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Bioinseticida tem controle superior da lagarta-do-cartucho

 
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Em sua primeira safra comercial, o bioinseticida Cartugen apresentou resultados 72% superiores no controle da lagarta Spodoptera frugiperda no algodão em relação ao tratamento químico. É o que comprovaram pesquisadores referenciados no Brasil, de acordo com relatórios de eficácia do produto aplicado em 34 áreas da pluma – uma área equivalente a 250 mil hectares – comparado ao tratamento padrão.

A entomologista Dr. Lucia Vivan, há 16 anos na Fundação Mato Grosso (FMT), integrou a equipe de consultores que avaliou os efeitos de baculovírus sobre Spodopteras no algodoeiro, coordenando os estudos na região de Alto Garças (MT). De acordo ela, o Cartugen “se encaixa adequadamente ao manejo de S. frugiperda”.

“Na área com emprego de baculovírus houve melhor controle de S. frugiperda do que naquela tratada somente com químicos, além de proteção da estrutura das maçãs do algodão. Baculovírus são uma opção. O produtor deve aplicá-los com nova mentalidade, enxergando uma boa alternativa de longo prazo para ter melhor resultado de controle”, afirma Lucia.

O professor/Doutor da Unesp de Ilha Solteira (SP), Geraldo Papa, relata que as pesquisas que acompanhou no Mato Grosso (região da paulista Votuporanga) mostraram que o controle biológico com baculovírus funcionou como “segurador de populações de pragas”: “A entrada dos baculovírus ajudou muito na proteção das maças do algodão. Quando se associa baculovírus ao inseticida químico, há bom controle da Spodoptera frugiperda”.

 

Marco Tamai, professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia, campus de Barreiras, salienta igualmente o bom resultado da inserção de vírus ao manejo químico da Spodoptera frugiperda. “A safra 2018-2019 teve uma das maiores infestações de Spodopteras que vi. Houve áreas quase cem por cento infestadas. O vírus potencializou o resultado dos químicos e isso não foi coincidência, porque já acontece há três safras consecutivas”, resume Tamai.

Segundo Adriano Vilas Boas, diretor da fabricante do Cartugen (AgBiTech), os estudos da safra 2018-19 compreenderam a média de 4,5 aplicações do bioinseticida, em áreas comerciais da Bahia, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Já o tratamento padrão do produtor de algodão contra a Spodoptera frugiperda se baseia somente nos inseticidas químicos.

“A inserção dos baculovírus ao manejo da Spodoptera frugiperda preservou o potencial produtivo de lavouras de algodão. Os campos auditados registraram média de 13 estruturas reprodutivas a mais por metro linear ante o manejo do produtor, um ganho equivalente a 25 arrobas (375 kg) de algodão em caroço por hectare”, afirma Vilas Boas.

 

Ele destaca ainda que os indicadores de desempenho do bioinseticida Cartugen medidos na safra 2018-19 receberam a aprovação da consultoria global SGS. A lagarta-do-cartucho provoca danos a até 60% de uma lavoura de algodão, transferindo prejuízos anuais da ordem de US$ 500 milhões a produtores brasileiros da pluma.

Vilas-Boas afirma que em 71% das áreas monitoradas o produto Cartugen trouxe resultados superiores aos do tratamento padrão na retenção de maçãs e plumas, na 1ª e na 2ª posição dos ramos. “Em relação às estruturas reprodutivas totais, o produto entregou resultados superiores em 74% dos casos.”

O diretor da AgBiTech estima que na safra de verão 2019-20 a empresa chegará à marca de 2 milhões de hectares tratados com seus baculovírus, em soja, algodão, feijão, tomate e demais ‘culturas de cobertura’: “O planejamento prevê lançamentos de produtos e a ampliação da capacidade da fábrica no Texas (EUA), para suprir à demanda crescente do Brasil.”

 

De acordo com os especialistas, a adoção dos baculovírus no controle de lagartas do gênero Spodoptera no algodão, sobretudo da lagarta-do-cartucho, deve ser intensificada nas próximas safras. A tendência de crescimento do mercado de defensivos biológicos no Brasil foi detectada no último estudo BIP – Business Inteligence Panel, da consultoria Spark Inteligência Estratégica. O levantamento apontou que somente na sojicultura esses produtos movimentaram US$ 100 milhões na safra 2018-19, com alta de 45%. A área tratada com biológicos na soja também cresceu para 7,8 milhões de hectares, uma elevação de 152%.

 

 

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