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C.J. Tudor lança 3º livro: '''todos nós achamos que tragédias só acontecem com as outras pessoas'''

Escritora de O Homem de Giz fala ao G1 sobre As Outras Pessoas . Autora britânica mistura sobrenatural e mistério e se diz honrada pelas comparações com Stephen King.

 

E se, preso em um engarrafamento, você visse sua filha sendo sequestrada pelo motorista à sua frente?

É assim que começa "As Outras Pessoas" (Intrínseca), da britânica C.J. Tudor, lançado neste mês no Brasil. No livro, a autora garante que "todos nós achamos que tragédias só acontecem com as outras pessoas".

A inglesa de 48 anos também assina o best-seller "O Homem de Giz" e "O Que Aconteceu Com Annie". Juntos, eles já venderam 220 mil cópias por aqui.

Em entrevista ao G1, a autora – que se chama Caroline, mas usa Caz como apelido – diz que há grande animação dos fãs brasileiros com o lançamento. "A recepção que eu tenho no Brasil é maravilhosa." Ela esteve aqui no ano passado, pela primeira vez.

C.J. explica que seu terceiro livro é mais parecido com "O Homem de Giz" e tem menos elementos sobrenaturais que "Annie":

"O que eu gosto de me certificar é de que o jeito que os mistérios se resolvam seja na realidade, como 'O Homem de Giz' foi, mas que você possa aproveitar os outros elementos assustadores também."

"Eu tento andar nessa linha – se você só gosta de mistérios e thrillers, não ficará decepcionado; mas se você gostar mais de coisas assustadoras ou de terror, pode ter isso também."

Capa de 'As Outras Pessoas', lançamento da Intrínseca de C.J. Tudor — Foto: Reprodução/Intrínseca

E há vários mistérios em "As Outras Pessoas". O principal deles é: o que aconteceu com a filha do protagonista, Gabe Forman, que deveria estar dormindo em casa mas aparece pedindo ajuda de dentro do carro à frente dele em um engarrafamento?

Mas não é só: pela primeira vez em um livro dela, a história não é narrada em primeira pessoa, mas por vários personagens com histórias que se juntam. Também inédito para ela é que o personagem principal, dessa vez, é pai.

"Assim que tive o começo, sabia que tinha que ser um pai ou uma mãe. E funcionou ser um pai, porque eu tinha outros personagens femininos, queria outro personagem para ser a mãe", explica C.J.

A autora conta que a inspiração para o início do livro – assim como para os outros – surgiu de sua própria vida. Ela, a filha e o marido costumavam viajar muito de um lado para o outro do Reino Unido para visitar família. Em uma dessas viagens, voltando para casa, ficaram presos no trânsito.

"Estávamos presos no engarrafamento atrás de um carro muito velho, com adesivos na janela de trás, e eu olhava para aquele carro e achava meio estranho – e havia algo meio assustador nele –, pensando: e se um rosto aparecesse na janela desse carro da frente? E se essa pessoa estivesse em apuros, sendo sequestrada, e eu estou presa atrás desse carro, o que eu faria? E se fosse minha própria filha? Mas e se ela devesse estar em casa, na cama, mas ela estivesse lá, ali na frente?", relata C.J.

Em "As Outras Pessoas", Gabe se angustia ao decidir se segue o carro ou para e telefona para casa, para saber se a filha realmente está lá.

"O livro é sobre isso de alguma forma, fazer esses julgamentos de ação, tomar essas decisões imediatas – é a certa ou a errada. As coisas ruins às vezes não acontecem por causa de algo significante, acontecem por causa de decisões pequenas", diz a autora.

"E isso é meio o que é a vida. E é isso que eu coloco nos meus livros – são pessoas comuns tentando fazer a coisa certa, mas às vezes essas decisões têm consequências terríveis", afirma C.J.

Comparações a Stephen King

C.J. Tudor — Foto: Mariel Kolmschot/via Intrínseca

Apontada como "a Stephen King mulher do Reino Unido", C.J. junta suspense, mistério e uma pitada de sobrenatural de um jeito parecido com o de Stephen King, que tem 52 livros publicados.

