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Trump usa mapa alterado para colocar Alabama na rota do furacão Dorian; especialistas rebatem

O presidente insistiu que o furacão, agora de categoria 3, passaria pelo estado, mas os serviços de previsão do tempo do país não o colocaram na rota. Em reunião na quarta-feira 4 , ele usou um mapa com um traçado que incluía o Alabama, mas não expl

 
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está há dias em uma polêmica com serviços de previsão do tempo americanos. Na quarta-feira (4), ele insistiu que o estado do Alabama, no sudeste do país, seria atingido pelo furacão Dorian. Os especialistas americanos negaram, entretanto, que o estado estivesse na rota.

Em uma reunião no Salão Oval, Trump exibiu um mapa da previsão do Centro Nacional de Furacões da última quinta (29) que mostrava que Dorian podia chegar à Flórida. O mapa que ele mostrou tinha o que parecia ser um semicírculo, desenhado à mão, que estendia o chamado "cone de incerteza" sobre uma faixa do Alabama (veja foto).

O presidente Donald Trump segura um mapa enquanto conversa com repórteres, na quarta-feira (4), no Salão Oval da Casa Branca, durante uma atualização sobre o furacão Dorian. A linha preta na imagem indica, supostamente, onde o furacão atingiria o estado do Alabama - mas especialistas em previsão do tempo nos EUA negaram que o estado estivesse na rota do Dorian.  — Foto: Evan Vucci/AP O presidente Donald Trump segura um mapa enquanto conversa com repórteres, na quarta-feira (4), no Salão Oval da Casa Branca, durante uma atualização sobre o furacão Dorian. A linha preta na imagem indica, supostamente, onde o furacão atingiria o estado do Alabama - mas especialistas em previsão do tempo nos EUA negaram que o estado estivesse na rota do Dorian.  — Foto: Evan Vucci/AP

O presidente Donald Trump segura um mapa enquanto conversa com repórteres, na quarta-feira (4), no Salão Oval da Casa Branca, durante uma atualização sobre o furacão Dorian. A linha preta na imagem indica, supostamente, onde o furacão atingiria o estado do Alabama - mas especialistas em previsão do tempo nos EUA negaram que o estado estivesse na rota do Dorian. — Foto: Evan Vucci/AP

A linha se estendia através da ponta sudoeste da Geórgia e e a ponta sudeste do Alabama, em direção ao Golfo do México.

Um porta-voz do Departamento de Segurança Interno americano disse que não sabia ao que a linha preta no mapa se referia, e que precisava conseguir mais informações, segundo reportagem do jornal "The New York Times". Depois, encaminhou as perguntas sobre o mapa à Casa Branca, disse o jornal.

Questionado sobre a marcação no mapa, Trump disse a repórteres que não sabia como chegou lá. "Eu não sei", disse na quarta (4), insistindo que sua afirmação sobre os perigos que o Alabama enfrentava estava certa o tempo todo.

O presidente Donald Trump segura um mapa enquanto conversa com repórteres, na quarta-feira (4), no Salão Oval da Casa Branca, durante uma atualização sobre o furacão Dorian. A linha preta na imagem indica, supostamente, onde o furacão atingiria o estado do Alabama - mas especialistas em previsão do tempo nos EUA negaram que o estado estivesse na rota do Dorian.  — Foto: Evan Vucci/AP O presidente Donald Trump segura um mapa enquanto conversa com repórteres, na quarta-feira (4), no Salão Oval da Casa Branca, durante uma atualização sobre o furacão Dorian. A linha preta na imagem indica, supostamente, onde o furacão atingiria o estado do Alabama - mas especialistas em previsão do tempo nos EUA negaram que o estado estivesse na rota do Dorian.  — Foto: Evan Vucci/AP

O presidente Donald Trump segura um mapa enquanto conversa com repórteres, na quarta-feira (4), no Salão Oval da Casa Branca, durante uma atualização sobre o furacão Dorian. A linha preta na imagem indica, supostamente, onde o furacão atingiria o estado do Alabama - mas especialistas em previsão do tempo nos EUA negaram que o estado estivesse na rota do Dorian. — Foto: Evan Vucci/AP

“Tínhamos muitos modelos, cada linha sendo um modelo, e elas estavam passando direto. E, em todos os casos, o Alabama foi atingido, se não de forma leve, em alguns casos, bastante", disse Trump.

"Na verdade, eles deram a isso uma probabilidade de 95%. Acabou que não foi o que aconteceu. Fez uma virada à direita na costa. Mas o Alabama seria atingido com força, junto com a Geórgia. Mas, sob a corrente, eles não serão", acrescentou.

