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Grécia afirma que novo campo para migrantes em Lesbos estará pronto em cinco dias

Milhares de famílias passaram as últimas noites a céu aberto, no asfalto, nas calçadas ou campos de Lesbos, depois dos incêndios de terça e quarta-feira.

 

Quase 500 migrantes foram instalados em um novo campo na ilha grega de Lesbos, na Grécia, que receberá milhares de pessoas desabrigadas após os incêndios que destruíram o campo de Moria, mas outros, hesitantes, pedem para sair da ilha.

"Em cinco dias a operação estará finalizada. Todos serão instalados no novo acampamento", afirmou o ministro grego das Migrações, Notis Mitarachi, que visitou Lesbos durante dois dias para coordenar os trabalhos.

Localizado a três quilômetros do porto de Mitilene, capital da ilha, o campo "permanecerá fechado durante a noite por razões de segurança", de acordo com um comunicado ministerial.

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Mitarachi disse que quase 200 pessoas entre os demandantes de asilo podem estar infectadas com o novo coronavírus. As autoridades anunciaram restrições para a saída de migrantes do novo campo, devido à pandemia de covid-19.

Milhares de famílias passaram as últimas noites a céu aberto, no asfalto, nas calçadas ou campos de Lesbos, depois dos incêndios de terça-feira e quarta-feira que destruíram o centro de registro e identificação de Moria, sem provocar vítimas.

Duas crianças comem biscoitos enquanto refugiados e migrantes do campo destruído de Moria dormem à beira de uma estrada, na ilha de Lesbos, Grécia, 13 de setembro de 2020. — Foto: Alkis Konstantinidis / Reuters

O campo foi criado em 2015 para limitar o número de migrantes que tentam entrar na Europa continental a partir da Turquia. Mais de 12.000 pessoas viviam no local, incluindo 4.000 menores de idade.

Durante os últimos anos, a falta de higiene e a superlotação no campo de Moria foram muito criticadas pelas ONGs que defendem os direitos dos refugiados, que pedem com frequência a transferência dos solicitantes de asilo mais vulneráveis para o continente.

Os migrantes voltaram a protestar neste domingo (13), de maneira pacífica. Eles fizeram pedidos de ajuda a Europa.

Centenas de migrantes não querem entrar em um novo campo, alegando que estão cansados de esperar em Moria por meses, ou anos, para uma transferência a instalações na Grécia continental.

Muitos migrantes temem a detenção após o confinamento em Moria pela pandemia. Eles criticam a falta de higiene, violência e confrontos quase diários entre diferentes etnias.

No sábado, alguns migrantes protestaram para pedir a saída de Moria e lançaram pedras contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo.

"Em Moria nós conseguíamos entrar e sair, mas este campo será como uma prisão", afirmou Zola, uma congolesa que dorme com seu bebê de cinco meses ao lado da rodovia desde terça-feira.

Mitarachi insistiu que o campo permanecerá fechado por 12 horas e que os migrantes poderão sair no restante do dia.

As forças antidistúrbios enviadas de Atenas impediram o acesso dos jornalistas ao novo campo neste domingo.

Os campos de migrantes na Grécia, incluindo o de Moria, permaneceram confinados desde março pela covid-19. Até o momento foram detectados centenas de casos.

Muitas ONGs e a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) consideraram que as medidas de confinamento nos campos eram "discriminatórias" e "excessivas", já que o governo flexibilizou as medidas no país em maio.

As causas dos incêndios em Moria estão sendo investigadas, mas as autoridades sugerem que foram iniciados voluntariamente por demandantes de asilo que queriam sair da ilha.

As autoridades locais não desejavam o novo campo, pois consideram que o centro de registro de Moria foi um duro golpe para o turismo de Lesbos e que os migrantes devem deixar a ilha.

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Incêndios

Na quarta-feira (9), vários focos de incêndio atingiram o campo de Moria, que hospeda quase 12,7 mil solicitantes de refúgio. Considerado o mais insalubre da Europa, ele abriga um número de migrantes quatro vezes acima de sua capacidade.

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Mais de 3 mil barracas, milhares de contêineres, escritórios administrativos e uma clínica dentro do acampamento foram atingidas pelas chamas.

O fogo teria começado após uma revolta de alguns solicitantes de asilo que seriam colocados em isolamento depois de testar positivo para o novo coronavírus ou entrar em contato com uma pessoa infectada.

 

 

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