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5 pontos para entender por que a Etiópia está '''à beira de uma guerra civil''' um ano depois que seu primeiro-ministro ganhou o Prêmio Nobel da Paz

Confronto entre governo etíope e forças separatistas de região no norte do país já dura mais de uma semana.

 

Um ano depois de receber o Prêmio Nobel da Paz, Abiy Ahmed Ali, o primeiro-ministro da Etiópia, agora vê seu país caminhando para uma guerra civil.

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É o que temem analistas e observadores sobre o conflito armado que começou há mais de uma semana no país da África Oriental e que até agora deixou centenas de mortos e milhares de deslocados que buscam refúgio no Sudão.

  • Anistia Internacional denuncia massacre em conflito na Etiópia

Na Etiópia, o segundo país mais populoso da África, o Exército federal enfrenta tropas ligadas à Frente de Libertação Popular (FLPT), partido nacionalista que governa a região do Tigray, no norte etíope.

Mapa mostra a região de Tigray, no norte da Etiópia — Foto: G1

As tensões entre o governo federal e a região do Tigray aumentaram nos últimos meses, mas as hostilidades recentes alimentaram temores de que uma guerra civil ameace a estabilidade no chifre da África, uma das áreas mais turbulentas e estratégicas do planeta.

Neste sábado (14), o confronto se agravou, com foguetes sendo disparados contra a Eritreia, vizinha da Etiópia.

Segundo o líder do Tigray, Debretsion Gebremichael, suas forças lançaram os projéteis porque soldados etíopes estavam usando um aeroporto da Eritreia para atacar a região separatista.

No Twitter, Abiy Ahmed negou as acusações.

Moradores de Asmara, capital da Eritreia, relataram ter ouvido fortes explosões. Não houve relatos de vítimas por enquanto.

A BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, explica esse conflito em cinco pontos.

1. Como o conflito armado começou

Em 4 de novembro, Abiy Ahmed Ali anunciou uma ofensiva militar contra a Frente de Libertação Popular do Tigray.

O primeiro-ministro justificou a ofensiva acusando as tropas do Tigray de atacar uma base militar federal perto de Mekele, capital da região.

Desde então, ocorreram confrontos armados entre os dois lados, com ataques aéreos realizados pelo Exército federal.

Na quinta-feira, a ONG Anistia Internacional informou sobre um massacre ocorrido na noite de 9 de novembro, quando "dezenas ou provavelmente centenas de pessoas foram mortas a facadas e a machadadas" em Mai-Kadra, a oeste do Tigray.

A Anistia Internacional não foi capaz de apontar os autores do massacre, mas tem testemunhos que apontam para forças leais ao FLPT, após perderem uma batalha para as tropas federais.

O governo de Abiy Ahmed também culpou o Tigray pelos crimes, mas a região negou as acusações.

Por outro lado, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) anunciou que está colaborando com o Sudão para ajudar mais de 7 mil refugiados etíopes que em 11 de novembro haviam fugido do Tigray.

Obter informações é difícil. As linhas telefônicas e a internet não funcionam e o acesso dos jornalistas é restrito.

2. Qual é o pano de fundo do conflito

Durante décadas, o FLPT foi um partido dominante na Etiópia, mas tudo mudou com a chegada de Abiy Ahmed ao poder, em 2018.

Eleito como um "líder reformista", o novo primeiro-ministro acusou ex-funcionários do governo de corrupção e abusos aos direitos humanos e expulsou políticos importantes da FLPT do governo central.

Abiy Ahmed dissolveu a coalizão multiétnica que governava o país até então e criou o Partido da Prosperidade (PP), o que aumentou a tensão política.

A FLPT se opôs, alegando que essa ação dividiria o país e se recusou a fazer parte da nova aliança.

Tampouco ficou satisfeita com o resultado das negociações de paz entre a Etiópia e a Eritreia, após 20 anos de guerra, considerando que seus interesses haviam sido negligenciados.

As tensões se acentuaram em setembro passado, quando o Tigray realizou eleições regionais, apesar de o pleito ter sido adiado pelo governo federal por causa da pandemia de Covid-19.

"O governo de Abiy Ahmed não reconheceu a legitimidade das eleições do Tigray, cortou laços e congelou orçamentos federais", diz Ahmed Soliman, especialista no chifre da África para Chatham House, um think tank com sede em Londres, à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

"Ele também os acusou de incitar à violência no país", acrescenta Soliman.

A FLPT até ameaçou se tornar independente, citando um artigo da Constituição federal que permite "o direito incondicional à autodeterminação, incluindo a secessão".

3. Qual a probabilidade de uma guerra civil?

Um possível cessar-fogo não parece estar a caminho.

"Preparamos nosso Exército, milícias e forças especiais. Se tivermos que lutar, estamos prontos para vencer", declarou Debretsion Gebremichael, presidente da FLPT, no início do confronto.

"Eles cruzaram a última linha vermelha", disse Abiy Ahmed antes de anunciar o ataque.

"O governo pode calcular que uma ofensiva militar intensa pressionará os líderes do Tigray, evitará um conflito em larga escala no longo prazo e lhe dará uma vantagem nas negociações", explica Soliman.

No entanto, o especialista alerta para a "perspectiva assustadora" de que as intenções do governo são eliminar os dirigentes da FLPT, já que dada "a grande, sofisticada e poderosa história militar deste partido poderíamos estar caminhando para um conflito muito maior e prolongado", acrescenta.

4. Qual é a responsabilidade de Abiy Ahmed Ali no conflito?

Abiy Ahmed Ali recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2019 por seus esforços para encerrar 20 anos de guerra entre a Etiópia e a Eritreia.

Ele chegou ao poder com a intenção de reformar, unificar e modernizar o país. Agora, se vê imerso em um conflito armado com uma saída difícil.

"Acho que os dois lados podiam fazer mais para evitar essa escalada, principalmente no ano passado. Nenhum deles adotou uma postura realmente aberta ao diálogo", diz Soliman.

"O fato de o governo federal não reconhecer as eleições do Tigray e cortar seu orçamento não contribuiu para as negociações", acrescenta o especialista.

No entanto, Soliman alerta que os problemas estruturais e divisões políticas e étnicas que agora emergem com o conflito são o produto de "situações históricas não resolvidas por anos, antes da chegada de Abiy Ahmed ao poder".

5. Quais são as repercussões do conflito para a região

Várias potências mundiais, como os Estados Unidos e a China, mantêm bases militares no Chifre da África devido ao seu histórico volátil e à sua localização estratégica como rota comercial.

E a paz na Etiópia é considerada pelos especialistas como essencial para a estabilidade desta região.

"A Eritreia, que faz fronteira com o Tigray e cujo presidente de facto, Isaias Afwerki é próximo de Abiy Ahmed, também pode arrastá-los para um confronto contra a FLPT", analisa o think tank International Crisis Group.

"A disputa pode afetar o Sudão, país que também passa por outra transição política", acrescenta Soliman.

Especialistas temem que uma crise humanitária de maior conseqüência possa estar emergindo, forçando os migrantes a viajar a outras partes do mundo, como a Europa.

"Ainda é possível evitar esse cenário se houver pressão sobre as partes para um cessar-fogo com urgência. Elas devem se dar conta de que não há caminho para uma vitória rápida e devem dar início a negociações mesmo que ambas se considerem ilegítimas", conclui o especialista.

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