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Eleição nos EUA 2020: como Trump ainda pode ganhar a disputa pela Presidência

Biden lidera nas pesquisas nacionais e do Colégio Eleitoral, mas muita coisa ainda pode acontecer.

 

Pesquisas recentes indicam que o candidato democrata Joe Biden tem uma vantagem significativa e estável sobre o republicano Donald Trump na corrida presidencial deste ano, tanto na preferência nacional quanto nas pesquisas de estados decisivos.

Devido à arrecadação de campanha recorde este ano, o democrata também tem uma vantagem financeira considerável nesta reta final.

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Os analistas eleitorais têm destacado um aumento nas probabilidades de que Trump seja derrotado. O blog Fivethirtyeight.com de Nate Silver atualmente tem Biden com 87% de chance de ganhar, enquanto o Decision Desk HQ o coloca com 83,5%.

Mas tudo isso é dolorosamente familiar para os democratas. Em um momento semelhante da campanha, há quatro anos, Hillary Clinton também aparecia com alta probabilidade de vitória nas pesquisas. E todos lembram como isso terminou.

A história poderia se repetir com outra vitória de Trump? Para isso acontecer, listamos cinco coisas que podem ajudar o presidente a se reeleger.

1. Outra 'surpresa de outubro'

Quatro anos atrás, apenas 11 dias antes da eleição, o então diretor do FBI, James Comey, revelou que sua agência estaria reabrindo uma investigação sobre o uso de um servidor de e-mail privado por Clinton de quando ela era secretária de Estado.

Putin teria liderado campanha para denegrir imagem de Hillary na eleição e favorecer Trump — Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Por uma semana, notícias sobre essa investigação dominaram as manchetes e deram à campanha de Trump uma trégua para se recuperar.

Faltando pouco mais de duas semanas para o fechamento das urnas em 2020, um evento político sísmico semelhante pode ser suficiente para impulsionar Trump à vitória.

Até agora, pelo menos, as grandes surpresas deste mês foram más notícias para Trump — como a revelação de suas declarações de impostos e sua hospitalização com Covid-19.

Um artigo do New York Post sobre um laptop misterioso contendo um e-mail que poderia vincular Joe Biden aos esforços de seu filho Hunter para fazer lobby por uma empresa de gás ucraniana foi anunciado por alguns conservadores como um terremoto de campanha — mas sua origem questionável e falta de especificidade significam que é improvável que isso influencie muitos eleitores.

Trump prometeu que há mais por vir, no entanto, insinuando que surgirão diretas de irregularidades cometidas por Biden enquanto era vice-presidente de Barack Obama.

Ou talvez haja outro fato novo totalmente inesperado e chocante que está prestes a estourar.

Se pudéssemos prever, não seria uma surpresa.

2. As pesquisas estão erradas

Praticamente desde que Biden garantiu a indicação presidencial do Partido Democrata, as pesquisas nacionais lhe deram uma vantagem constante sobre Trump. Mesmo nos principais Estados onde a disputa é mais acirrada, Biden apresentou uma liderança consistente e frequentemente acima da margem de erro.

Quem está à frente nas pesquisas nacionais nos EUA? — Foto: BBC

Como 2016 provou, no entanto, as lideranças nacionais são irrelevantes e as pesquisas em nível estadual podem estar erradas.

Prever quem realmente comparecerá para votar é um desafio em todas as eleições, e alguns pesquisadores erraram da última vez, subestimando o número de eleitores brancos sem formação universitária que compareceram às urnas e votaram em Trump.

Embora o jornal "The New York Times" preveja que as margens atuais de Biden o garantam mais do que em 2016, as pesquisas têm alguns novos obstáculos para superar em 2020.

Muitos americanos, por exemplo, planejam votar pelo correio pela primeira vez. Os republicanos já estão prometendo que vão contestar agressivamente as cédulas enviadas pelo correio para evitar o que eles dizem ser o potencial para uma fraude generalizada — algo que os democratas disseram ser na verdade um esforço de supressão do eleitor.

