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Direita espanhola mergulha em escândalo de espionagem interna

O Partido Progressista teria pago, com dinheiro público, um motorista do ex-tesoureiro do partido para descobrir onde estavam guardados documentos que poderiam comprometer a cúpula de dirigentes.

 

A oposição conservadora da Espanha está mergulhada em um escândalo que pode manchar a imagem do ex-primeiro-ministro Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), que liderou o país entre 2011 e 2018.

O caso ficou conhecido pelo nome operação Kitchen (cozinha em inglês).

Descobriu-se que um informante da polícia foi pago com dinheiro público para espionar um líder do partido em posse de segredos incômodos. O apelido do informante era Cozinheiro, e por isso a operação foi batizada dessa forma.

Apesar do apelido de Cozinheiro, o homem era na verdade um motorista. Seu chefe era Luis Bárcenas, um ex-tesoureiro do PP. Esse ex-dirigente foi o operador de um esquema ilegal de propinas --empresas davam dinheiro ao partido em troca de contratos públicos.

O PP foi condenado judicialmente em maio de 2018. Além disso, recebeu, imediatamente, uma censura no Parlamento que desencadeou a queda do governo de Mariano Rajoy.

Bárcenas, o ex-tesoureiro, escondia documentos que poderiam comprometer ainda mais o PP e seus dirigentes. Por isso, o Cozinheiro foi recrutado por pessoas do partido para espionar seu próprio chefe e descobrir onde estavam esses papéis, de acordo com a promotoria espanhola.

O ex-tesoureiro do Partido Popular (PP) espanhol Luis Bárcenas é cercado por jornalistas ao deixar a promotoria anticorrupção em Madri, em 2013 — Foto: Paul Hanna/Reuters

Em troca de seus serviços, o motorista de Bárcenas cobrava 2.000 euros por mês de fundos reservados do Estado e até recebeu a promessa de ingressar na polícia.

Gravações escondidas

Em novembro de 2017, um delegado espanhol, José Manuel Villarejo, foi preso. Durante anos, ele gravou conversas com juízes, políticos e empresários. Essas gravações são as bases de outras operações da Justiça --uma delas é a Kitchen.

O caso pode chegar ao próprio Rajoy. Em uma das gravações feitas em segredo pelo delegado Villarejo, há uma menção ao fato de que Bárcenas também teria documentos comprometedores para o então chefe de governo.

Número dois do Ministério do Interior

Os promotores afirmaram que dois ex-ministros estão sob suspeita. María Dolores de Cospedal, ex ministra da Defesa, é uma --os documentos que estariam com Bárcenas seriam referentes a ela.

O outro ex-ministro que pode enfrentar uma acusação é Jorge Fernández Díaz, que foi titular da pasta do Interior.

A Justiça conta com a colaboração de um "arrependido": Francisco Martínez Vázquez, número dois do ministério do Interior na época dos fatos. Incriminado, ele disse ao jornal "El País" no domingo que deseja "contar ao juiz tudo o que sabe".

Segundo a Promotoria, ele autenticou as mensagens trocadas com Jorge Fernández Díaz, demonstrando que este último tinha conhecimento da operação.

"Meu maior erro no ministério foi ser leal a pessoas miseráveis como Jorge [Fernández Díaz], ou Rajoy, ou Cospedal", disse ele em outra mensagem incluída na investigação.

PP perde relevância na direita espanhola

O caso chega em um momento ruim para o PP, derrotado pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de Pedro Sánchez nas duas últimas eleições legislativas de 2019, e prejudicado pela ascensão da extrema direita do Vox.

O PSOE, no poder graças à bem-sucedida moção de censura contra Rajoy, e seu aliado de governo, a esquerda radical do Podemos, solicitaram a criação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o caso "Kitchen".

"Desvia as atenções, em um momento em que o PP queria recuperar a unidade da direita e concentrar suas críticas na gestão da pandemia e na economia nos duros meses que se aproximam", afirma Antonio Barroso, analista da consultoria Teneo.

Com isso, o Partido Popular volta a enfrentar um velho demônio. "A corrupção tem sido a questão que fez os eleitores do PP migrarem para o Vox e o Cidadãos", um partido liberal de centro direita, lembra Barroso.

Enquanto isso, o líder do PP, Pablo Casado, tenta se distanciar.

"Não estou aqui para prender outros membros do partido. Quem tiver que cair cairá", disse ele à rádio COPE na segunda-feira (14), acrescentando que, "por enquanto, não estou preocupado".

Na semana passada, Casado lembrou que, na época dos acontecimentos, "não tinha cargo de responsabilidade no partido".

Veja reportagem da época em que o governo espanhol caiu por causa do escândalo de financiamento ilegal.

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