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Sem UTIs, Rondon do Pará deixa de atender pacientes com Covid-19, dizem familiares

Moradores também denunciam a falta de testes na cidade.

 

Pacientes com suspeitas da Covid-19 reclamam da dificuldade para conseguir atendimento na rede municipal de saúde de Rondon do Pará, no sudeste do estado.

Salvina Freitas, de 78 anos, morreu na última sexta (24) no Hospital Regional em Marabá. A filha dela Julia Freitas vive o luto após perder a mãe. Segundo ela, a família vive em Rondon do Pará e acredita que a mãe foi contaminada pelo filho, que faz tratamento fora de domicílio junto a outros 18 pacientes renais crônicos. O grupo viaja no mesmo veículo.

"São vários municípios que fazem hemodiálise, começaram a testar, mas quando chegou em Rondo eu pedi pra secretaria testarem os pacientes do ônibus. Mas não fizeram, nem isolaram eles", afirma.

Ainda de acordo com a família, apesar da secretaria ter realizado a testagem, o paciente Roberto Freitas, de 52, continuou viajando no mesmo veículo e contraiu o coronavírus. Ele chegou a ir para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, mesmo sendo do grupo de risco, conseguiu se recuperar e voltar para casa. Mas a mãe dele não."Se tivessem feito a testagem dos pacientes, teriam evitado esse desastre com gente contaminada. Eu perdi minha mãe, pois sem saber passei para ela".

Uma denúncia foi protocolada na Comarca de Rondon do Pará contra a Secretaria de Saúde. Segundo a família, a gestão se negou a realizar a testagem de pacientes suspeitos com a Covid-19 e ainda pela dificuldade em conseguir ambulâncias para transferência de pacientes graves para hospitais em Marabá, distante 148,2 km.

"Eles negligenciaram, nada foi cumprido com direito à saúde", afirma Julia Freitas.

Rondon do Pará tem aproximadamente 52 mil habitantes e os pacientes suspeitos com a Covid-19 são encaminhados para um hospital do município, que não possui UTI para casos graves.

Segundo a secretaria, desde o início da pandemia, somente 600 testes rápidos foram realizados até então na cidade e 341 casos foram confirmados.

Uma mulher, que preferiu não se identificar, disse que está com a filha há uma semana com sintomas da Covid-19 e reclama da demora para conseguir o teste. " O fígado dela deu alteração e ainda não tem previsão de quando vão fazer o teste".

A enfermeira Carla Mileni, de 49 anos, atuava há mais de 15 anos no Hospital Municipal de Rondon. Ela morreu no início de maio, por complicações da Covid-19. A filha dela também responsabilidade o município por não afastar a profissional. "Minha mãe foi exemplar, avisou que estava com suspeita, mas não afastaram ela", disse Nathalia Siqueira.

A Secretaria de Saúde de Rondon nega que o município esteja sendo omisso, e diz que tem dado apoio aos servidores e à população. A secretaria diz, ainda, que o município tem entregue kits de medicamentos para ajudar no tratamento aos pacientes e alega que todos os profissionais com sintomas são afastados.

Sobre o caso de Salvina Freitas, a secretaria diz que há parceria entre municípios para transferência de pacientes, mas a família não solicitou veículo. A família acabou levando por conta própria, segundo a secretaria. O contrário que afirma Julia Freitas, filha da paciente:

"O que eu 'tô' vivendo hoje foi falado, foi denúncia, eu bati em várias portas e nada foi feito", afirma.

Sobre as denúncias de falta de testes para Covid-19, a secretaria afirma que já abriu licitação para compra de 2 mil testes rápidos.

 

 

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