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Policiais franceses acusados de espancar produtor negro se apresentam à Justiça

Policiais estão sendo investigados em um inquérito por ''violência voluntária por parte de autoridade policial ou judiciária'', com racismo e falsificação de documento público como circunstâncias agravantes.

 

Os quatro policiais franceses acusados de espancar o produtor musical negro Michel Zecler, dia 21 de novembro, quando chegava em seu estúdio em Paris, se apresentaram no Tribunal Judiciário da capital francesa neste domingo (29). Eles estavam detidos para interrogatório na sede da Corregedoria da Polícia, onde Zecler prestou queixa.

Os policiais estão sendo investigados em um inquérito por "violência voluntária por parte de autoridade policial ou judiciária", com racismo e falsificação de documento público como circunstâncias agravantes. O procurador de Paris, Rémy Heitz, deve dar mais detalhes sobre a investigação e um eventual processo, neste domingo, em uma coletiva de imprensa.

A divulgação do vídeo do espancamento do produtor pelo site Loopsider gerou um escândalo na França. As imagens mostram Zecler sendo agredido durante vários minutos em um estúdio musical parisienses, por três policiais. Um quarto agente pode ser visto jogando, da rua, uma bomba de gás lacrimogêneo dentro do local. O vídeo viralizou e foi visto por pelo menos 7 milhões de pessoas. Os policiais alegaram que o produtor estava sem máscara de proteção.

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Em um outro vídeo, publicado na sexta-feira (27), o produtor pode ser visto apanhando na rua depois de ser retirado do estúdio. Nas imagens, Zecler está rodeado por outros policiais, que não fazem nada para impedir a agressão. O produtor afirma ter sido xingado várias vezes de "crioulo sujo."

Policiais negam racismo

De acordo com o jornal francês Le Parisien, os policiais negaram durante o interrogatório o caráter racista da intervenção. O ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, disse na quinta-feira (26) que os policiais serão expulsos da corporação assim que os "fatos forem estabelecidos pela Justiça."

Segundo ele, os quatro homens "desonraram o uniforme da República." O presidente francês, Emmanuel Macron, também reagiu na sexta-feira (27), qualificando as imagens da agressão ao produtor de "vergonhosas." O chefe de Estado pediu que o governo elabore propostas para "lutar de maneira eficaz contra as discriminações."

O caso ocorre em um contexto de forte mobilização contra uma lei proposta pelo governo francês que proíbe a filmagem de policiais. Neste sábado (28), mais de 130 mil pessoas se manifestaram em toda a França, segundo o Ministério do Interior.

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