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Justiça francesa rejeita acusação contra Air France e culpa pilotos por acidente em voo Rio-Paris

Juízes disseram que pilotos do Airbus A330 não conseguiram processar todos os alertas e as leituras de instrumentos fornecidas pelo avião. Advogado que representa as famílias das vítimas disse que um recurso contra o veredicto será apresentado imedia

 
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Juízes franceses rejeitaram as acusações contra a Air France e a Airbus decorrentes da queda do voo 447 no Oceano Atlântico durante voo do Rio a Paris, em 2009, que matou todas as 228 pessoas a bordo, culpando os pilotos por perderem o controle da aeronave.

Em suas conclusões, vistas pela Reuters, os juízes disseram que os pilotos do Airbus A330 não conseguiram processar todos os alertas e as leituras de instrumentos fornecidas pelo avião.

O avião caiu no oceano depois de entrar em estol (perder sustentação) e despencar de uma altitude de 38.000 pés durante uma tempestade. Suas turbinas funcionavam, mas as asas perderam sustentação.

"A causa direta do acidente foi a perda de controle da tripulação sobre a trajetória da aeronave", determinaram os juízes.

Outras tripulações que enfrentaram situações similares conseguiram manter o controle de suas aeronaves, de acordo com os juízes.

Os magistrados recusaram as alegações dos procuradores que investigam o caso, que haviam recomendado que a Air France fosse a julgamento em julho.

Em seu relatório de 2012, investigadores franceses de acidentes disseram que, pega de surpresa, a tripulação do voo AF447 não soube lidar com a perda das leituras de velocidade do ar dos sensores de pitot bloqueados pelo gelo e colocaram o avião em estol mantendo o nariz alto demais.

Nelson Faria Marinho exibe uma foto de seu filho, Nelson Marinho, que morreu no acidente do voo 477 da Air France, em 2009, no Rio de Janeiro, em foto desta quinta-feira (5) — Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo Nelson Faria Marinho exibe uma foto de seu filho, Nelson Marinho, que morreu no acidente do voo 477 da Air France, em 2009, no Rio de Janeiro, em foto desta quinta-feira (5) — Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo

Nelson Faria Marinho exibe uma foto de seu filho, Nelson Marinho, que morreu no acidente do voo 477 da Air France, em 2009, no Rio de Janeiro, em foto desta quinta-feira (5) — Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo

O relatório também citou o treinamento deficiente e a falta de um visor de cabine claro para problemas de velocidade.

A investigação civil de três anos não foi concebida para apontar culpados, o que foi o objetivo do inquérito judicial separado que culminou na decisão desta quinta-feira.

Um advogado que representa as famílias das vítimas disse que um recurso contra o veredicto dos juízes será apresentado imediatamente.

"Os juízes só escreveram em preto e branco que o congelamento dos sensores de pitot não teve nada a ver com o acidente. Não faz sentido", disse Sebastien Busy à Reuters. "Se os sensores de pitot não tivessem congelado, não teria havido um acidente".

A tragédia foi a mais letal da história da Air France e do A330.

Uma década depois, a indústria da aviação ainda está implantando lições aprendidas na queda. As mudanças se concentraram no treinamento, nos procedimentos de cabine e no monitoramento de aeronaves em zonas remotas.

Equipes de resgate levaram quase dois anos para localizar as caixas-pretas do A330 no fundo do oceano.

 

 

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