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Presos ou '''desaparecidos''', a difícil luta dos intelectuais uigures na China

Pelo menos 435 intelectuais uigures foram presos, ou são vítimas de desaparecimentos forçados, desde abril de 2017.

 

Há quase dois anos, Aierken Yibulayin foi preso pela polícia em Xinjiang, imensa região de maioria muçulmana do noroeste da China, onde quase meio milhão de intelectuais uigures como ele estão detidos desde 2017 - segundo uma ONG.

Yibulayin publicava milhares de obras e manuais escolares em uigur, o idioma da etnia majoritária em Xinjiang.

Desde o dia de sua prisão em outubro de 2018, "nossas vidas estão destruídas", comentou seu filho Bugra Arkin, que vive nos Estados Unidos e destaca que o restante de sua família em Xinjiang está em prisão domiciliar.

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Este não é um caso isolado nessa enorme região, que há muito tempo é palco de tensões entre os uigures e a etnia dos han (chineses de origem).

Pelo menos 435 intelectuais uigures foram presos, ou são vítimas de desaparecimentos forçados, desde abril de 2017, de acordo com uma associação de defesa desta minoria, a Uighur Human Rights Project, com sede em Washington.

As organizações pró-uigures no exterior veem essas prisões como uma política deliberada destinada a apagar a identidade cultural desse povo da Ásia central, cujo idioma é vinculado ao turco.

"Erradicar a identidade"

Outro caso emblemático é o de Alim Hasani, um linguista eminente que, a princípio, não tem nada de opositor. Este autor de dicionários em uigur foi preso em agosto de 2018 quando fez uma viagem a Pequim a trabalho. Desde então, ninguém mais teve notícias dele, relata seu filho.

Alim Hasani era membro do Partido Comunista Chinês (PCCh).

Ele teria sido julgado em janeiro, mas o processo foi provavelmente suspenso, devido à epidemia do coronavírus, de acordo com as últimas notícias de seu filho, que precisa se contentar em receber informações de segunda mão.

Sua mãe, que continua morando em Xinjiang, "não se atreve a falar sobre o assunto" por telefone, afirmou.

As autoridades chinesas impuseram medidas rigorosas de segurança e controle em Xinjiang, após uma série de ataques atribuídos aos separatistas, ou a uigures islâmicos.

Segundo associações de defesa dos direitos humanos, mais de um milhão de uigures estão presos, ou estiveram em campos de "reeducação política".

O governo chinês nega esses dados e explica que na verdade se trata de "centros de treinamento profissional", onde os uigures podem aprender o mandarim e se afastar da tentação islâmica.

A sinóloga Jo Smith Finley, da Universidade de Newcastle (Inglaterra), observa uma forma de "diluir e depois erradicar a noção de uma identidade uigur separada".

Essa visão é categoricamente rejeitada pelo governo chinês.

"A ideia de que os intelectuais estariam presos para sufocar a cultura uigur é um mero boato e uma difamação", disse o Ministério das Relações Exteriores da China à AFP.

 

 

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