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Ruy Barata, um dos maiores nomes da cultura do Pará, completa centenário nesta quinta

Santareno, Ruy Guilherme Paranatinga Barata nasceu em 25 de junho de 1920, e faleceu em 23 de abril de 1990. Personalidades comentam vida e obra do artista.

 

Nesta quinta-feira (25), completa o centenário de um dos maiores nomes da cultura paraense do Século XX. Poeta, compositor, advogado, historiador, professor e político, Ruy Guilherme Paranatinga Barata, que nasceu em Santarém, no oeste do Pará, em 25 de junho de 1920, e faleceu em 23 de abril de 1990, aos 69 anos, em São Paulo.

De acordo com o historiador Wilverson Rodrigo Silva Melo, Ruy Barata concorreu a várias cadeiras no pleito e foi eleito. Após vida política, passou então, a desenvolver intensa atividade cultural no estado do Pará, onde foi Professor de literatura da Universidade Federal do Pará (UFPA). Também foi poeta e compositor, tendo várias músicas de sucesso gravadas pela cantora Fafá de Belém como: "Foi Assim", "Pauapixuna" e "Esse rio é minha rua".

Fafá de Belém — Foto: Divulgação

Segundo o historiador, Ruy Barata buscou por uma expressão literária autônoma à literatura brasileira. Onde o poeta redimensionou ao universo amazônico: "Eu sou de um país que se chama Pará", diria na letra da música Porto Caribe, parceria com Paulo André Barata, seu filho e grande parceiro musical. Para Ruy Barata "a chamada letra regional é sempre uma letra política" e completa:

"O opressor sempre impõe a sua linguagem.

O regional foge a essa imposição.

Todas as minhas letras são políticas (...).

Flagram uma realidade local e, necessariamente,

não servem a qualquer regime". - Ruy Barata.

“Partindo de tais premissas, e quanto à produção literária, podemos afirmar que Ruy Paranatinga Barata publicou seus 6 primeiros poemas na Revista Terra Imatura, colaborou no Suplemento Literário da Folha do Norte no Estado do Pará. Publicou em 1943, a obra ‘Anjo dos Abismos’ e, em 1951, ‘A Linha Imaginária’. Entretanto, passou a escrever aquela que viria a ser sua última criação e à qual dedicou pelo menos os dez últimos anos da vida: o poema ‘O Nativo de Câncer’”, relembrou o historiador.

O poema “O Nativo de Câncer”, intitulado apenas como “O Nativo”, no Suplemento Literário da Folha do Norte, em 1960, foi aprimorado nos últimos dez anos de vida de Barata, sendo que a publicação do texto completo só foi feita em 2000, no livro Antilogia, organizado pelo próprio autor, contendo outros 13 poemas, alguns deles inéditos.

O historiador explica ainda que no poema “O Nativo de Câncer”, é possível ler não uma simples narrativa dos acontecimentos históricos da Amazônia, mas sim uma construção na qual essa historicidade é transformada em algo intrínseco às características internas do texto. E que assim, sendo fiel à proposta de Cândido, o externo torna-se integrante do interno, numa relação dialética.

"Basta, para isso, considerar que o fato de narrar a 'saga dos heróis e dos canalhas' (Antilogia, v. 364, p.36) da história de colonização da região, não é suficiente para fazer com que esse poema seja visto como grandioso, mas sim o de transformar a história dos grandes feitos e também a cotidiana numa elaboração artística", completou Melo.

Para a artista Ádria Goes, Ruy Barata é um dos maiores poetas brasileiros. Ela destacou que ele foi e é referência para muitos dos artistas do Norte.

"Minha inserção na música regional foi por meio das letras de Ruy Barata. Suas letras vão da simplicidade da vida ribeirinha e suas peculiaridades ao rebuscado universo do amor. É muito complicado falar em poucas palavras o que Ruy Barata representa para a cultura nortista. Porque ele foi muitos em uma pessoa só.", ressaltou

Ádria Goes, durante apresentação — Foto: Ádria Goes/Arquivo Pessoal

A cantora é intérprete de Ruy desde que começou na música, há mais de 19 anos. E para comemorar o centenário do poeta e relembrar várias obras dele, Ádria fará uma live em homenagem ao Ruy Barata, que será no dia 1° de julho.

"Farei a live no dia primeiro de julho, no projeto Quartas Musicais, a convite do Sindicato dos Médicos do Pará - Sindmepa. Quando a pandemia acabar, transformaremos o repertório da live em um show comemorativo aos 100 anos de Ruy Barata. Santarém deve uma grande homenagem a este filho ilustre", finalizou Ádria Goes.

 

 

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