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Juan Carlos I, rei emérito da Espanha, comunica que deixará o país em meio a suspeitas de corrupção

Ele notificou a decisão ao filho em uma carta e já abandonou a residência oficial; Juan Carlos é suspeito de manter contas ilegais em países estrangeiros.

 

O rei emérito da Espanha, Juan Carlos I, anunciou nesta segunda-feira (3) a decisão de se mudar para fora do país. Ele é alvo de uma investigação do Supremo Tribunal espanhol por suspeita de corrupção e desvios de dinheiro no exterior.

  • Rei da Espanha renuncia à herança do pai e lhe retira verba

Em uma carta endereçada ao filho, o rei Felipe VI, Juan Carlos justificou sua saída por conta da "repercussão pública" de "acontecimentos passados" em sua vida privada. Ele disse ainda que a decisão facilitaria o exercício das funções do atual monarca.

"Agora, guiado pela certeza de prestar o melhor serviço aos espanhóis, às suas instituições e a ti como o rei, comunico minha decisão de me mudar, neste momento, para fora da Espanha", escreveu Juan Carlos em carta divulgada pela Casa Real, instituição responsável pela coroa espanhola.

Em um comunicado, a coroa espanhola afirmou que a decisão foi aceita pelo rei Felipe VI, que agradeceu e respeitou o pedido do pai. Segundo a Casa Real, o rei reconhece o legado de Juan Carlos I e reafirma os princípios e valores democráticos.

Há um ano, o rei emérito já havia deixado de participar de atividades institucionais da coroa espanhola, por conta de escândalos envolvendo uma amiga pessoal de Juan Carlos e suspeitas de tráfico de influência.

Segundo o "El País", o rei já deixou suas acomodações no palácio da Zarzuella, residência oficial da monarquia espanhola.

Suspeitas de corrupção

O rei Felipe VI, da Espanha, renunciou à herança de seu pai, Juan Carlos, e retirou a verba que lhe era atribuída, ainda em março deste ano, em meio a suspeitas de corrupção envolvendo o rei emérito. A decisão foi anunciada após várias revelações feitas pela imprensa internacional sobre contas no exterior.

O jornal suíço "Tribune de Gèneve" publicou que Juan Carlos recebeu, em 2008, US$ 100 milhões do rei Abdallah, da Arábia Saudita, em uma conta na Suíça de uma fundação panamenha. Já o jornal britânico "The Daily Telegraph" indicou neste sábado que Felipe VI também era beneficiário da fundação.

O rei da Espanha, Felipe VI (esquerda) e seu pai, o rei emérito Juan Carlos I, em foto de 6 de janeiro de 2018 — Foto: Juanjo Martín/Pool/AFP

Nascido no exílio

Juan Carlos de Bourbon e Bourbon foi rei da Espanha sob o nome de Juan Carlos I durante 39 anos, um dos reinados mais longos da história, desde que foi proclamado em novembro de 1975. O rei nasceu em Roma no dia 5 de janeiro de 1938.

Após passar sua infância na Itália, Suíça e Portugal, em 9 de novembro de 1948 pisou pela primeira vez na Espanha, onde fixou sua residência, afastado de sua família. Em 1969, por proposta do general Francisco Franco, foi designado como seu sucessor na chefia de estado, com o título de rei.

Com a morte do ditador, teve um papel chave no processo de redemocratização e impediu um novo golpe de estado, fomentado pela guarda civil espanhola.

Pedido de desculpas

Juan Carlos foi operado nove vezes, cinco delas de 2010 a 2012. Sua passagem pela sala de cirurgia foi devido a motivos de saúde e por acidentes relacionados com a prática esportiva. Em abril de 2012 passou por intervenção cirúrgica após uma fratura no quadril.

Esta última coincidiu com um momento crítico da crise econômica espanhola e após uma viagem de caça a Botsuana. Em um gesto sem precedentes, dom Juan Carlos pediu no dia 18 de abril de 2012 desculpas publicamente, ao afirmar, "Sinto muito; me equivoquei e não voltará a acontecer".

Pouco depois, ele renunciou ao trono para que seu filho pudesse assumir a coroa espanhola (veja o vídeo abaixo).

Rei da Espanha abdica ao trono

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