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Aliado de Trump fez oferta a Assange, diz advogada do fundador do WikiLeaks durante julgamento

A Casa Branca já havia negado uma tentativa de negociação com Julian Assange. O fundador do WikiLeaks enfrenta um processo de extradição para os EUA.

 

Uma advogada de Julian Assange afirmou, em um tribunal de Londres nesta sexta-feira (18), que ela presenciou a oferta, por parte de um aliado do presidente Donald Trump, de um perdão ao fundador do WikiLeaks em troca de informações que "beneficiariam o presidente Trump politicamente".

O australiano Assange, 49, enfrenta um processo de extradição para os Estados Unidos, onde é acusado de conspirar para hackear computadores do governo e violar uma lei de espionagem sobre a divulgação de comunicação confidencial pelo WikiLeaks em 2010 e 2011.

Sua advogada, Jennifer Robinson, disse, como testemunha, que observou uma reunião na embaixada do Equador em Londres em 2017 entre Assange e o então deputado republicano Dana Rohrabacher.

  • Julgamento da extradição de Assange é interrompido pela Covid-19

Rohrabacher e um assistente se ofereceram para providenciar um perdão para Assange em troca de informações sobre a invasão de e-mails de políticos do Partido Democrata anterior à eleição presidencial dos EUA de 2016.

Durante a campanha presidencial dos EUA de 2016, o WikiLeaks tornou públicos uma série de e-mails do Comitê Nacional Democrata, o que prejudicou a candidata Hillary Clinton. Investigadores dos EUA concluíram que os e-mails foram hackeados pela Rússia, como parte de um esforço para influenciar a eleição.

A proposta apresentada pelo deputado Rohrabacher, segundo a advogada, era que Assange identificasse a fonte que enviou os e-mails ao Wikileaks em troca de alguma forma de perdão.

Robinson relatou que o deputado teria dito que isso beneficiaria politicamente Trump e evitaria a extradição aos EUA.

"Eles afirmaram que o presidente Trump estava ciente e que tinha aprovado sua vinda para se encontrar com Assange e discutir uma proposta. Eles teriam uma audiência com o presidente para discutir o assunto em seu retorno a Washington DC", disse ela.

A equipe jurídica de Assange já havia dito, em fevereiro, que Rohrabacher fez essa proposta. Na época, a Casa Branca respondeu que se tratava de "uma fabricação completa e uma mentira total".

Rohrabacher disse que nunca havia falado com Trump sobre Assange e negou ter sido enviado em nome do presidente --ele estaria agindo por conta própria ao se oferecer para pedir perdão a Trump por Assange.

Veja uma reportagem sobre o início do julgamento de Assange, em fevereiro deste ano.

Começa, em Londres, o julgamento de extradição de Julian Assange, fundador do Wikileaks

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