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Mel de abelha coletado na região do Arapiuns, no PA, vai testar métodos de beneficiamento

Técnicos do Projeto Saúde e Alegria estão coletando amostras nas comunidades Tapará Miri na Várzea e Anã no Arapiuns. Materiais seguem para laboratório em São Paulo.

 

Como parte da estratégia de valorização da cadeia produtiva do mel, técnicos do Projeto Saúde e Alegria (PSA) visitaram meliponicultores nos dias 11 e 12 deste mês para coleta do produto que passará por análise no período de 12 meses em laboratório de São Paulo (SP). As coletas foram feitas na comunidade Anã, na região do Rio Arapiuns, em Santarém, oeste do Pará.

O objetivo é testar diferentes métodos de beneficiamentos do mel para subsidiar a definição de um regulamento técnico de identidade e qualidade do mel de abelhas sem ferrão para regularização agro sanitária da meliponicultura na região.

As modalidades a serem analisadas serão a refrigeração simples, a pasteurização e a fermentação. Serão realizadas análises físico-químicas, análises microbiológicas, estudo Shelf-life e análise dos parâmetros fermentativos.

Nos dias 11 e 12 foram coletadas amostras de mel da abelha jandaíra, e nos dias 25 e 26, a coleta será da abelha canudo na comunidade de Anã, no Rio Arapiuns.

Manejo de abelhas para coleta de mel na região do Arapiuns, em Santarém-PA — Foto: PSA/Divulgação

Segundo o técnico Alexandre Godinho, o processo é um importante passo rumo à regulamentação da atividade e especialmente da comercialização do mel.

O extensionista rural Márcio Roberto esclareceu que o manejo de abelhas nativas sem ferrão já é uma realidade consolidada na região, entretanto o desafio é promover a legalização da produção.

“A gente percebeu que o principal gargalo dessa cadeia é gerar renda com acesso a mercado que paga mais pelo mel, que vem de uma floresta, com um histórico. Vamos discutir metas e caminhos com apoio de entidades parceiras, principalmente no sentido de ter a legalidade da atividade. Num futuro próximo, colocar esse mel numa prateleira do supermercado, com origem e identificação desse mel”, observou.

A produção representa atividade econômica essencial para os moradores de regiões de floresta com a extração do mel e seus derivados, como o pólen e o própolis. Em localidades que praticam o ecoturismo (turismo de base comunitária) o mel é um dos atrativos. “O turista vem, degusta o mel, coleta, a gente comercializa e está gerando renda para as famílias. Nós queremos que esse mel chegue no mundo todo, seja reconhecido”, destacou Aldair Godinho, meliponicultor em Anã.

Abelhas sem ferrão — Foto: PSA/Divulgação

Manejo racional

O manejo racional de abelhas nativas sem ferrão é uma atividade que proporciona uma renda complementar significativa, demandando uma dedicação reduzida, ao mesmo tempo que oferece serviços ambientais relevantes na polinização de espécies vegetais nativas e de interesse agrícola.

O projeto de meliponicultura idealizado pelo Programa Floresta Ativa é uma articulação entre organizações produtivas de base (associações e cooperativas) movimentos sociais, ONG’s, empresas, organizações empresariais e fundações privadas, atores institucionais (governos federal, estadual e municipal em suas diversas instâncias) instituições de ensino e pesquisa.

Inclui capacitação dos produtores, entrega de kits para manejadores, apoio para a certificação dos produtos e desenvolvimento de soluções para o processamento, o armazenamento e a comercialização da produção.

 

 

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