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Um ano após o '''Massacre de Altamira''', no Pará, familiares de presos mortos buscam respostas

Em 2019, 58 detentos foram mortos durante uma briga entre facções rivais dentro da penitenciária de Altamira, sudoeste do Pará.

 

Nesta quarta-feira (29) completa um ano do caso que ficou conhecido como o "Massacre de Altamira", em que 58 detentos foram mortos dentro do Centro de Recuperação Regional de Altamira, no sudoeste do Pará. Para os parentes, foi uma tragédia anunciada que continua sem respostas do Estado e da Justiça.

Era uma segunda-feira, por volta de 7 horas da manhã, quando começou uma rebelião no presídio no Centro de Recuperação Regional de Altamira. Dentro da cadeia, havia fogo e muita fumaça. Do lado de fora, um aparato de segurança e familiares desesperados.

Tratava-se de um conflito entre dois grupos rivais.Uma ala inteira da penitenciária foi destruída e 58 detentos foram mortos, a maioria, por asfixia. Dezesseis deles foram decapitados por outros presos.

Quinze detentos que seriam de uma facção foram identificados como líderes do motim. Eles foram transferidos para outras unidades prisionais do estado e até para presídios federais.

Durante a transferência para a cidade de Marabá, no sudeste do Pará, um dia após o massacre, 4 detentos foram mortos dentro de um caminhão cela do estado. Um deles é filho de uma mulher, que prefere não ser identificada, mas contou para a reportagem que quer saber o que realmente aconteceu com o filho naquele dia.

"Eu queria saber como foi, né? Como foi que aconteceu? Quem foi? Por que eles falam uma coisa, aí depois eles falam outra, eles ficam jogando. Eles não dão a informação certa. Não importa o que o meu filho foi o que ele fez, eu quero saber e nem tô dizendo que não tinha que ser assim, né? Se ele devia... Mas eles tinham que me dar uma resposta de como foi. Eu queria saber como foi e aonde foi", afirma a mãe do detento morto no massacre.

Uma força-tarefa foi montada para investigar as responsabilidades pelo massacre. Um dos inquéritos foi concluído com mais de mil páginas. 84 detentos foram indiciados por envolvimento na chacina e respondem a crimes como homicídio qualificado, dano, organização criminosa e motim.

Dois agentes penitenciários chegaram ser presos por não ter cumprindo o protocolo de segurança, mas foram soltos dois dias depois.

“Assim que finalizamos esse inquérito, tivemos a situação de apurar se houve ou não a falha, a suposta facilitação, tendo em vista que não ficou comprovado a facilitação em si, ou seja, a premeditação de algum agente público para que isso ocorresse. No entanto, algumas falhas procedimentais foram identificadas e isso é algo de outro inquérito e de uma apuração administrativa por parte da Corregedoria da Seap, que também apura esses fatos”, pontuou Walisson Damasceno, superintendente regional de Polícia Civil.

O trabalho de identificação dos corpos foi demorado. A rua em frente ao Instituto Médico Legal (IML) teve que ser interditada enquanto os parentes aguardavam a liberação. Mas, alguns corpos só foram identificados por exames de DNA. Enquanto os resultados não saiam, os restos mortais ficaram guardados dentro de um caminhão frigorífico.

O bispo Dom Erwin Krautler acompanhou de perto o sofrimento das famílias que tiveram de esperar para fazer o sepultamento das vítimas. Para ele, a tragédia poderia ter sido evitada.

Para as famílias dos detentos que foram carbonizados dentro da cela container, não há como definir a dor da perda. Um deles é o agricultor Derli Marques Teixeira Pontes, de 32 anos, que havia sido transferido da cidade de Uruará há apenas um mês. Ele era preso provisório e ainda não havia sido julgado pelo crime de tráfico de drogas. A mãe dele, que mora em Uruará, há 200 km de Altamira, não consegue aceitar a forma brutal como o filho foi morto e pede respostas à justiça.

A estrutura do antigo Centro de Recuperação Regional de Altamira deixou de ser usada desde novembro do ano passado quando os presos foram transferidos para a nova Penitenciária de Vitória do Xingu. Atualmente, o local está abandonado e cheio de mato e lixo.

No final do ano passado, a Defensoria Pública Estadual ingressou com uma ação civil na justiça pedindo indenização por danos morais e materiais tanto para as famílias do mortos como para os sobreviventes. Para a defensoria, o estado foi incapaz de garantir a integridade dos detentos que estavam sob sua responsabilidade.

 

 

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