora) x Raphael Warnock (democrata)

O segundo turno ocorrerá porque, na votação de novembro, nenhum deles obteve mais de 50% dos votos (saiba no fim desta reportagem quem são os quatro candidatos e o que indicam as pesquisas).

Kamala Harris, vice-presidente eleita dos EUA, participa de comício no domingo (3) em Savanah, na Geórgia, pedindo votos aos candidatos democratas ao Senado — Foto: Mike Segar/Reuters

Geórgia: estado no centro da disputa entre Biden e Trump

Essa votação decisiva ocorre na mesma Geórgia onde Biden venceu Trump por apenas cerca de 12 mil votos de diferença na disputa presidencial — houve duas recontagens. Foi a primeira vez desde a vitória de Bill Clinton, em 1992, que um democrata ganhou a eleição no estado.

Para intensificar ainda mais a disputa, a votação ocorre dois dias depois de a imprensa americana revelar um telefonema em que Trump pressiona o secretário de Estado da Geórgia a "encontrar" 11.780 votos para tentar reverter a derrota.

Senadores Kelly Loeffler e David Perdue, do Partido Republicano, participam de comício em Milton, no estado de Geórgia, com Ivanka Trump em 21 de dezembro — Foto: Al Drago/Arquivo/Reuters

Trump vinha alegando que houve fraude, com cédulas de pessoas que não tinham direito a votar. Na segunda-feira, o secretário de Estado, Brad Raffensperger — que também é republicano —, voltou mais uma vez a refutar as alegações do presidente.

A Geórgia certificou o resultado da eleição presidencial e os 16 votos do estado no Colégio Eleitoral foram dedicados a Biden. E, mesmo se Trump tivesse revertido apenas este estado, seria insuficiente para acabar com a vitória democrata: foram 306 delegados contra 232, no placar final.

O que está em jogo?

Prédio do Capitólio em Washington D.C., que abriga o Congresso dos EUA, em foto de 28 de dezembro de 2020 — Foto: Leah Millis/Arquivo/Reuters

Está em jogo principalmente a capacidade de Biden em aprovar os projetos apresentados ao longo da campanha e, mais ainda, de apontar juízes e secretários que precisem passar por sabatinas no Senado.

Biden já terá a seu favor o controle da Câmara. Os democratas ganharam a maioria entre os representantes (nome dado aos deputados americanos) em 2018, e impuseram dificuldades ao governo Trump, que começou o mandato com a maioria nas duas casas.

  • VEJA TAMBÉM: Congresso toma posse em nova legislatura nos EUA

Nancy Pelosi é reeleita presidente da Câmara dos Representantes nos EUA, durante posse do novo Congresso, neste domingo (3). — Foto: REUTERS/Joshua Roberts

Assim, o Partido Democrata vê como fundamental o controle nas duas casas do Congresso para não enfrentar resistência ao passar propostas como o orçamento. Trump, por exemplo, teve dificuldades com o tema quando perdeu a maioria da Câmara: enfrentou "shutdown", ou seja, uma paralisação completa do governo por falta de orçamento aprovado.

Até por isso, o mercado financeiro reagiu positivamente à indicação, ainda em novembro, de que Biden não teria maioria no Senado. O motivo é que os republicanos tendem a adotar uma postura fiscal considerada menos arriscada, o que animou investidores.

Esses testes virão logo nas primeiras semanas do governo Biden. Ao longo da pandemia, o Congresso terá de votar temas que atingem diretamente o orçamento americano, como o futuro dos pacotes de estímulo à economia durante a crise do coronavírus.

Quem são os candidatos?

  • David Perdue, republicano

David Perdue, senador pelo estado da Geórgia candidato à reeleição, em foto de 21 de dezembro — Foto: Al Drago/Reuters

Em busca da reeleição, o empresário de 71 anos se lançou na política em 2014 como candidato ao Senado sem nunca ter ocupado cargos eletivos — esse, inclusive, foi o mote dele na campanha daquela época. Antes disso, dirigiu empresas como a Reebok, do ramo de vestuário e itens esportivos.

