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Fé além da procissão: famílias mantêm tradição do Círio durante a pandemia

Para evitar maior propagação do novo coronavírus, Diretoria da Festa e Arquidiocese de Belém decidiram não realizar uma das maiores procissões religiosas do Brasil. Missas serão feitas em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré.

 

A edição 228ª do Círio de Nazaré não terá procissões com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, devido à pandemia do novo coronavírus. Com isso, famílias paraenses procuram alternativas para reafirmar a fé católica e a união familiar.

O Círio de Nazaré é considerado o Natal dos paraenses. Neste período famílias enfeitam suas casas com a temática da festa, juntamente com a cidade de Belém, que recebe seus arranjos em outubro, que ficam expostos até o final do Natal cristão.

No segundo domingo de outubro, data oficial da grande procissão do Círio, devotos acompanham a imagem, que é cercada por dois milhões de fieis nas ruas agradecendo, pedindo e renovando a fé na padroeira do Pará. Em seguida, reúnem-se para o famoso almoço do Círio, que é recheado de pratos da culinária paraense.

Edwiges Rodrigues, 57 anos, é morada no edifício Manoel Pinto da Silva. De seu apartamento consegue acompanhar de perto a Trasladação e o Círio, todos os anos. E por estar neste ponto estratégico, amigos e familiares se reúnem no local para confraternizar o momento. Desde 2007 a casa da família Rodrigues fica enfeitada e cheia de pessoas, principalmente no domingo de procissão e para o almoço.

Foto da sacada do apartamento de Edwiges Rodrigues durante o Círio 2019 — Foto: Arquivo Pessoal/Edwiges Rodrigues

"É um ponto estratégico, onde a imagem peregrina da Santa faz a curva. Aqui serve de um ponto de apoio para amigos durante a procissão. Alguns já ficam em casa para a parte profana da festa. Mas este ano não terá como e já estamos nos programando para realizar uma reunião diferente", contou Edwiges.

Segundo Edwiges, o encontro familiar será de forma virtual, porque parte da família mora fora da cidade, e não vem para Belém nesse período, já que há muitos idosos.

"Na nossa família tem muitas pessoas idosas, então a gente tem oportunizado o isolamento social. Assim como outros eventos importantes da família, no Círio faremos a reunião virtual. Cada um na sua casa confraternizando conosco e agradecendo à Santa", explicou.

A devota de Nossa Senhora de Nazaré tem duas filhas. Uma mora em Portugal e outra em São Paulo. Todos os anos as duas vêm a Belém para o Círio, mas em 2020 não virão. Para tentar fazê-las entrarem no clima da festividade, Edwiges preparou os pratos das comidas típicas dessa época e encaminhou além mar.

"Para a filha Thayanna, que mora em São Paulo, é um pouco mais fácil, diferente para Thyssyanna, que está em Portugal. Mesmo assim consegui encaminhar comida pra ela, que é uma forma dela se sentir mais mais próxima da família, da festa e da Santa".

Edwiges Rodrigues, 57 anos. Belém, Pará — Foto: Arquivo Pessoal/Edwiges Rodrigues

Longe da cidade amada

Se para quem está na capital paraense a tarefa de quebrar a tradição do Círio está sendo difícil, imagina quem nasceu e viveu a experiência ciriana e atualmente mora em outro estado. Este é o caso da viúva Ana Bezerra Gonçalves, 67 anos.

Atualmente em Manaus, Ana deixou Belém em 1979, passando por São Paulo e agora morando na capital do Amazonas. Desde 1994, a paraense passou a vir para capital para acompanhar o Círio de Nazaré presencialmente.

"Tenho uma ligação familiar com o Círio. Desde criança a minha avó me levava para assistir a missa na Catedral da Sé", contou Ana.

Com um ano difícil por causa da pandemia da Covid-19, Ana Bezerra quebrou a tradição de 15 anos acompanhando o Círio de perto. A distância, no entanto não a afastou de sua fé. Durante o confinamento, ela revelou que passou por um momento de muita reflexão e se aproximou ainda mais de Nossa Senhora de Nazaré.

"Me fez repensar muita coisa. Não só ver, mas sentir a Nossa Senhora no coração. Não só ligar-se à imagem, mas sentir no coração".

Com a vinda à Belém, Ana também aproveitava a oportunidade para matar a saudade das amigas e sentir o clima da cidade. "Não era só o Círio, mas tudo. Lojas com música tema, minhas amigas queridas, ligação com a Nossa Senhora de Nazaré e a cidade toda enfeitadas. Tudo muito lindo e importante pra mim".

Ana Bezerra Gonçalves com as amigas em Belém — Foto: Arquivo Pessoal/Ana Bezerra Gonçalves

Sem a possibilidade de estar presente, a devota já se programou para não perder cada detalhe das missas que homenagearão a Santa. "Vou acompanhar por aqui pelo instagram e youtube. Estou atenta para as programações e não vou perdê-las", concluiu.

VÍDEOS: Círio de Nazaré 2020

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