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Comércio Exterior: Exportação sobe US$ 6,5 bi após revisão de erro.

 
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Um erro de programação no sistema do Serpro, responsável pelo Portal Único de Comércio Exterior, provocou uma subnotificação equivalente a US$ 6,488 bilhões dos registros das exportações brasileiras, afetando os dados da balança comercial de setembro a 24 de novembro.

Valor - Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, de setembro até 24 de novembro, as exportações somaram US$ 53,321 bilhões, e não US$ 46,834 bilhões, como informado anteriormente. A mudança também vai impactar diretamente os números das contas externas. Os dados corrigidos já foram transmitidos ao Banco Central (BC), que deverá fazer uma revisão do valor do déficit em transações correntes.

Transparência - “Temos compromisso com transparência e celeridade nas divulgações dos dados. Quais foram as consequências da subnotificação não posso afirmar, tem muita especulação em volta disso", afirmou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão. Ele disse que estão sendo avaliadas as cláusulas contratuais para saber se cabe alguma penalidade ao Serpro.

Transferência de dados - O coordenador-geral de estatística da Secex, Saulo Guerra, ressaltou que o erro nos registros das exportações ocorreu na transferência de dados pelos sistemas de comércio exterior, o que é de responsabilidade do Serpro. Segundo ele, as empresas estavam fazendo os registros das operações normalmente, porém os dados não estavam sendo integralmente transferidos.

Avaliação - Guerra acrescentou que em novembro a secretaria notou que não havia motivos que justificassem a queda nos registros de exportação. Assim, o Serpro foi acionado para avaliar os dados.

Identificação - A estatal identificou que, desde setembro, estava ocorrendo um erro de transmissão dos registros para Secex. Isso aconteceu devido ao elevado número de operações registradas pelo Portal Único de Comércio Exterior, que começou a funcionar neste ano em substituição ao Siscomex. “Um erro de programação do serviço que faz a coleta de dados das exportações para a balança comercial”, explicou o diretor de desenvolvimento do Serpro, Ricardo Jucá.

Portal - Guerra explicou que o Portal Único foi lançado em meados de 2018 e coexistiu com o Siscomex até o fim do ano passado. No início deste ano, o Siscomex foi desligado. “Só surgiu [o erro] quando chegou no volume de dados que foi em setembro”, destacou. Por mês, são registradas no sistema 150 mil operações.

Superávit - Considerando os ajustes feitos, em novembro, o país registrou um superávit comercial de US$ 3,428 bilhões, resultado de exportações de US$ 17,596 bilhões e importações de US$ 14,169 bilhões. Foi o resultado mais baixo para o mês desde 2015, quando havia ficado em US$ 1,117 bilhão. No acumulado do ano, o superávit soma US$ 41,079 bilhões.

Acima da estimativa - Diante desse número, o subsecretário disse que o saldo comercial no ano pode superar a estimativa, realizada em setembro e divulgada em outubro, de um superávit comercial de cerca de US$ 42 bilhões. Isso pode acontecer porque, normalmente, as exportações são altas no fim de ano. Ou seja, o resultado não estaria ligado às subnotificações das exportações.

Importações - Brandão afirmou que, embora as importações tenham registrado queda em novembro, há uma melhora nos resultados observados no segundo semestre em relação ao primeiro. “Tem sido um segundo semestre mais forte. A economia brasileira tem demandado mais bens importados, esse é mais um sinal da melhora da economia.”

Queda - No mês passado, tanto as importações quanto as exportações caíram 16%, pela média diária, em relação ao mesmo mês do ano anterior. As importações de bens de capital caíram 54,2% em relação ao mesmo mês de 2018 e as de bens intermediários recuaram 9,7%. As compras de bens de consumo subiram 0,3%, e as de combustíveis e lubrificantes, 16,4%. Em novembro, as exportações de produtos básicos caíram 9,5%; de semimanufaturados, 9,2%; e de manufaturados, 25,6%.

Alívio - Em nota, o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, diz que, apesar do saldo inferior ao registrado em novembro de 2018, “prevalece um alívio com os números do comércio exterior nos últimos dias, a partir de revisões expressivas promovidas no valor das exportações”. Segundo ele, o ajuste de US$ 6,5 bilhões em exportações não contabilizadas entre setembro e novembro “indica uma queda do saldo comercial bem mais branda que a sugerida até então”.

Deterioração - Com isso, “a deterioração das contas externas brasileiras, que havia se intensificado nos últimos meses e que começava a causar desconforto no mercado cambial, tem ocorrido de forma mais suave do que os dados anteriores indicavam”, afirma Campos Neto.

Projeção - Com as mudanças, o superávit comercial em 2019 deverá atingir US$ 44,5 bilhões, ainda assim abaixo do registrado em 2018, segundo ele. Antes da revisão dos números, havia quem projetasse saldos na casa de US$ 35 bilhões a US$ 40 bilhões para este ano.

 

 

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