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Professores consideram precipitado retorno das aulas na 2ª de quinzena de julho em Belém e 1º de agosto no PA

São mais de 900 mil estudantes que poderão retornar às escolas após mais de três meses desde o início da pandemia de Covid-19.

 

Professores da rede pública e particular no Pará ainda acham precipitadas as datas para o retorno das aulas presenciais. O retorno das aulas presenciais em Belém está previsto para a segunda quinzena de julho nas escolas municipais e na rede privada. No estado, a previsão é 1º de agosto.

São mais de 900 mil estudantes que poderão retornar às escolas que estão fechadas há mais de três meses desde o início da pandemia de Covid-19.

Algumas instituições já se preparam para retornar. Segundo o diretor de um colégio em Belém, Fabrício Alves, as adaptações já começaram para tentar manter o distanciamento e proteger alunos e professores da contaminação pelo novo coronavírus, como disponibilizar álcool em gel na entrada e utilizar demarcações no chão.

"Todas as salas estão sinalizadas, haverá controle por horário, por turno. O infantil entra em um horário, médio, para que não haja aglomeração, e os intervalos também serão diferentes. Na sala dos professores, não terá muitos ao mesmo tempo e todos os professores vão ter que usar máscara", disse.

O diretor prevê que o retorno seja gradativo para alunos e professores e que outras adaptações serão tomadas quanto à ventilação.

Entre professores, há preocupação, pois muitos trabalham em mais de uma escola, em turno seguidos, aumentando o risco de exposição ao novo coronavírus.

O professor Olyjan Lopes disse que não sente que há preparo para o retorno por falta de um protocolo na rede estadual e municipal de Belém. "Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), temos que ter essa testagem em massa. E até agora não foram instaladas pias, material de limpeza e nem pessoal suficiente para fazer essa limpeza pelo menos três vezes ao dia", alertou. Ainda segundo Lopes, alguns alunos não tem condições de comprar máscaras, ter álcool em gel.

"Como a escola pública vai se adequar? Ela vai oferecer proteção?", disse.

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Nas escolas públicas da rede estadual são 575.244 estudantes, de acordo com a Secretaria de Estado de Educação. Já nas escolas particulares estudam cerca de 400 mil alunos, segundo o Sindicato Estabelecimentos Particulares Ensino do Estado Pará (Sinepe), que alega que a categoria já está preparada para o retorno.

A presidente do Sinepe, Beatriz Padovani, disse que estão sendo adotadas condições para a retomada das aulas, com investimentos, estruturação de protocolos. "Aguardamos agora a liberação do Poder Público".

Sintepp pede responsabilidade na retomada

Uma nota técnica chegou a ser aprovada pela Seduc para que o retorno das aulas presenciais ocorresse em 1º de julho.

À época, o Sindicato dos/as Trabalhadores/as em Educação Pública do Pará (SINTEPP) considerou precoce a retomada. Segundo nota, o sindicato disse que seria "precoce a afirmação de que há queda de contaminação no Pará, visto que temos extrema subnotificação, além do que muito desse “equilíbrio” no número de casos tem a ver com as políticas de isolamento social corretamente adotada pelo governo estadual, mas que não são ainda suficientes para se afirmar que entramos, ou entraremos, num período de controle da infecção".

O sindicato propôs uma série de condições para o retorno "paulatino" às aulas:

  1. Que toda e qualquer atividade “não presencial” não seja contada como dia letivo, mas apenas na perspectiva de rotina de estudos, revisão e reforço;
  2. Que a discussão do calendário leve em consideração a necessidade de se readequar os calendários letivos de 2020 e 2021, desvinculando-os do calendário civil, com a retomada gradual das aulas nas escolas a partir de agosto, se estendendo até o início de março/2021, cumprindo o mínimo de horas (800h) letivas;
  3. Para a reposição de horas letivas, excepcionalmente a inclusão de mais um tempo de aula, com a conversão dos módulos/aula (hora-aula) de 45 minutos para 40 minutos nos turnos da manhã e tarde, e de 35 minutos no turno da noite.
  4. Utilização de sábados letivos apenas para alunos do 3o ano, com aulões preparatórios ao ENEM.
  5. Que para a volta às escolas seja feita a testagem de todos/as trabalhadores/as em educação, bem como de todos/as estudantes, para um melhor controle epidemiológico;
  6. Que na volta às escolas seja garantido EPI’s aos trabalhadores em educação e estudantes, com a disponibilização de máscaras e álcool em gel nas escolas;
  7. Que sejam estruturados lavatórios nas entradas das escolas para a higienização inicial;
  8. Que seja garantido suporte social e psicológico para trabalhadores/as em educação e estudantes
  9. Que a SEDUC estabeleça nas salas de aula o distanciamento de segurança entre os/as alunos/as;
  10. Que a SEDUC inicie um processo de replanejamento de conteúdos, que passa pela oitiva de professores/as por suas direções e corpo técnico, das direções com as USES e URES, e dessas com a SAEN/SEDUC, para a adaptação ao novo calendário;
  11. Que a SEDUC envolva ao máximo a comunidade escolar no debate do retorno das atividades;
  12. Que seja garantido o transporte e alimentação escolar durante todo o processo de retomada das aulas;
  13. Que o Governo do Estado direcione parte dos recursos do socorro federal para a preparação das escolas para a retomada paulatina das atividades;
  14. Que seja feito estudo para verificar quais escolas têm condições de funcionamento. É preciso atentar para a questão dos anexos e das escolas que funcionam em prédios alugados e sem estrutura de escolas. Também é preciso um olhar atento para os horários de entradas, intervalos e saídas.
  15. Que a SEDUC garanta a lotação dos/as professores/as que porventura tenham redução de turmas por conta da evasão escolar.

 

 

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