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Silos viram casas modernas e hotéis de luxo com diárias de até R$5 mil.

 
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Grande depósito de metal usado para armazenar grãos. Este é o principal significado palavra silo no dicionário. Mas a criatividade tem mudado esse conceito. Nos Estados Unidos, as estruturas têm se transformado até mesmo em casas luxuosas e atrações turísticas.

O Instituto Americano de Arquitetos não sabe ao certo quantas residências nesse estilo já existem no país, mas aponta uma característica em comum: a localização, em sua maioria nos Estados com forte vocação rural.

Um dos exemplos é uma charmosa casa em Phoenix, no Arizona e foi construída pelo arquiteto Christof Kaiser. Ele comprou o silo pela internet com a intenção de guardar ferramentas. Mas percebeu que a estrutura podia ser o modelo para um novo projeto: a Silo Home, inaugurada em 2016.

Diferentemente da Monte Silo, casa de campo de 147 metros quadrados feita a partir de dois grandes silos de metal em Utah (EUA) dez anos antes, a Silo Home tem apenas 34 metros quadrados. É como um loft: no primeiro andar, tem cozinha e um pequeno banheiro, enquanto o quarto fica no andar superior.

O projeto levou 18 meses para sair do papel e exigiu a produção de mobília, portas e janelas especialmente desenhadas. Também foi necessário investir em revestimento e conforto térmico. Kaiser ainda teve que aprimorar o projeto já morando dentro da Silo Home, após a primeira tempestade, já que entrava água pelas portas.

Aluguel para turistas

Mas não precisa ser arquiteto para viver em um silo. Já há, inclusive, opções disponíveis para aluguel por meio do site Airbnb. É o caso de uma casa-silo para temporada na cidade de Byron, no Estado da Georgia.

Praticamente do mesmo tamanho da Silo Home, ela tem capacidade para receber dois hóspedes. Uma única noite no local sai por cerca de R$ 400. A propriedade é de Melisssa Taylor, que comprou um silo e levou seis meses para transformá-lo em residência.

Por dois anos, a casa metálica foi usada pela própria família até que surgiu a ideia de anunciá-la na plataforma de aluguéis. Batizada de The Silo Experience, a casa também oferece a experiência de ficar em uma mini-fazenda e ter contato com animais e a natureza.

De museus a hotel luxuoso

Mas, apesar dos custos, o reaproveitamento de silos para espaços culturais ou turísticos já é realidade na África do Sul. Em 2018, na Cidade do Cabo, foi inaugurado o Zeitz Museu de Arte Contemporânea da África do Sul e o The Silo, um hotel luxoso em um prédio antigo repleto de silos. Uma noite na suíte desse hotel custa 1,2 mil euros (R$ 5,6 mil).

O arquiteto espanhol Ricardo Bofill também construiu seu escritório em um antigo silo abandonado após a Primeira Guerra Mundial, em Barcelona, na Espanha. O prédio foi descoberto pelo arquiteto na década de 1970, com 30 silos e diversas galerias subterrâneas.

Após dois anos de reformas, o local, chamado de La Fabrica, transformou-se por completo, em uma arquitetura com toques surrealistas e vegetação exuberante. Outro exemplo vem da Argentina. Em 2004, um antigo prédio com silos de concreto foi transformado no Museu de Arte Contemporânea de Rosário, em um projeto do arquiteto Ermete de Lorenzi.

E no Brasil?

Marco Artigas, conselheiro do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-SP), acha pouco provável a moda pegar no Brasil. Ele avalia que projetos como esses não são considerados atrativos no país por dois motivos.

O primeiro é que a febre no país ocorreu na transformação de contêineres em casas ou cômodos, um tipo de estrutura que sofre dos mesmos problemas que a casa feita com estrutura de silo: necessidade de altos investimentos em conforto térmico. O segundo é porque as dimensões da agricultura brasileira exigem silos imensos. "Pode ter outro tipo de aproveitamento aqui, pois nossos silos são de escala institucional e não residencial", explica.

Para o arquiteto Mauricio Ceolin, do IAB-RS, os grandes silos brasileiros poderiam virar bibliotecas ou museus. "É um caminho bem interessante”, afirma. Ele avalia ainda que, além das altas temperaturas de um país tropical como o Brasil, outra barreira para projetos assim no país é o preconceito. "Esse reaproveitamento dos silos é mais comum nos EUA por causa dessa cultura de construções a seco, algo que no Brasil é muito pouco usado."

Silo-biblioteca não vingou no RS

Um prédio com um conjunto de 33 silos na zona portuária de Porto Alegre é um dos principais ativos das 12 unidades que a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) mantém no Rio Grande do Sul. A empresa estatal, que desde abril de 2018 está em processo de extinção em decorrência de dívidas de mais de R$ 100 milhões, já se desfez das estruturas de estocagem de Júlio de Castilhos, Cruz Alta, Bagé e Palmeiras das Missões.

E a expectativa de João Fischer, presidente da Cesa, é que, até o fim do primeiro semestre deste ano, a companhia venda ou alugue todas as unidades, inclusive a da zona portuária da capital gaúcha, hoje ocupada com 10 mil toneladas de trigo.

Mas, para uma arquiteta da cidade, essa unidade não deveria ser vendida. Camila Thiesen defende que a prefeitura ou o Estado transformem o prédio em uma grande biblioteca pública. Ela, inclusive, transformou essa ideia no seu projeto de conclusão de curso, em 2011, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

Seus desenhos e cálculos venceram até o prêmio internacional ArchiPrix, em 2012, levando-a para dentro de gabinetes da prefeitura da cidade à época para apresentar o plano. As conversas, no entanto, não evoluíram. 

 

 

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