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Os agricultores que preservam

 

Atenção para este número: R$ 3,1 trilhões. Isso mesmo, trilhões. Uma cifra equivalente a quase metade do PIB brasileiro em 2017, calculado pelo IBGE em R$ 6,6 trilhões. Esse dado astronômico é a conta mais precisa do empenho de produtores rurais brasileiros na preservação ambiental. Anunciado pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, durante a mais recente edição do Global Agribusiness Forum (GAF-18), ele representa o valor patrimonial dos 218 milhões de hectares (o equivalente a 25% de todo o território nacional) reservados à manutenção da vegetação nativa, em suas propriedades, por agricultores e pecuaristas. Está bem longe de ser uma mera estimativa. Maggi tornou público um detalhado estudo feito pela Embrapa Territorial, com base em dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), confirmados com o uso de imagens de satélites, que apontam que o mundo rural brasileiro utiliza em média 50% da superfície de seus imóveis para a produção. A outra metade é destinada à proteção ambiental. “Ninguém no Brasil preserva mais o meio ambiente e dedica mais tempo e recursos a isso do que os produtores rurais”, afirmou Maggi.

 

De fato, a conta feita pela Embrapa – que não inclui os gastos com vigilância e manutenção dessas áreas – permite escrever uma nova narrativa para o papel do agronegócio brasileiro nos debates ambientais. Frequentemente acusados, dentro e fora do Brasil, de serem vilões nesse terreno, agricultores e pecuaristas têm agora mais do que palavras para contra-argumentar. A metodologia da Embrapa Territorial é incontestável.

 

Não significa que inexistam, em uma categoria que engloba milhões de pessoas no País todo, práticas condenáveis ou mesmo que todos os produtores são ecologistas convictos. A questão, para muitos deles, é mais econômica e legal do que ideológica. Os produtores investem pesado em suas fazendas. Não podem se dar ao luxo, por exemplo, de permitir que um incêndio prejudique a produtividade e o seu resultado financeiro.

 

Ao cumprir a legislação ambiental brasileira, uma das mais rigorosas do mundo, criam áreas de preservação que servem como abrigo para os animais. Se não o fazem, podem sofrer com o alto gasto com multas e embargos, pagamentos de advogados, técnicos florestais, etc. Por isso, ou por consciência, protegem suas florestas e a biodiversidade hoje é preservada nas fazendas.

 

Além das palavras e dos dados, há as imagens. No Mato Grosso, entidades como a Liga do Araguaia têm estimulado produtores a instalarem câmeras ativadas por sensores de movimento em suas propriedades. E elas têm comprovado o que eles costumavam dizer e sentir, inclusive quando bezerros de seus rebanhos eram abatidos por onças que vivem nas matas que ajudam a manter de pé. Pois elas surgiram, assim como jaguatiricas, queixadas, lobos-guarás… Hoje disponíveis nas redes sociais, esses vídeos ajudam a contar uma nova história, a do agroambientalismo.

 

 

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