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ONGs alertam para aumento de práticas ilegais contra imigrantes na fronteira entre Grécia e Turquia

A atual crise humanitária começou em fevereiro com a ofensiva surpresa do presidente turco, que abriu as fronteiras de seu país para deixar passar todos os imigrantes e refugiados que queriam chegar à Europa.

 

ONGs de defesa de direitos de imigrantes e refugiados se preocupam com o aumento de práticas ilegais e a presença de forças de ordem desconhecidas nas fronteiras europeias. Imigrantes que tentavam chegar à Grécia dizem ter sido enviados de volta para a Turquia por homens armados e mascarados.

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O jornal "Libération" desta terça-feira (23) traz relatos de imigrantes coletados por redes de ONGs presentes nas fronteiras europeias com a Turquia, como a Border Monitoring Violence Network, que investiga violências contra refugiados e imigrantes.

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O jornal conta a história de um imigrante de origem marroquina de 31 anos que, no começo de maio, atravessou a fronteira terrestre entre a Turquia e a Grécia. No dia de sua chegada, ele foi atropelado e hospitalizado na cidade grega de Xanti. Dias depois, foi levado a uma delegacia e, de lá, encaminhado para um lugar isolado, protegido por cercas de arame farpado e homens armados usando máscaras.

No local, estavam detidas quase cem pessoas de nacionalidade síria, iraquiana e de países do norte da África, sobretudo homens, mas também algumas mulheres e crianças. Os refugiados tiveram que embarcar em caminhões e foram conduzidos à fronteira pelo rio Evros. Sob ameaças, foram obrigados a atravessar para o lado turco de barco.

Push back (retornos forçados)

Estes retornos forçados, chamados de "push back", apesar de ilegais, são cada vez mais promovidos nas fronteiras europeias. Segundo o jornal, essa prática desmascara a realidade de uma nova guerra que acontece de maneira secreta, onde todos os golpes contra o direito de asilo da Comissão Europeia de Direitos Humanos são permitidos.

Embora a prática seja antiga, o push back toma dimensões maiores, segundo representantes das redes de Ongs entrevistados por Libération. Essas organizações se preocupam com a presença de pessoal usando máscaras e armados que, segundo testemunhas, não são gregos. As organizações desconfiam da participação da polícia de fronteiras europeia, a Frontex, criada em 2004, que vem aumentando sua presença nos limites da Grécia.

Crise entre Turquia e Europa

A atual crise humanitária começou em fevereiro com a ofensiva surpresa do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que abriu as fronteiras de seu país para deixar passar todos os imigrantes e refugiados que queriam chegar à Europa, utilizando, de acordo com "Liberation", “cinicamente seres humanos como armas” para fazer pressão sobre a União Europeia. Nas fronteiras orientais do bloco, o ambiente é tenso porque a Grécia foi designada como escudo da Europa.

Para evitar a chegada de novos refugiados e imigrantes às costas gregas, uma verdadeira “batalha naval” é travada e embarcações com imigrantes chegam a passar dias sendo empurradas de um lado para o outro da fronteira. O drama agrava ainda mais a situação sanitária dos candidatos a asilo, já bastante crítica devido à pandemia do novo coronavírus.

 

 

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