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Congresso elege Francisco Rafael Sagasti novo presidente interino do Peru

Ele é o terceiro a ocupar o cargo em apenas uma semana, depois que Manuel Merino renunciou, cinco dias após impeachment de Martín Vizcarra.

 

O Congresso peruano elegeu nesta segunda-feira (16) Francisco Rafael Sagasti, de 76 anos, como novo presidente interino. Sagasti, o terceiro a ocupar a presidência do país em uma semana, irá substituir Manuel Merino, que renunciou ao cargo no domingo.

Líder do centrista Partido Morado, o engenheiro Sagasti foi eleito presidente da Mesa Diretiva do Congresso em votação na tarde desta segunda, e por consequência irá assumir a presidência do Peru até julho de 2021. As eleições no país estão marcadas para abril.

Ele foi eleito por 97 votos a favor, 26 contra e nenhuma abstenção. Para vencer, precisava de 60 votos.

Congresso peruano escolhe outro presidente interino

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A primeira vice-presidência será ocupada por Mirtha Vásquez, da Frente Ampla, que vai chefiar o Parlamento; a segunda vice-presidência por Luis Roel, da Ação Popular; e a terceira por Matilde Fernández, da Somos Perú.

No próprio domingo, depois da renúncia de Merino e após várias horas de sessão extraordinária, o Congresso não conseguiu formar a Mesa Diretiva e, consequentemente, nomear um novo presidente. O nome da deputada Rocío Silva Santisteban encabeçava a lista em votação, mas ela não conseguiu votos suficientes para ser aprovada.

Muitos, inclusive os manifestantes nas ruas, pediam que a Mesa Diretiva fosse escolhida entre os 19 congressistas que votaram contra o impeachment de Vizcarra.

Renúncia

O presidente interino, Manuel Merino, renunciou ao cargo no domingo (15), seu quinto dia no poder.

Presidente interino Manuel Merino reununciou ao cargo neste domingo (15) — Foto: Reprodução/Agência Andina

Ele enfrentava uma onda de protestos que pediam a sua saída. Nesses atos, duas pessoas morreram. Também houve pessoas feridas (leia mais abaixo).

"Quero tornar público para todo país que apresento minha renúncia irrevogável", declarou Merino em uma mensagem transmitida pela televisão, o que deu início a uma celebração imediata nas ruas de Lima.

O Peru mergulhou em uma crise política quando o Congresso removeu o popular presidente Martín Vizcarra em um julgamento a jato na segunda-feira.

Merino disse que, para que não haja "vácuo de poder", os 18 ministros que ele empossou na quinta-feira permanecerão no cargo temporariamente, embora praticamente todos tenham renunciado após a repressão aos manifestantes no sábado.

  • No Peru, dois morrem em manifestações, ministros renunciam em massa

De acordo com a imprensa peruana, Merino voltará ao Congresso.

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  • O que há por trás da onda de protestos após o impeachment do presidente do Peru

Manifestantes tomam as ruas de Lima, no Peru, pelo terceiro dia seguido

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Congressistas contra Merino

O atual líder do Congresso, Luis Valez, já havia dito neste domingo (15) que os líderes haviam concordado em pedir a renúncia imediata de Merino.

Duas pessoas morreram no sábado durante a repressão aprotestos contra a presidência de Merino.

O coordenador nacional de direitos humanos do Peru disse que 102 pessoas ficaram feridas e pelo menos 41 estão desaparecidas. O Ministério da Saúde informou que 63 pessoas foram hospitalizadas após sofrerem ferimentos ou inalar gás lacrimogêneo. Pelo menos nove tiveram ferimentos a bala, disseram as autoridades.

A saída de Vizcarra

No dia 9 de novembro, Martín Vizcarra deixou formalmente o governo após o Congresso aprovar um impeachment por "incapacidade moral". O ex-presidente foi derrubado acusado de receber propinas quando era governador em 2014, o que ele nega.

O presidente do Peru, Martin Vizcarra, faz sua declaração durante julgamento por impeachment no Congresso, em Lima, na segunda-feira (9) — Foto: Andres Valle/Peruvian Presidency/AFP

Dos 130 parlamentares, 105 votaram pelo impeachment.

A decisão aconteceu poucos meses antes das eleições presidenciais, marcadas para abril de 2021, e gerou grande descontentamento popular.

Desde então, peruanos fizeram marchas e atos políticos nas ruas para protestar contra a destituição de Vizcarra. No sábado, os manifestantes lotaram as praças no centro de Lima.

Nem todos os manifestantes são apoiadores de Vizcarra, de acordo com uma reportagem da BBC. A maioria se opõe à medida que o Congresso tomou contra o ex-presidente.

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