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Polícia desmantela acampamento com cerca de 2 mil migrantes nos arredores de Paris

Operação responde à promessa do governo de desmantelar esses locais insalubres que se multiplicaram por alguns anos na capital francesa, além de uma urgência sanitária, já que as autoridades lutam para impedir um segundo surto da Covid-19.

 

A polícia retirou cerca de 2 mil migrantes instalados em um acampamento improvisado na entrada de Paris nesta quarta-feira (29).

A operação responde à promessa do governo de desmantelar esses locais insalubres que se multiplicaram por alguns anos na capital francesa, além de uma urgência sanitária, já que as autoridades lutam para impedir um segundo surto da Covid-19.

Os migrantes que se estabeleceram neste acampamento perto de um canal em Aubervilliers, no norte de Paris, são homens, em sua maioria, vindos de países africanos - Etiópia, Somália, Djibuti e Eritreia -, ou do Afeganistão. Eles foram levados de ônibus para centros de acolhimento e ginásios vazios na região parisiense.

“As 2.075 pessoas, que viviam em condições insuportáveis, serão abrigadas”, declarou nas redes sociais o ministro francês de Interior, Gérald Darmanin, após a operação, que durou cerca de cinco horas.

O acampamento de Aubervilliers é um dos muitos que surgiram nas ruas de Paris e nos arredores da cidade desde o início da crise migratória, em 2015. Muitos dos que vivem nesses locais fogem da guerra ou da pobreza em seus países.

Mas as associações humanitárias reclamam da ineficácia das evacuações. “Na última operação do gênero, 55% das pessoas que moravam nos acampamentos voltaram para a rua logo em seguida”, confirmou em entrevista à RFI Maël de Marcellus, coordenador da filial parisiense da associação Utopia 56.

“São operações de comunicação”, denuncia o ativista, que fala de uma vontade política de camuflar o problema. “Os acampamentos são cada vez mais empurrados para as periferias ao norte de Paris (mais pobres), para tentar tornar a miséria menos visível, afastando-a dos parisienses mais ricos (que vivem no centro e oeste da capital)”, diz.

“Não esperava ser recebido desse jeito na França”

"Para alguns, essa é a décima evacuação. Eles sabem que serão levados para ginásios, e metade estará na rua novamente hoje à noite", confirma Silvana Gaeta, do coletivo Solidarité Migrants Wilson, lembrando que várias operações do gênero já foram organizadas pela polícia, sem conseguir resolver totalmente a situação.

“Eles vêm nos buscar, nos colocam em hotéis durante três meses e depois voltamos para a rua”, denuncia Alalisad, um migrante da Somália que vive no território francês há cinco anos e já passou por cinco desmantelamentos de acampamentos.

“A vida é difícil na França. Eu não esperava ser recebido deste jeito. Meu país está em guerra. Eu não escolhi estar aqui”, tenta resumir Ismaël, outro sudanês que já viveu em quatro acampamentos diferentes.

“Essa situação dura quase cinco anos. Nós já vimos esse filme. O Estado é incapaz de acolher as pessoas de forma digna”, aponta Louis Barda, coordenador geral da Médicos do Mundo em Paris.

Ele também alerta para a questão sanitária em tempos de pandemia. “Os gestos de prevenção, como o distanciamento físico, são impossíveis nesses acampamentos e essas populações precárias são as mais expostas à Covid-19”.

 

 

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