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Ciências

Ciência, inovação e relações internacionais se unem em área emergente no País

Primeira edição da “Escola São Paulo de Ciência Avançada em Diplomacia Científica e Diplomacia da Inovação” reúne pesquisadores de todo o mundo na USP

 
Diplomacia científica é ao mesmo tempo uma área de estudo e uma área de atuação política – Foto: Matthew Britt/Flickr-CC
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Pesquisadores, cientistas e empresários de diferentes lugares do mundo se encontraram na Cidade Universitária para a primeira edição da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Diplomacia Científica e Diplomacia da Inovação, a InnScid SP (do inglês Innovation and Science Diplomacy School). Durante alguns dias eles terão aulas, palestras e outras atividades para compreender as diferentes formas pelas quais ciência e tecnologia participam das relações internacionais.

A InnScid SP é promovida pelo Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, em parceria com o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e o Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni) da USP, e como outros eventos do gênero que têm sido realizados na USP, tem financiamento da Fapesp.

Como conta o professor Amâncio Jorge de Oliveira, professor do IRI e coordenador do evento, a Escola surgiu com o objetivo de colocar em contato diplomatas, empresários e cientistas de todas as áreas, mostrando como essa parceria é capaz de aumentar a internacionalização da ciência e das empresas brasileiras.

Ciência diplomática

No mundo da ciência, as fronteiras entre Estados são muito mais diluídas e complexas do que as geográficas. Entre nações em que existe algum conflito, como Israel e Palestina, por exemplo, as relações entre cientistas ainda podem existir, influenciando e sendo influenciadas pelas relações diplomáticas. Sendo assim, a diplomacia científica é ao mesmo tempo uma área de estudo e uma área de atuação política.

“Os cientistas fazem pesquisas colaborativas, colaboração acadêmica, seminários conjuntos, etc. Fazer isso é uma maneira de aproximar os países, independente dos atritos governamentais”, explica o professor Amâncio. “Quando um cientista faz o papel de aproximação dos países, ele está fazendo um papel que é destinado ao diplomata, com uma vantagem: ele não é uma entidade do governo, portanto tem mais flexibilidade para fazer essa aproximação.”

Outro exemplo são as negociações internacionais que envolvem ciência, como acordos sobre questões climáticas. Apesar de os responsáveis serem governos, são os cientistas que dão as diretrizes técnicas.

Já quando se fala de diplomacia da inovação, além da produção científica, considera-se também os aspectos que dizem respeito à comercialização de produtos em nível internacional, desde a regulamentação até estratégias de marketing. É o caso de medicamentos: uma vez descobertos, eles podem ser vendidos em vários países, mas para que isso ocorra é preciso lidar com as particularidades de cada local, como diferentes regras de patenteamento.

Iniciativa é pioneira no Brasil

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Além de aulas teóricas e debates, os participantes também fizeram atividades práticas, simulando a elaboração de um projeto de diplomacia científica para algum país, e depois pensando num framework sobre diplomacia da inovação, ou seja, um documento de referência que discorra sobre a área. Por fim, foram realizadas duas visitas externas, a primeira à sede da Embraer, em São José dos Campos, e a segunda ao acelerador de partículas Sirius, que é construído em Campinas pelo Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS).

Houve ainda um debate aberto ao público e com a presença dos reitores da USP, Unesp e Unicamp. Fora esta mesa, o restante da programação foi restrito para a turma do curso – ao todo, 80 alunos.

Os participantes foram selecionados dentre quase mil inscritos, e não tiveram custo nenhum com as atividades. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Comuns em outros países, eventos como a InnScid SP são novidade por aqui. Como explica o professor Amâncio, essa foi a primeira iniciativa do tipo no Brasil com participação de professores e alunos de diferentes partes do mundo. “Daqui em diante, esperamos que a Escola continue acontecendo anualmente, durando sempre em torno de uma a duas semanas.”

Internacionalização

Da esquerda para a direita, professor Guilherme Ary Plonski, reitores Marcelo Knobel, Vahan Agopyan e Sandro Valentini e o professor Amâncio Jorge de Oliveira – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
No dia 26 de agosto, os reitores das três universidades paulistas, Vahan Agopyan (USP), Marcelo Knobel (Unicamp) e Sandro Roberto Valentini (Unesp), participaram da mesa “Internacionalização e Inovação na perspectiva das universidades”, que também fez parte da programação da InnScid SP.

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Os convidados debateram a importância da internacionalização para o desenvolvimento das universidades e da ciência, e os bons resultados que ela pode gerar a partir da parceria com governos e aproximação da população. “Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, todas as grandes universidades de pesquisa do mundo são financiadas com dinheiro público, por isso, é cada vez mais necessário que as universidades se aproximem da sociedade, mostrando o que fazemos”, disse o reitor Vahan Agopyan.

O dirigente da USP explicou que, além de apoiar projetos de pesquisa conjunta e a mobilidade de estudantes e pesquisadores, o objetivo é consolidar um ambiente internacional nas universidades para aprimorar a diversidade e a qualidade das pesquisas.

Os reitores também comentaram medidas que as universidades têm feito para caminhar nesse sentido, como a participação da Unicamp na Cátedra para Refugiados, criada pela ONU com o objetivo de promover ações em favor de refugiados por meio da educação e pesquisa acadêmica. “Receber alunos estrangeiros, de diferentes culturas e modos de pensar, é o oxigênio das universidades. Precisamos disso, precisamos da renovação”, afirmou Marcelo Knobel.

Além disso, também falaram sobre políticas públicas do Brasil nos últimos anos para fomentar a internacionalização universitária. “Em época de orçamento restrito, as iniciativas de internacionalização podem ser melhor priorizadas se forem baseadas em um plano estratégico de cada instituição”, disse Sandro Valentini.

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