Energias Renováveis

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Amido de mandioca se transforma em copinhos e plásticos biodegradáveis.

 
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Com tecnologia 100% brasileira, a CBPack, empresa do Rio de Janeiro, criou um processo que aproveita a fécula de mandioca para a produção de descartáveis. Os copos e as bandejas de isopor são os principais produtos fabricados e são totalmente biodegradáveis e compostáveis.

A unidade de produção foi criada em 2012 e tem hoje capacidade para produzir mais 500 mil unidades por mês, segundo o fundador e CEO da empresa, Claudio Rocha Bastos. Em até 90 dias as embalagens se transformam em terra vegetal. Além disso, colaboram com a redução das emissões de gás carbônico e com a gestão de resíduos sólidos, além de necessitarem menor consumo de água na produção.

Outra vantagem do produto, de acordo com Bastos, é que as embalagens têm propriedades físicas parecidas com as do isopor, suportando temperaturas entre menos 10 graus a ate 75 garus, e podem ser usadas para acomodar líquidos e sólidos.

“O mercado nessa área tem crescido bastante, principalmente na área de eventos e com as  indústrias preocupadas com carbono zero. O que falta é regulamentação para os biodegradáveis do Brasil”, afirma Bastos.

Outras experiências

A pesquisadora boliviana e engenheira química e de alimentos, Carla Ivonne La Fuente Arias, também trabalha no desenvolvimento de películas plásticas feitas a partir da mandioca. O aspecto inovador do seu projeto consiste na modificação do amido de mandioca a partir da ozonização para a produção de filmes.

“Trata-se de uma tecnologia verde, amigável com o ambiente. Esse é o foco, modificá-lo com o ozônio de maneira a melhorar suas propriedades na forma nativa. Produzimos assim esse plástico biodegradável e, mesmo ainda na etapa inicial, já obtivemos produto de boa qualidade. A próxima etapa é a produção em escala semi-industrial”, explica Carla.

O projeto é fruto da união de dois laboratórios, o Grupo de Estudos em Engenharia de Processos (Ge²P), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e o Laboratório de Engenharia de Alimentos (LEA) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Ambos estabeleceram uma parceria e o resultado é a produção de um novo plástico biodegradável, que apresenta propriedades melhores que o tradicional e possibilitarão outras aplicações e melhores resultados.

Alternativas renováveis

“A busca por alternativas renováveis para a produção de plásticos biodegradáveis é crescente, sendo foco do estudo de diversos grupos de universidades no mundo inteiro. Uma das possíveis matérias primas para a produção desses plásticos é o amido, ingrediente natural obtido de vegetais como milho, mandioca, batata, arroz, entre outros”, explica o coordenador do Ge²P, professor Pedro Esteves Duarte Augusto.

Assim, para a concretização do projeto, são realizadas na Esalq as etapas de ozonização, secagem e caracterização das amostras de amido. Na sequência, Carla leva o material até a Escola Politécnica para preparar e caracterizar o plástico biodegradável.

Benefícios

Entre os benefícios do novo produto estão maior resistência, transparência e permeabilidade. “O processamento dos amidos com ozônio permitiu a obtenção de filmes plásticos mais resistentes e homogêneos, com diferente interação com a água e, em alguns casos, melhor transparência. Essas são características de grande interesse industrial, demonstrando como a tecnologia de ozônio pode ser útil para a fabricação de plásticos biodegradáveis com propriedades melhores do que utilizando apenas o amido nativo”, detalha Carla.

A engenheira lembra que o produto deverá ser utilizado no mercado de várias formas. “As aplicações são inúmeras, já que embalagens mais resistentes e transparentes são desejáveis em grande parte das aplicações”.

Um pedido de patente já foi depositado, visando a transferência de tecnologia para a indústria e os resultados obtidos a partir desse estudo foram apresentados no artigo científico “Ozonation of cassava starch to produce biodegradable films”, publicado na revista International Journal of Biological Macromolecules. O trabalho teve ainda a participação das pesquisadoras Andressa T. de Souza, Bianca C. Maniglia e Nanci Castanha.

 

 

 

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