A britânica, que levou mais de dez anos até conseguir publicar seu primeiro livro, conta que, agora, ser comparada ao autor americano é uma "honra".

"Eu tomo isso como uma honra imensa e um elogio. Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer em termos de aprender o ofício e escrever livros o suficiente também", diz, rindo. "Mas é maravilhoso ser mencionada na mesma categoria que Stephen King, porque ele é meu herói, ele é fenomenal, o trabalho dele, a imaginação, a narração."

C.J. está editando seu quarto trabalho, "Burning Girls", com lançamento marcado para janeiro de 2021 no Reino Unido (ainda sem previsão no Brasil). Ela conta que já tem ideias para a quinta história e contrato para mais três livros, mas escrever fica mais difícil com o passar do tempo.

"As pessoas perguntam qual foi o meu livro favorito de escrever, e provavelmente foi O Homem de Giz, porque não havia pressão, não havia expectativas. Eu podia só escrever, não tinha ninguém dizendo 'quando você vai entregar o manuscrito?'", relata, dando risada.

Ela também diz que as comparações com Stephen King acabam sendo frequentes no gênero em que escreve, no qual inclusive há poucas mulheres conhecidas.

A autora afirma, entretanto, que não sente preconceito por ser mulher no gênero em que escreve. Segundo ela, a assinatura só com as iniciais não seria para "esconder" o fato de ser mulher. A escolha seria apenas por ser "melhor" que "Caroline" ou "Caz".

Ela ri quando conta um episódio em que um leitor de seus livros conversou com uma de suas amigas, também autora de thrillers, e disse: "C.J., claro que é um homem. Eu posso afirmar que é um homem, porque uma mulher não conseguiria escrever assim."

"Eu não acho que é a maioria, acho que é uma minoria, e por sorte não é frequente. Acho que está mudando", diz.

Questionada se pretende ter protagonistas mulheres em seus livros no futuro, ela diz que sim, mas não dá detalhes – "pode ser um spoiler de livros que virão" –, e afirma que seus personagens e tramas nunca são planejados.

"A maioria dos meus livros começa com um momento 'e se'. Eu não estou necessariamente pensando no que vou fazer em termos de personagens. A escrita é muito orgânica. É a voz que funciona para o livro em particular – mas isso muda, depende do livro e da história."

Capas

Capas de 'As Outras Pessoas', 'O que Acontecu com Annie' e 'O Homem de Giz', de C.J. Tudor — Foto: Reprodução/Intrínseca

Um ponto que chama a atenção nos livros de C.J. são as capas. No Brasil, sempre têm capa dura, e a arte impressiona.

"Eu vi a capa brasileira de 'As Outras Pessoas', que eu absolutamente amo, porque eles pegaram a capa do Reino Unido e meio que misturaram com a capa americana, então é a capa britânica com os faróis vindo por trás, o que eu acho lindo."

Há alguns dias, ela publicou em seu Twitter as duas capas de seu próximo livro – nas versões americana e britânica – e pediu a opinião dos leitores.

"Foi quase empatado: os leitores dos Estados Unidos preferem a capa dos Estados Unidos, os leitores do Reino Unido preferem a capa do Reino Unido. Então eles [os editores] sabem o que estão fazendo", diz ela, rindo.

"Até agora, eu tive muita sorte, eu nunca odiei uma capa e disse 'é horrível'. Capas são uma coisa interessante – a capa dos EUA é sempre diferente. Acho que é um mercado muito diferente, o jeito que eles fazem marketing dos livros, o jeito que os têm nas lojas. É um público diferente. Você tem que confiar no seu editor e que ele sabe o que é certo para aquele público em particular".

Séries de TV?

Por fim, C.J. diz que todos os livros, inclusive "As Outras Pessoas", já tiveram os direitos comprados e podem virar séries de TV. O roteiro de "O Homem de Giz" estava sendo feito em dezembro, mas, com a pandemia, foi suspenso.

Ela não revela o nome da produtora e afirma que não pode dar muitos detalhes.

"Não posso falar muito sobre a produtora, mas fiquei muito animada quando eles se interessaram em optar ['As Outras Pessoas']. Muitas coisas são optadas, mas nunca chegam às telas. Veremos".

 

 

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