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Queimadas, tempo seco, má qualidade do ar, '''chuva preta''', temperaturas altas: os fenômenos que atingem o Brasil

Ao menos um dos fenômenos tem sido registrado em várias partes do país. Mas qual a relação entre eles? Quais regiões são mais atingidas?

 

Queimadas, tempo seco, má qualidade do ar, "chuva preta" e temperaturas altas: várias regiões do Brasil têm sofrido com ao menos um desses problemas nos últimos dias. Mas como eles estão relacionados?

Há dois fatores principais que unem os fenômenos vistos no Brasil: as características atípicas da atual estação - bem mais seca e quente do que a média - e a ação do homem, responsável pelas queimadas que fazem a fumaça viajar sobre o país. Veja abaixo:

Queimadas

  • As queimadas vêm atingindo, principalmente, dois dos biomas brasileiros: a Amazônia e o Pantanal. Nos dois casos, a origem do fogo são as ações humanas.
  • Só no Pantanal, onde equipes combatem as chamas há mais de um mês, especialistas calculam que ao menos 12% do ecossistema já foi destruído (veja vídeo).

André Trigueiro: ‘12% do bioma do Pantanal já virou cinza’

André Trigueiro: ‘12% do bioma do Pantanal já virou cinza’

Além da destruição do bioma, os incêndios já feriram ou causaram a morte de vários animais, como os listados abaixo:

  • Vídeo mostra voluntários socorrendo cotia vítima de incêndio florestal em MT:

Vídeo mostra voluntários socorrendo cotia vítima de incêndio florestal no MT

Vídeo mostra voluntários socorrendo cotia vítima de incêndio florestal no MT

  • Anta morre com queimaduras graves após floresta ser destruída pelo fogo em Mato Grosso

Anta resgatada no Pantanal morreu com queimaduras graves — Foto: Polícia Militar

  • Onça-pintada é resgatada do Pantanal de Mato Grosso com queimaduras e transferida de helicóptero a hospital veterinário

Onça-pintada teve as quatro patas queimadas — Foto: Corpo de Bombeiros

  • Jaguatirica morre após ter as 4 patas queimadas em incêndio às margens de rio no Pantanal de MT

Jaguatirica morre após ter as patas queimadas em incêndio às margens de rio no Pantanal de Mato Grosso — Foto: Sema/MT

  • Mais de 100 animais silvestres foram resgatados no período das queimadas em MT

Guia de turismo passa por búfalo morto em meio a área queimada enquanto procura sinais de um jaguar machucado no Pantanal de Mato Grosso, no dia 13 de setembro. — Foto: Mauro Pimentel/AFP

  • Voluntários lutam para salvar animais feridos no Pantanal

Voluntários resgataram na sexta-feira (11) uma onça-pintada com as patas queimadas — Foto: Natália Smiotto

  • No combate às chamas, ao menos um brigadista morreu: Welington Fernando, de 41 anos. Ele trabalhava como servidor do Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade (ICMBio) e teve 80% do corpo queimado enquanto tentava salvar animais de um incêndio em Chapadão do Céu, sudoeste de Goiás.

  • A Mata Atlântica também sofre com o fogo. Desde o começo de setembro, 65 novos focos de queimadas aparecem por dia em São Paulo, 6 vezes mais que os registrados no mesmo período em 2019.

Queimadas também estão provocando estragos na região Sudeste

Queimadas também estão provocando estragos na região Sudeste

Ar poluído e chuva 'preta'

Vista da Ponte Estaiada, no Jardim das Américas, em Curitiba — Foto: Arquivo pessoal/André Cardoso

  • A fumaça das queimadas também contribuiu para a poluição do ar em várias partes do país e pôde ser vista, por exemplo, em Curitiba, segundo a Somar Meteorologia, a mais de mil quilômetros dos focos de incêndio no Pantanal.

Vista do bairro Cabral, em Curitiba, com o céu tomado por fumaça — Foto: Arquivo pessoal/Sérgio Maluf

  • Segundo imagens de satélite divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a fumaça das queimadas, tanto na Amazônia como no Pantanal, se estendeu por mais de 3 mil km do território brasileiro. Veja:

Imagem de satélite divulgada pelo Inpe mostra o deslocamento da fumaça iniciando em 8 de setembro — Foto: Inpe/Programa Queimadas

  • No Rio Grande do Sul, moradores coletaram água de chuva "preta" depois que a fumaça das queimadas, que já haviam atingido Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, chegaram ao sul do país.

"Quando tem muita fumaça, ela proporciona essa chuva escura. Os aerossóis, como a fuligem de fumaça, servem como núcleos de condensação para as nuvens de chuva", explicou Catia Valente, da Somar Meteorologia.

