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Entenda a onda de violência xenófoba na África do Sul que deixou mortos e gerou boicotes

Grupos invadiram lojas e casas de imigrantes em protestos que deixaram ao menos 10 mortos. Artistas, seleções de futebol e uma companhia aérea anunciaram boicote ao país.

 
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Uma onda de violência contra estrangeiros levou artistas, atletas e até uma companhia aérea a organizarem boicotes à África do Sul. Ao menos 10 pessoas morreram nos ataques desta semana, informou o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa nesta quinta-feira (5).

Desde domingo, grupos com bastões e pedras incendiaram ou saquearam lojas e estabelecimentos de estrangeiros em cidades como Johanesburgo, a maior do país. Os criminosos também invadiram casas de imigrantes – centenas deles precisaram buscar abrigo em igrejas e delegacias. Ao menos 189 pessoas foram presas.

Dez pessoas morrem em onda de violência contra estrangeiros na África do Sul

Dez pessoas morrem em onda de violência contra estrangeiros na África do Sul

O alvo da violência, geralmente, são cidadãos de origem em outros países africanos, como Nigéria, Zimbábue, Moçambique e Somália.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre a onda de violência na África do Sul

Por que os ataques começaram?

Manifestantes protestam contra imigrantes na periferia de Johanesburgo, África do Sul, em 2 de setembro — Foto: AP Photo Manifestantes protestam contra imigrantes na periferia de Johanesburgo, África do Sul, em 2 de setembro — Foto: AP Photo

Manifestantes protestam contra imigrantes na periferia de Johanesburgo, África do Sul, em 2 de setembro — Foto: AP Photo

Caminhoneiros sul-africanos iniciaram protesto no domingo (1º) contra contratação de motoristas estrangeiros. A situação saiu de controle ao longo da semana, quando outros setores da África do Sul aderiram às manifestações. Quais as razões da insatisfação?

  • A taxa de desemprego na África do Sul se aproxima dos 30%, a maior na série histórica iniciada há 11 anos de acordo com a BBC.
  • Manifestantes culpam os estrangeiros por supostamente ocuparem os postos de trabalho que deveriam se destinar a sul-africanos.
  • Espalhou-se, ainda, uma acusação de que imigrantes estariam por trás de gangues de tráficos de drogas na África do Sul.

Não é a primeira vez que uma onda xenófoba passa pela África do Sul. Em 2008, mais de 60 pessoas morreram em outra série de ataques contra imigrantes – a maior já registrada em um país que viveu décadas sob o regime do apartheid.

Como as autoridades sul-africanas reagiram?

Policial joga bomba de efeito moral para conter manifestantes em Johanesburgo durante onda de violência xenófoba na África do Sul — Foto: Themba Hadebe/AP Photo Policial joga bomba de efeito moral para conter manifestantes em Johanesburgo durante onda de violência xenófoba na África do Sul — Foto: Themba Hadebe/AP Photo

Policial joga bomba de efeito moral para conter manifestantes em Johanesburgo durante onda de violência xenófoba na África do Sul — Foto: Themba Hadebe/AP Photo

O presidente Ramaphosa, em pronunciamento transmitido na televisão, condenou os ataques. "Famílias inteiras ficaram traumatizadas. Vidas foram destruídas", afirmou. As nacionalidades dos mortos não foram confirmadas.

"Não há desculpas para a xenofobia (...). Nada justifica os saques nem as destruições", disse Ramaphosa.

Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, durante sessão do Fórum Econômico Mundial da África na Cidade do Cabo em 5 de setembro — Foto: Sumaya Hisham/Reuters Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, durante sessão do Fórum Econômico Mundial da África na Cidade do Cabo em 5 de setembro — Foto: Sumaya Hisham/Reuters

Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, durante sessão do Fórum Econômico Mundial da África na Cidade do Cabo em 5 de setembro — Foto: Sumaya Hisham/Reuters

Em outro tom, o ministro da Segurança, Bheki Cele, disse que a culpa dos ataques é da alta criminalidade do país e evitou ligar os tumultos à onda xenófoba na África do Sul.

"A xenofobia serve como desculpa", afirmou, segundo a agência France Presse.

O líder da Aliança Democrática, o principal partido da oposição na África do Sul, afirmou que as condições econômicas do país se tornaram o estopim para os recentes ataques.

"Os sul-africanos tem medo e não tem esperança para o futuro. [...] Vemos um colapso econômico e social, e as violentas manifestações, saques e destruição em larga escala [...] são evidências óbvias", afirmou.

E as reações nos demais países africanos?

Em retaliação a onda xenófoba na África do Sul, manifestantes atacam estabelecimentos sul-africanos em Abuja, na Nigéria — Foto: AP Photo Em retaliação a onda xenófoba na África do Sul, manifestantes atacam estabelecimentos sul-africanos em Abuja, na Nigéria — Foto: AP Photo

Em retaliação a onda xenófoba na África do Sul, manifestantes atacam estabelecimentos sul-africanos em Abuja, na Nigéria — Foto: AP Photo

A onda de xenofobia revoltou autoridades e cidadãos de outros países do continente, que organizaram protestos e iniciaram boicotes à África do Sul.

Na Nigéria, foi preciso reforçar a segurança próximo a lojas de marcas sul-africanas. Além disso, a África do Sul teve de fechar temporariamente a embaixada em Abuja e o consulado em Lagos por supostas ameaças.

No plano político, a Nigéria anunciou boicote ao Fórum Econômico Mundial da África, inaugurado na quarta-feira na Cidade do Cabo.

Outras reações aos ataques xenófobos na África do Sul foram:

  • A companhia aérea Air Tanzania suspendeu temporariamente voos ao país.
  • As equipes de futebol de Madagascar e Zâmbia cancelaram partidas contra a seleção da África do Sul.
  • Tiwa Savage, cantora nigeriana, cancelou uma apresentação que faria em setembro durante festival em Johanesburgo.

"Eu me recuso a assistir à horrível matança do meu povo na África do Sul. Isso é doentio", disse, pelo Twitter

 

 

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