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Brasil lidera participação de biometano na rede e avança nos gasodutos virtuais e usinas de biogás.

 
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Para falar sobre “Biometano na Rede”, tema do terceiro dia do Webinar Técnico realizado pela Associação Brasileira do Biogás – ABiogás, nesta quarta-feira (15/05), estiveram presentes representantes dos três principais projetos de biometano e gasodutos estruturantes hoje no Brasil.

Participaram da mesa, o diretor-presidente da Cegás, Hugo Figueiredo, primeira companhia estadual de gás natural do País a comprar biometano com uma grande participação em sua matriz; André Gustavo, diretor de novos negócios da Cocal, grupo do setor sucroenergético que implementa uma usina de biogás e rede local de gasoduto no interior paulista com previsão de conclusão em 2021; e Hernan Zwaal, diretor de negócios internacionais e desenvolvimento do Grupo Igás, que desenvolve soluções para o uso de gás natural no Brasil.

Mediando o debate, o presidente da associação, Alessandro Gardemann, abriu o seminário ressaltando as oportunidades para o biogás no Brasil. “Tem muita coisa acontecendo, mas o Brasil é um país continental que não tem gasoduto, nossa malha de condução é pequena. E o biogás, além de estar presente no interior, também está nas grandes cidades, automaticamente pelo saneamento e pelo RSU (resíduos sólidos urbanos). O biogás é extremamente complementar. Praticamente 100% da população brasileira poderia ter acesso ao biogás”, afirmou.

Gardemann destacou ainda, as características do biogás, que o tornam bastante competitivo em relação ao gás natural. “Entre as vantagens, podemos citar a descentralização, escala de produção, o fato de não necessitar de gasoduto de transporte, toda a questão de sustentabilidade e a previsibilidade de preço. A correção por IPCA é um grande diferencial”, pontuou.

Hugo Figueiredo, presidente da Cegás, apresentou o projeto revolucionário do Ceará, que conta com o maior percentual de biometano em uma rede de distribuição do gás do mundo. “Nas energias renováveis, o Ceará sempre esteve à frente. Foi assim na eólica, na solar e, agora, com o biogás. Nosso objetivo, ao compartilhar esta experiência, é mostrar para todo o País como o biogás é viável”, afirmou.

O cenário de coronavírus antecipou a previsão de queda do gás convencional, fazendo com que a concessionária tenha ultrapassado o percentual de 40% de participação do biometano na média diária do mês de março. “Com o coronavírus, este cenário de queda do gás convencional foi antecipado, porque houve uma queda na demanda. O ponto positivo, portanto, é que tivemos um aumento na participação do volume de biogás vendido, que chegou à máxima de 43% na média diária do mês de março, gerando mais benefícios ambientais em decorrência da redução relativa do volume de gás convencional”, explicou.

Com o projeto Cidades Sustentáveis, em parceria com a Gás Brasiliano, que inclui uma rede local de biometano ligando as cidades de Presidente Prudente, Narandiba, Pirapozinho, e uma usina de biogás, em Narandiba (SP), a Cocal, grupo que atua no setor sucroenergético, acredita que, no próximo ano, já estará gerando energia e biometano para a safra de 2021. “Além disso, já contamos com equipamentos rodando a biometano, que é uma forma de incentivar toda a cadeia”, pontuou o diretor de novos negócios da Cocal, André Gustavo.

O Projeto Cidades Sustentáveis, em parceria com Gás Brasiliano, desenvolve uma rede local de 68 quilômetros ligando as cidades de Presidente Prudente, Narandiba e Pirapozinho, para um potencial de 118 mil m3/dia na região, com investimento de R$ 30 milhões da Gás Brasiliano, e R$ 130 milhões da Cocal. A obra já está em fase de terraplanagem, e a previsão é que a partir de outubro inicie a estocagem da torta de filtro. A obra deverá estar pronta em fevereiro de 2021, para que, na próxima safra, a partir de março, comece a gerar energia e produzir biometano.

Hernan Zwaal, diretor do Grupo Igás, falou sobre os projetos estruturante, os chamados gasodutos virtuais, atividade regulamentada pela ANP, e que consiste, basicamente, em transportar o gás, pelo modal rodoviário, a regiões onde não há gasodutos. “É um trabalho que nasce de uma parceria entre produtores de biometano, distribuidoras de gás e comercializadores de GNC e GNL, que disponibilizam o gás nas regiões onde não há oferta. Como sempre discutimos, tem um gargalo no Brasil. O gasoduto predomina no litoral, mas o interior, que tem um grande potencial de consumo, não consegue ter acesso a este energético. Portanto, trata-se de uma ferramenta que permite democratizar o uso do gás”, explicou Hernan.

O modelo, como explicou o diretor da Igás, funciona a partir de um produtor da molécula de biometano/ gás natural, que contrata um distribuidor que fará a compressão ou liquefação do gás, o transporte, e, por fim, a descompressão ou a regaseificação no ponto de consumo ou estação satélite. A concessionária assume a parte secundária de distribuição. “Todo o custo não é assumido pelas localidades, este custo é diluído por toda a malha, assim a região não tem um impacto econômico tão grande”, pontuou.

 

 


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