Moradores coletam água da chuva turva em cidades do RS. — Foto: Ivete de David/Arquivo pessoal

Tempo seco

Fogo é visto perto do rio Cuiabá, em Poconé, Mato Grosso, no dia 28 de agosto. — Foto: Amanda Perobelli/Reuters

  • O tempo seco contribui para o alastramento das queimadas. Neste ano, o Pantanal enfrenta uma estiagem recorde: é o maior período de seca em 47 anos. Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já apontavam que o La Niña, fenômeno cuja principal característica é o resfriamento do Atlântico, poderia causar uma seca histórica no bioma.
  • Com menor área inundada na planície pantaneira, há mais área para servir de "combustível" para o fogo. O vento também agrava o espalhamento dos incêndios.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) tem alertas de baixa umidade, com perigo de incêndio e riscos à saúde, nos seguintes estados e regiões:

  1. Mato Grosso
  2. Tocantins
  3. Goiás
  4. Distrito Federal
  5. Quase todo o estado de São Paulo (exceto o litoral)
  6. Sudeste e sudoeste do Pará
  7. Norte de Mato Grosso do Sul
  8. Oeste, sul e norte de Minas Gerais
  9. Sudoeste, norte e oeste da Bahia, além da Chapada Diamantina
  10. Centro-norte, sudeste e sudoeste do Piauí
  11. Sertão, sul, Cariri, centrossul e Jaguaribe do Ceará
  12. Sertão da Paraíba
  13. Oeste, leste, sul e centro do Maranhão
  14. Sertão de Pajeú e do Araripe de Pernambuco e São Francisco pernambucano
  15. Centro e oeste do Rio Grande do Norte.

Segundo o Inmet, a umidade relativa do ar deve variar de 12% a 20% nesses locais.

Homem tenta apagar fogo no Pantanal em Poconé (MT), no dia 28 de agosto. — Foto: Amanda Perobelli/Reuters

  • Por causa dos baixos índices, o instituto pede que as pessoas bebam bastante líquido, mantenham a pele hidratada, evitem exposição ao sol nas horas mais quentes do dia, hidratem a pele e mantenham o ambiente umidificado. Atividades físicas não são recomendadas.
  • A ocorrência do La Niña contribui para o tempo seco no Sul do país, enquanto torna as chuvas mais frequentes no Norte e Nordeste: Acre, Amazonas e Roraima estão sob alerta de chauvas intensas, segundo o Inmet.

Temperaturas altas

Movimentação na região do Alto de Pinheiros em São Paulo (SP), neste sábado (12). Termômetros no local registram 34ºC. — Foto: RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

  • Além do tempo seco, temperaturas acima da média têm sido vistas em várias partes do país.
  • Cuiabá bateu o recorde de calor em mais de 100 anos, registrando 42,7ºC no domingo (13). A capital mato-grossense também teve umidade do ar baixíssima: 7%.
  • No sábado (12), São Paulo registrou a tarde mais quente do ano, com 34,1ºC, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). A máxima superou os 33,7ºC registrados no dia 1º de janeiro. A temperatura está muito elevada para a época: segundo o CGE, a média das máximas para setembro é de 25,6ºC.

Veja a previsão do tempo para esta semana em algumas capitais, segundo o Inmet:

  • Cuiabá: mínima de 25ºC e máxima de 42ºC nesta segunda; na terça, mínima de 23ºC e máxima de 39ºC. Na quarta, mínima de 25ºC e máxima de 41ºC; na quinta, mínima de 25ºC e máxima de 42ºC. Na sexta, mínima de 25ºC e máxima de 42ºC. A umidade mínima pode chegar a 10% em todos os dias da semana.
  • São Paulo: mínima de 21ºC e máxima de 34ºC nesta segunda; na terça, mínima de 16ºC e máxima de 21ºC. Na quarta, mínima de 17ºC e máxima de 31ºC; na quinta, mínima de 18ºC e máxima de 33ºC. Na sexta, mínima de 19ºC e máxima de 29ºC. A umidade mínima pode chegar a 20% nesta segunda (14), percentual mais baixo da semana.
  • Curitiba: mínima de 17ºC e máxima de 34ºC nesta segunda; na terça, mínima de 9ºC e máxima de 17ºC. Na quarta, mínima de 11ºC e máxima de 28ºC; na quinta, mínima de 17ºC e máxima de 26ºC. Na sexta, mínima de 16ºC e máxima de 25ºC. A umidade mínima pode chegar a 25% nesta segunda (14), percentual mais baixo da semana.
  • Palmas: mínima de 27ºC e máxima de 37ºC nesta segunda; na terça, mínima de 27ºC e máxima de 37ºC. Na quarta, mínima de 27ºC e máxima de 38ºC; na quinta, mínima de 27ºC e máxima de 39ºC. Na sexta, mínima de 28ºC e máxima de 39ºC. A umidade mínima pode chegar a 15% em todos os dias da semana.
  • Teresina: mínima de 19ºC e máxima de 37ºC nesta segunda; na terça, mínima de 24ºC e máxima de 37ºC. Na quarta, mínima de 24ºC e máxima de 37ºC; na quinta, mínima de 25ºC e máxima de 38ºC. Na sexta, mínima de 25ºC e máxima de 38ºC. A umidade mínima pode chegar a 20% em todos os dias da semana.
  • Brasília: mínima de 16ºC e máxima de 30ºC nesta segunda; na terça, mínima de 16ºC e máxima de 30ºC. Na quarta, mínima de 16ºC e máxima de 30ºC; na quinta, mínima de 15ºC e máxima de 31ºC. Na sexta, mínima de 16ºC e máxima de 32ºC. A umidade mínima pode chegar a 15% na sexta-feira (18). A umidade máxima, de 70%, poderá ser alcançada na quarta (16).

Paulistanos aproveitam sábado de sol para fazer atividade física na região do Alto de Pinheiros em São Paulo (SP) — Foto: RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

 

 

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