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Estudantes quilombolas da Ufopa têm perfil social, econômico e racial traçado por pesquisa

Estudo divulgou resultados da primeira fase desenvolvida entre os anos de 2018 e 2019 com estudantes que ingressaram na unidade entre 2015 a 2018.

 

Uma pesquisa na Universidade Federal do Oeste (Ufopa) está traçando o perfil social, econômico e racial dos estudantes quilombolas que ingressaram na universidade entre 2015 e 2018 através de processo seletivo especial. Os estudos da primeira fase de coleta de dados foram desenvolvidos entre 2018 e 2019.

Os resultados parciais desta primeira etapa da pesquisa foram divulgados em artigo científico publicado na última edição da Revista Cocar, da Universidade Estadual do Pará (UEPA), lançada neste mês de setembro.

Resultados

Ao todo foram ouvidos 158 estudantes quilombolas, sendo que a maioria (132) estudam em unidades de Santarém e os demais (26) em campi.

Em relação às localidades de desses estudantes, o estudo mostra que as cinco comunidades quilombolas com maior número de estudantes matriculados (as) são:

  • Boa Vista, no município de Oriximiná, com 20 alunos;
  • Passagem, em Monte Alegre, com 18;
  • e as comunidades de Santarém – Saracura, Murumurutuba e Murumuru – com o quantitativo de 12, 11 e 10 estudantes, respectivamente.

Aula do Cursinho Quilombola — Foto: Divulgação

Os demais alunos são das comunidades Serrinha (Oriximiná), Peafu (Monte Alegre), Pacoval (Alenquer), Arapucu (Óbidos) e Tiningu e Nova Vista do Ituqui (Santarém), sendo, no geral, oriundos de comunidades quilombolas da região do Baixo Amazonas.

“Esta incidência demonstra que o Processo Seletivo Especial Quilombola da Ufopa tem atendido predominantemente estudantes de comunidades da região, ainda que quilombolas de outras cidades e estados possam também participar do processo de seleção”, destaca o artigo publicado.

Os dados analisados neste estudo também apontam que o grupo é formado, em sua maioria, por mulheres; que estes quilombolas se definem como pretos e pretas, solteiros, e possuem uma média de idade de 25,4 anos.

Para a equipe de pesquisa, essa investigação que apresenta o perfil social, racial e econômico com a trajetória estudantil dos quilombolas é muito importante para avaliar a política da Ufopa de ingresso dos estudantes quilombolas nesses primeiros anos de implementação.

“A pesquisa também apresenta alguns caminhos, algumas sugestões estratégicas para que possamos melhorar a política de ingresso de quilombolas na Ufopa. Então, ela serve para fazer o diagnóstico, serve como avaliação e também tem essa função de apresentar caminhos que possam ajudar a consolidar a política”, disse o professor Luiz Fernando, que coordena a pesquisa.

Aplicação do questionário

A coordenação do estudo informou que 158 estudantes participaram da pesquisa. Esse número representa um universo de, aproximadamente, 70% dos estudantes quilombolas que ingressaram na Universidade entre 2015 e 2018. A aplicação do questionário foi feita de forma livre e voluntária, no período de outubro de 2018 a maio de 2019.

Em Santarém, a metodologia foi desenvolvida por meio das redes sociais e durante reuniões do Coletivo de Estudantes Quilombolas (CEQ) da Ufopa.

Para aplicação dos questionários nos campi, além das redes sociais e do contato direto com os estudantes quilombolas, foram utilizados os meios institucionais disponíveis por meio das unidades administrativas e acadêmicas dos municípios de Monte Alegre e Alenquer. Como em Santarém, também nessas unidades os questionários foram respondidos de forma voluntária e livre.

 

 

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