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Governo, ciência e setor produtivo discutem desafios para a produção de biodiesel no Brasil

 
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A paradisíaca ilha de Florianópolis, SC, será palco do VII Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia e Inovação de Biodiesel, no período de 4 a 7 de novembro próximo. O evento, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é uma oportunidade ímpar para quem pensa em empreender aliando geração de renda à sustentabilidade. Estudantes, cientistas, produtores, empresários e representantes de startups, entre outros segmentos, terão quatro dias para trocar ideias, experiências e conhecimentos em um ambiente totalmente voltado à inovação.

Segundo o pesquisador da Embrapa Agroenergia (Brasília, DF) e um dos organizadores do Congresso, Bruno Laviola, o evento está sendo organizado de forma bem diferente à da maior parte dos congressos científicos convencionais. “Queremos sair do modelo tradicional da discussão de temas amplos e focar nos problemas e soluções em prol do desenvolvimento competitivo do setor de biodiesel no Brasil”, pontua. Por isso, além de trabalhos científicos, apresentação de pôsteres e palestras com especialistas nacionais e internacionais, esta edição contará com rodada de inovação tecnológica, exposições e presença de startups da área de biodiesel.

O principal objetivo da Embrapa e do MCTIC é reunir os três principais elos da cadeia relacionada à produção de biodiesel no País – governo, ciência e setor produtivo – para apresentar soluções reais aos principais problemas enfrentados pelo setor, incluindo políticas públicas e necessidades regulatórias, entre outros. A programação é ampla e abrange desde a necessidade de diversificar as matérias-primas para produção desse biocombustível até inovações para ampliar a eficiência industrial com sustentabilidade.

Rafael Menezes, coordenador de Inovação em Tecnologias Setoriais na Secretaria de Empreendedorismo e Inovação do MCTIC, ressalta que a comissão organizadora pensou em uma estratégia que visa favorecer e estimular a inovação e o empreendedorismo na cadeia de valor do biodiesel, permitindo a interlocução entre governo, academia e setor produtivo. Menezes, que também coordena as ações da Rede do Biodiesel, complementa que o Congresso é uma ferramenta eficaz de divulgação científica e tecnológica da temática e de avaliação por parte do Ministério e de suas agências de fomento (CNPq e Finep) do que foi investido em pesquisa, desenvolvimento e inovação em toda a cadeia produtiva do biodiesel.

Para o presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, o Congresso terá um papel muito importante na divulgação do biodiesel, para a sociedade brasileira. “Infelizmente, hoje grande parte da população não conhece os benefícios desse biocombustível para diversos setores, abrangendo aspectos econômicos, sociais e ambientais. Além de aumentar a compreensão acerca desse tema, o evento vai contribuir para aumentar a rede de multiplicadores e parceiros, incluindo representantes da academia, parlamentares, governo e empresários, entre outros”, pontua Donizete.

Daniel Amaral, economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), acredita que o Congresso vai resultar em medidas e ações concretas em prol do fortalecimento das indústrias de biodiesel no Brasil, especialmente pela qualidade técnica dos palestrantes e a integração dos diversos setores.

Julio Mineli, superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), apoia de forma efetiva e especial esta sétima edição do Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia e Inovação de Biodiesel. O evento é a oportunidade dos diversos grupos de pesquisa que estudam os biocombustíveis em suas diversas dimensões se reunirem e trocarem experiências. A Associação tem em sua origem a representação dos produtores de biodiesel, ampliada agora para produtores de outros biocombustíveis, especialmente diesel renovável (HVO) e querosene renovável (SPK).

Segundo Mineli, o mercado vive um momento de grandes expectativas. O Brasil já é o primeiro país de dimensão continental a adotar mistura de biodiesel acima de 10%, com legislação definindo o escalonamento até os 15% e a expectativa do setor de alcançar os 20%, pelo menos. Novos limites de emissões para os veículos do ciclo diesel passarão a valer e exigirão mudanças, especialmente nos sistemas de pós-tratamento. “Ainda vivemos o desafio de desenvolver novas matérias primas, com a escala necessária, para ampliar a diversificação do setor. A produção do biodiesel pelo processo de transesterificação é algo estabelecido, mas novas tecnologias para a produção de novos biocombustíveis tornam-se uma realidade cada vez mais próxima”, pontua.

Rodada de inovação vai aproximar pesquisa e setor produtivo

Um dos pontos altos da programação será a realização de uma rodada de inovação no dia 5 de novembro, promovida pela Embrapa Agroenergia em parceria com o Sebrae. O evento tem como objetivo incentivar a inovação aberta, aproximando a pesquisa das empresas interessadas em formar parcerias.

Laviola explica que essa interação pode se dar na forma da cocriação (quando cientistas e empresários trabalham juntos desde a concepção da ideia) e do codesenvolvimento (na qual se estabelece parceria para o desenvolvimento de uma tecnologia até atingir o mercado).

A rodada de inovação será um espaço de integração, na qual cientistas, estudantes e representantes de startups terão a chance de apresentar seus catálogos de soluções tecnológicas a empresários e representantes do setor produtivo em busca de apoio para colocá-las no mercado.

Aplicativo do evento pode ajudar a formação de parcerias no setor

Outra novidade do Congresso é a criação de um aplicativo, que pode ser baixado gratuitamente para qualquer plataforma digital. Além de conter todas as informações relacionadas ao evento, a ferramenta pode aproximar os participantes e, quem sabe, até contribuir para a formação de novas parcerias. No App CBiodiesel, disponível no Google Play e Apple Store, os participantes agendar os temas de sua preferência, entrar em contato com outros partipantes e ter acesso a conteúdos de trabalhos científicos.

Bioeconomia: ciência em expansão no Brasil

A bioeconomia - modelo de produção industrial baseado no uso de recursos biológicos – é uma área em franca expansão no Brasil e no mundo. Para se ter uma ideia, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), este setor movimenta no mercado mundial cerca de 2 trilhões de Euros e gera cerca de 22 milhões de empregos.

O Brasil tem forte potencial para ser protagonista nesse campo, especialmente pela exploração sustentável e racional da sua megabiodiversidade – maior do Planeta, com mais de 100 mil espécies animais e cerca de 45 mil vegetais conhecidas. Esse enorme manancial de recursos naturais pode contribuir de forma efetiva para alavancar a bioeconomia nacional.

 

 

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