Muito próximo de Donald Trump, a quem apoiou ainda na pré-candidatura de 2016, Perdue integra no Senado os comitês de Serviços Armados, Bancário, Orçamental e de Relações Exteriores. O senador aposta em um discurso de responsabilidade fiscal, e se posicionou contra o confinamento total dos EUA durante a pandemia.

  • Jon Ossoff, democrata

Jon Ossoff, candidato democrata ao Senado dos EUA pela Geórgia, durante ato de campanha nesta segunda-feira (4) — Foto: Mike Segar/Reuters

O jornalista de 33 anos teve o primeiro contato com a vida pública ao atuar como assistente do deputado Hank Johnson até 2012. No ano seguinte, ele retomou a carreira na imprensa, chefiou uma produtora de televisão e escreveu reportagens investigativas sobre o Estado Islâmico.

Na política, Ossoff se candidatou a deputado em 2017 por um dos distritos da Geórgia, mas acabou derrotado por uma margem de três pontos percentuais. Para se eleger ao Senado, o democrata levanta bandeiras do partido como a reforma na justiça criminal dos EUA e o acesso universal à saúde no país.

  • Kelly Loeffler, republicana

Kelly Loeffler, senadora republicana pelo estado da Geórgia e candidata a um segundo mandato, durante comício no sábado (2) — Foto: Elijah Nouvelage/Reuters

Apresentando-se como uma empresária conservadora e "outsider" política, a senadora de 50 anos se posiciona contra o aborto — legalizado nos EUA por uma decisão da Suprema Corte na década de 1970 —, a favor do direito à aquisição de armas pelos americanos e a favor do muro que Trump começou a construir na fronteira com o México para conter a imigração clandestina.

Loeffler também não ocupava cargos eletivos até ser nomeada pelo governador republicano Brian Kemp — hoje um desafeto de Trump — para substituir interinamente a cadeira deixada pelo senador Johnny Isakson, que renunciou em 2019 alegando problemas de saúde.

  • Raphael Warnock, democrata

Raphael Warnock, candidato democrata ao Senado dos EUA pela Geórgia, durante comício nesta segunda (4) — Foto: Mike Segar/Reuters

O pastor de 51 anos atuou na liderança da Igreja Batista Ebenezer de Atlanta, o mesmo púlpito no qual subiu o ativista pelos direitos civis da população negra Martin Luther King Jr. décadas atrás. Assim, o democrata tentará alcançar o numerado eleitorado negro da Geórgia, visto como fundamental para a vitória de Biden no estado.

Warnock é outro postulante ao Senado a nunca ter se candidatado a um cargo eletivo antes. Se eleito, assim como o outro candidato democrata, ele promete votar a favor de medidas que expandam o acesso público à saúde e modifiquem a estrutura da justiça criminal dos EUA.

O que dizem as pesquisas?

Candidatos democratas ao Senado dos EUA pela Geórgia, Raphael Warnock e Jon Ossoff se cumprimentam durante comício nesta segunda (4) — Foto: Mike Segar/Reuters

De acordo com o site FiveThirtyEight, que compila pesquisas de intenção de voto nos Estados Unidos, os dois democratas tinham uma pequena vantagem na véspera da eleição. Além disso, o volume de votos antecipados mostra um alto comparecimento que tende a ajudar o partido de Biden.

Porém, a campanha republicana aposta nos votos depositados no dia da votação, ou seja, nesta terça, para reverter a aparente desvantagem. Foi assim que Trump obteve em novembro o maior número de votos da história dos candidatos republicanos, a despeito da vantagem ainda maior de Biden.

Outra aposta dos republicanos está nos eleitores tradicionalmente conservadores mas que rejeitaram o voto em Trump na eleição presidencial. É um eleitorado que ajudou a eleger outros políticos do partido no passado, mas, descontentes com o atual governo americano, decidiram votar em Biden ou simplesmente não votar em novembro.

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