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Gláfira lança clipe que celebra a cultura e o misticismo do Marajó

Travessia do Marajó traz mistérios e belezas naturais da região, terra natal da artista paraense. Clipe será lançado nas redes sociais na segunda-feira, 6.

 

Gláfira faz da ancestralidade o seu guia na viagem mística à sua terra natal em “Travessia do Marajó”, clipe lançado nesta segunda-feira (6), nas redes sociais. A música abre "Mar de Odoyá”, o mais recente disco solo da artista paraense.

Na composição autoral, a artista paraense volta à infância em Soure, cidade onde nasceu, em uma família de pescadores. Seu avô contava do medo que sentia ao atravessar para o Marajó em dias de águas agitadas. “Fiz a letra pautada na vivência, na minha raiz. Minha avó ficava na esquina de casa olhando pro céu, depois ela entrava, sisuda, e dizia: já tem dois dias que relampeia lá pras bandas do Marajó”, lembra.

Soure, onde o clipe foi gravado, é terra natal de Gláfira. Região é dona de belezas naturais, praias e manguezais — Foto: Divulgação

Encantarias e exuberância

O vídeo, gravado na praia do Pesqueiro e na comunidade Do Céu, tem direção de Léo Platô e Tale Campos. As imagens revelam as belezas da areia branca das praias marajoaras, seus mangues e águas esverdeadas, que contrastam com o vestido azul profundo usado pela artista, que remete a uma borboleta citada por indígenas como guardiã da natureza.

A travessia espiritual ao Marajó faz referência a entidades da região e mostra o mundo místico dos Caruanas. “A proposta foi do Tale. Eu comentava com ele que quando o mundo foi feito, o mundo espiritual se desenvolveu em sete mundos que ficam em cima da crosta terrestre. É o mundo dos Caruanas, que fica localizado no Marajó, o que faz com que a região tenha muita encantaria e misticismo”, conta.

Pretinho da bacabeira é uma entidade traquina que defende a natureza e prega peças nas pessoas — Foto: Divulgação

O clipe destaca três encantados, que foram escolhidos por serem lendas características da região: o Pretinho da Bacabeira, a Mulher Cheirosa e o Vaqueiro Boaventura. O pretinho perdeu a mãe durante o parto, e foi criado pela vizinha, chamada Iara, a Mãe D'água. Ele foi encantado e passou a morar no reino das águas mais profundas do Rio Paracauari. Envolvido pelas águas do rio, a criança era vista com a chegada da maré alta e sumia com a vazante. Ele era muito traquino e adorava pregar peças nas pessoas que passavam por ali.

Até hoje, hóspedes e funcionários do Hotel Marajó dizem que ele ainda aparece por lá, quando a maré está de lance, mas ele só atormentar quem joga lixo no rio. "Filmamos a cena no mangue da Comunidade do Céu, com menino Jorge Rodrigues, que é traquino igual ao personagem", diz Gláfira.

A Mulher Cheirosa parece no cemitério de Soure, onde hoje é o cruzeiro, popularmente conhecido com Cruzeirinho. — Foto: Divulgação

A Mulher Cheirosa é uma francesa que viveu em Soure. Ela era casada com um português que a abandonou para ir viver com uma mucama. Ela tentou reconquistar o esposo, e saía bem vestida e perfumada com aroma de jasmim. Mas a tentativa de reatar o casamento não deu certo, e ela aos poucos foi definhando de tristeza. No entanto, jurou que iria se vingar de todos os homens.

Ela e o marido foram enterrados juntos no cemitério da cidade, onde hoje é o cruzeiro, popularmente conhecido com Cruzeirinho. Reza a lenda que, a certa hora da noite, é possível sentir um forte cheiro de jasmim ao passar pelo local. "Os mais velhos contam que muitos homens da cidade, ao passarem por lá, já foram mundiados por uma mulher loira, com vestido branco esvoaçante. Eles são encantados por sua beleza e seu cheiro, e são levados pela estrada da praia do Araruna até que eles acordam três dias depois, perdidos no mangue da praia, sem lembrar o que aconteceu", conta.

Vaqueiro Boaventura é uma entidade que auxilia a população a reencontrar animais que se perderam nas matas — Foto: Divulgação

A outra entidade é o Vaqueiro Boaventura. Segundo a lenda, ele era o mais experiente vaqueiro dentre todos. No entanto, certa vez, ao atravessar a cavalo o lago Piratuba, misteriosamente Boaventura desapareceu em suas águas. Por dias procuraram pelo corpo do vaqueiro e do cavalo, e jamais os encontraram.

Anos depois, o melhor amigo de Boaventura o viu, em seu cavalo baio. Ele tomou um susto, mas Boaventura disse que não o faria mal, que somente queria ajudar o amigo, e deu as indicações de onde tinha sido enterrado o ouro dos colonizadores no Marajó. O amigo nunca aceitou o presente e morreu sem dizer onde estava enterrado o tesouro.

“Boaventura exerce até hoje grande influencia no imaginário e no cotidiano dos povos daquela região. Sempre que alguém perde um animal, eles recorrem à ajuda do vaqueiro e oferecem em troca presentes deixados no meio do campo. E todos eles dizem que no outro dia é certo de que o animal é encontrado preso a espera do dono”, conta Gláfira.

O trabalho é uma celebração à potência cultural marajoara. Realizado de forma independente, o clipe é resultado de uma soma de esforços. Entre os parceiros centrais, as comunidades tradicionais Do Céu e do Pesqueiro, Prefeitura de Soure, GTM Cruzeirinho, Platô Filmes, Tale Agência Multimídia, Guamundo e Reator Cultural Socioambiental.

“A cultura é nossa aliada e nossa identidade, além de ser fundamental para a população, já que o turismo é nossa base e recebemos muitas pessoas de fora. É importante os visitantes conhecerem o que temos de mais belo na nossa cultura, então apoiar a arte é muito importante”, destaca Guto Gouvea, prefeito de Soure. “O nosso povo sem cultura, sem lembrança, é como se não tivesse passado. Então apoiar a música, a arte é fundamental”.

 

 

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