Trump não disse de onde tinha tirado essa informação - que é diretamente refutada por dias de relatórios do Serviço Nacional de Meteorologia e da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências - nenhum dos quais publicou ameaça do furacão ao Alabama.

A probabilidade mais alta emitida para uma localidade dos EUA de ser atingida pelo Dorian está na faixa de 60%, não de 95%, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

Governadores da Flórida, Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte e Virgínia declararam emergências quando o Dorian se transformou em uma tempestade monstruosa no Atlântico. Já a governadora do Alabama, não.

Mas Stephanie Grisham, secretária de imprensa da Casa Branca, divulgou na quarta (4) um mapa interno que ela disse ter sido mostrado a Trump no domingo (1º), enquanto ele viajava de Camp David de volta à Casa Branca.

O mapa fornecido pela Casa Branca mostra o impacto de Dorian tocando partes da Geórgia e um pequeno canto do Alabama - de forma bem parecida com a linha preta desenhada no mapa, maior, que Trump exibiu no Salão Oval.

No final do dia 4, Trump twittou um mapa, de 28 de agosto, do Distrito de Gerenciamento de Água do Sul da Flórida - que, segundo ele, apoiava a alegação de que o Dorian estava indo para o Alabama.

O mapa, entretanto, veio com um aviso de que as informações do Centro Nacional de Furacões e das autoridades locais de emergência o substituíam: "Se alguma coisa neste gráfico causar confusão, ignore todo o produto", dizia.

Brian McNoldy, pesquisador de furacões da Universidade de Miami, respondeu: “Ele não tem ideia do que está falando ou do que está traçado nesse mapa. Na época desse ciclo, o Alabama estava em risco ainda menor do que antes, e era quase risco nenhum para começo de conversa".

Polêmica

O presidente havia feito a mesma afirmação - de que o Dorian atingiria o Alabama - no domingo (1º). Minutos depois, entretanto, o serviço especializado de previsão do tempo no estado negou que o Alabama fosse ser atingido.

"Além da Flórida - a Carolina do Sul, a Carolina do Norte, a Geórgia, e o Alabama provavelmente serão atingidos com (muito) mais força do que o antecipado. Está parecendo um dos maiores furacões da história. Já na categoria 5. Tenham cuidado! Deus abençoe a todos!", escreveu o presidente americano no Twitter.

Logo depois, entretanto, o serviço de meteorologia nacional no Alabama escreveu, também no Twitter, que o estado não seria atingido pelo furacão.

"O Alabama NÃO vai ver nenhum impacto do Dorian. Repetindo, nenhum impacto do furacão Dorian será sentido no Alabama. O sistema [de furacões] vai permanecer muito para o leste", disseram os especialistas.

No domingo (1º), questionado se Trump havia sido informado sobre algum possível impacto no Alabama, Christopher Vaccaro, porta-voz da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), escreveu em um e-mail: "O caminho atual de previsão de Dorian não inclui o Alabama", segundo a Associated Press.

Na segunda-feira (2), Trump revidou contra os céticos ao insistir que, "sob certos cenários originais, era de fato correto que o Alabama pudesse ter recebido algum 'dano'", disse.

E então, na quarta (4), Trump exibiu o gráfico com a alteração que sugeria que a tempestade poderia ter atingido o Alabama. O presidente não disse quem havia alterado o mapa que exibiu na Casa Branca, mas disse a repórteres: "Eu sei que o Alabama estava na previsão original".

Por volta de meia noite desta quinta (5), o furacão estava 170 km ao sul de Charleston, na Carolina do Sul, seguindo para o norte a 11 km/h.

Furacão

Destruição provocada pelo furacão Dorian na ilha de Abaco, nas Bahamas — Foto: Al Diaz/Miami Herald via AP Destruição provocada pelo furacão Dorian na ilha de Abaco, nas Bahamas — Foto: Al Diaz/Miami Herald via AP

Destruição provocada pelo furacão Dorian na ilha de Abaco, nas Bahamas — Foto: Al Diaz/Miami Herald via AP

Na noite de quarta (4), o Dorian voltou a ser classificado como de categoria 3, com ventos de até 185 km/h na manhã desta quinta (5), segundo última atualização do Centro Nacional de Furacões em Miami.

No domingo (1º), a velocidade dos ventos do furacão chegou à categoria 5, a mais alta, com 295 km/h.

O Dorian já deixou 20 mortos nas Bahamas, onde esforços para resgatar os sobreviventes continuam.

 

 

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