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Breves enfrenta colapso da saúde e caos no sistema funerário durante a pandemia de Covid-19

Situação da cidade mais populosa do Marajó é o foco da primeira reportagem da série ''A Covid-19 no Marajó'', transmitida pela TV Liberal. Local sofre com falta de médicos e leitos de UTI.

 

A cidade de Breves é a mais populosa do arquipélago do Marajó. Com mais de 100 mil habitantes, o município concentra grande parte do fluxo social e econômico da região. No entanto, a cidade também é líder no número de casos da Covid-19 no Marajó. Com o avanço da doença, os hospitais da cidade entraram em colapso e o sistema funerário também registrou aumento na procura. A situação de Breves é o foco da primeira reportagem da série "A Covid-19 no Marajó", transmitida pela TV Liberal nesta quarta-feira (1).

A série "A Covid-19 no Marajó" foi dividida em três reportagens, que mostram o enfrentamento da doença nas cidades da maior ilha marítimo-fluvial do mundo. O trabalho fez parte de uma parceria do jornalismo da TV Liberal com o fotógrafo Tarso Sarraf, que fez imagens e entrevistas impactantes sobre a situação da Covid na Ilha do Marajó. Após a transmissão, as reportagens ficam disponíveis no G1 Pará.

No caso de Breves, a cidade é uma reunião de opostos. Apesar de ser o município mais populoso da região e concentrar grande parte do comércio da ilha, Breves registra Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os 50 piores do Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IDH da cidade é de apenas 0,503. O instituto ainda aponta que 51,3% da população vive com até meio salário mínimo e que quase 94% da cidade não tem rede de esgoto.

Além das péssimas condições de saneamento e de desenvolvimento humano da cidade, a população de Breves não praticou a principal medida de contenção à Covid-19: o isolamento social. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup) o município teve a média de isolamento social distante dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Por conta disso, a Covid-19 se espalhou na cidade. A doença foi logo sentida pelo sistema de saúde. Antes da pandemia, a rede pública de saúde de Breves tinha apenas 25 leitos clínicos, quatro UTIs e cinco respiradores. O governo do Pará anunciou, para 23 de abril, a entrega de um Hospital de Campanha na cidade, acrescentando 56 leitos clínicos e quatro UTIs exclusivamente para o tratamento da Covid-19. Mas houve atraso de 18 dias na entrega por causa de problemas na logística de entrega de equipamentos.

Depois da primeira morte registrada, em 27 de abril, a cidade chegou a 34 óbitos em poucas semanas. Um mês depois, estimou-se que um em cada quatro brevenses haviam contraído a Covid-19.

Caos funerário

8 de junho - Coveiros com roupas de proteção carregam o caixão de Edivaldo da Silva, 77 anos, que morreu vítima de COVID-19, no Cemitério Municipal do Recanto da Paz, em Breves, Pará — Foto: Tarso Sarraf/AFP

Com os números crescendo pela região, o trabalho não parou na maior funerária da cidade. A produção, que antes era de 80 urnas, passou para 130 em um mês.

"Antes de acontecer essa epidemia, a gente enterrava por mês entre dez e 15 pessoas. Quando chegou a doença, a gente começou a enterrar entre de cinco e seis pessoas por dia. É terrível de ver, a gente que trabalha, extremamente chocante", disse Rony da Silva, coveiro do cemitério municipal de Breves.

Segundo dados do Mapa do Coronavírus, feito pelo G1 com base em números divulgados pelas Secretarias Estaduais de Saúde de todo o país, a cidade de Breves teve a maior alta de mortes por coronavírus em duas semanas, no período de 27 de abril a 11 de maio. O aumento foi o mais acentuado entre todas as cidades brasileiras afetadas pela pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), que causa a doença Covid-19. O número de óbitos saltou de 1, em 27 de abril; para 34, na segunda (11), mesma data em que o hospital de campanha foi inaugurado na cidade — com 18 dias de atraso.

Controle do contágio

Pesquisadores do Museu Emilio Goeldi, em Belém, desenvolveram estudos para traçar um panorama da evolução da Covid-19 no Marajó. Segundo o levantamento, dos 16 municípios que compõe o arquipélago, apenas cinco possuíam respiradores antes da pandemia. Além disso, há carência de médicos na região. Enquanto a OMS recomenda um médico para cada mil habitantes, no Marajó a proporção é de um para cerca de 11 mil pessoas.

Uma estratégia foi manter pacientes com Covid-19 em isolamento e fazer o monitoramento por celular. "Aqui, temos 68 pacientes em monitoramento. Confirmados, a gente tem cerca 430 mais ou menos. A gente recebe de sintomas leves, moderados a greve. Dependendo da situação do paciente, a gente estabiliza aqui e manda pra UPA ou pro hospital de campanha", informou o médico do Breno Araújo.

Na única UPA do município, a sala vermelha está lotada. Do lado de fora, a angustia de familiares que aguardam para ver, pelo vidro, pessoas amadas que estão em tratamento da Covid-19.

 

 

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