Se os eleitores preencherem seus formulários incorretamente ou não seguirem o procedimento adequado, ou se houver atraso ou interrupção na entrega do correio, isso pode levar ao descarte das cédulas válidas. As seções eleitorais sem pessoal ou limitadas também podem dificultar a votação no dia da eleição, desencorajando os americanos que foram considerados pelos pesquisadores como "prováveis eleitores".

3. Uma reviravolta no debate

A poeira baixou desde o primeiro debate presidencial entre Trump e Biden, há mais de duas semanas, e o presidente é quem foi mais prejudicado.

Joe Biden e Donald Trump — Foto: Reuters

As pesquisas indicam que o estilo agressivo de Trump não funcionou bem com as mulheres suburbanas, que são um grupo importante de votos nesta campanha. Enquanto isso, Biden resistiu ao ataque, acalmando as preocupações entre os eleitores de que ele estaria despreparado devido à sua idade avançada.

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Trump perdeu a oportunidade de mudar essas impressões junto ao eleitorado quando desistiu de participar de um segundo debate — depois que o debate havia mudado de formato presencial para virtual. Trump terá mais uma chance na próxima quinta-feira, em outro debate.

Se Trump apresentar um comportamento mais calmo e presidencial, e Biden perder o controle ou tiver alguma gafe particularmente dramática, o equilíbrio da corrida pode inclinar-se a favor de Trump.

4. Conquista de Estados-chave

Mesmo com as pesquisas mostrando vantagem para Biden, há Estados suficientes onde Trump está à frente ou dentro da margem de erro e em que a aritmética do Colégio Eleitoral poderia funcionar em seu favor.

Mesmo que Trump tenha perdido o voto popular nacional da última vez, ele teve uma margem confortável no Colégio Eleitoral, onde cada Estado obtém um número de votos com base em sua população.

Alguns dos Estados decisivos que Trump venceu — como Michigan e Wisconsin — parecem estar fora do seu alcance desta vez. Mas se ele conseguir obter vitórias estreitas no resto, com participação de mais eleitores brancos não universitários em lugares como Pensilvânia e Flórida, ele poderá alcançar os 270 votos eleitorais necessários para continuar na Casa Branca.

Há até cenários em que ele e Biden obtêm 269 votos cada, criando um empate que seria decidido na Câmara dos Deputados, onde Trump provavelmente teria maioria.

5. Uma trapalhada de Biden

Biden conduziu uma campanha bem disciplinada até agora.

Seja intencionalmente ou devido às realidades impostas pela pandemia de coronavírus, um candidato conhecido por ser propenso a gafes foi capaz de ficar fora dos holofotes e evitar situações em que sua boca pudesse colocá-lo em apuros.

Joe Biden, candidato democrata a presidente dos EUA, usa máscara antes do início de entrevista à rede ABC nesta quinta-feira (15) — Foto: Tom Brenner/Reuters

Mas Biden agora está entrando na reta final da campanha. Com mais exposição, aumenta o risco de dizer ou fazer algo que lhe custaria votos.

A coalizão eleitoral de Biden é uma mistura de suburbanos moderados, republicanos insatisfeitos, democratas da classe trabalhadora tradicional, minorias étnicas e crentes liberais. São muitos interesses diferentes e conflitantes que poderiam se transformar em raiva contra Biden, caso ele lhes dê algum motivo.

E ainda há a chance de que, com o cansaço da campanha eleitoral, Biden mostre sua idade e levante dúvidas sobre se está à altura da tarefa de ser presidente. Se o fizer, a campanha de Trump estará pronta para ataca-lo.

A campanha de Biden pode pensar que o tempo está a seu favor, e que logo a Casa Branca será sua. Mas se eles tropeçarem, esta não será a primeira vez que isso acontece em uma eleição.

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