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Intervenção do exército do Reino Unido na Irlanda do Norte completa 50 anos

Mobilização só terminou em 2007, nove anos depois de um acordo interromper conflitos na Irlanda.

 
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A primeira mobilização dos soldados do Reino Unido na Irlanda do Norte completou 50 anos nesta segunda-feira (12).

As forças de Londres iniciaram a operação após três dias de manifestações em Londonderry, cidade considerada um reduto católico no lado britânico da ilha irlandesa – o catolicismo, majoritário na vizinha República da Irlanda, é celebrado por uma minoria no Reino Unido.

A operação Banner, inicialmente projetada como uma intervenção limitada, durou 38 anos, tornando-se a operação mais longa da história do exército britânico. Veja a cronologia abaixo:

A batalha do Bogside

Foto de 16 de agosto de 1969 mostra cerco de soldados britânicos a reduto católico em Londonderry, na Irlanda do Norte — Foto: STRINGER / AFP Foto de 16 de agosto de 1969 mostra cerco de soldados britânicos a reduto católico em Londonderry, na Irlanda do Norte — Foto: STRINGER / AFP

Foto de 16 de agosto de 1969 mostra cerco de soldados britânicos a reduto católico em Londonderry, na Irlanda do Norte — Foto: STRINGER / AFP

Londonderry, única cidade da Irlanda do Norte de maioria católica, já tinha sido cenário de distúrbios em outubro de 1968. Os protestos se intensificaram após a repressão da Polícia a uma manifestação fno local.

Em 12 de agosto de 1969, a raiva voltou a explodir por ocasião de uma tradicional marcha protestante organizada perto do gueto católico de Bogside.

Durante três dias e duas noites, foram registrados violentos confrontos entre a Polícia, apoiada por ativistas protestantes, e os católicos, principalmente jovens, refugiados atrás de barricadas.

A agitação se estendeu a outras sete cidades, entre elas a capital da província, Belfast, onde os primeiros mortos foram reportados em 15 de agosto.

Superado, o governo norte-irlandês lançou, em 14 de agosto, um pedido de ajuda ao premiê britânico, Harold Wilson. Nesse mesmo dia, 300 soldados britânicos chegaram a Londonderry. No momento mais intenso de sua presença, cerca de 30 mil foram enviados ao Ulster.

IRA retoma as armas

No muro, a pichação ao lado do nome do IRA completa os dizeres "O IRA acabou", fotografada no dia 20 de abril depois do assassinato da jornalista Lyra McKee, na Irlanda do Norte. — Foto: Clodagh Kilcoyne/Reuters No muro, a pichação ao lado do nome do IRA completa os dizeres "O IRA acabou", fotografada no dia 20 de abril depois do assassinato da jornalista Lyra McKee, na Irlanda do Norte. — Foto: Clodagh Kilcoyne/Reuters

No muro, a pichação ao lado do nome do IRA completa os dizeres "O IRA acabou", fotografada no dia 20 de abril depois do assassinato da jornalista Lyra McKee, na Irlanda do Norte. — Foto: Clodagh Kilcoyne/Reuters

Em um primeiro momento, os católicos de Londonderry reservaram uma "acolhida calorosa aos soldados britânicos" e comemoraram "cantando e dançando" a retirada da polícia, acusada de estar ao lado dos protestantes, segundo testemunhos de jornalistas da AFP que estiveram no local há meio século.

Mas a opinião pública mudou rapidamente e o exército britânico foi, por sua vez, acusado de parcialidade a favor dos protestantes.

O ano de 1970 viu o aparecimento do IRA "provisório", nascido das cinzas do antigo Exército Republicano Irlandês, cuja guerrilha tinha conduzido em 1921 a divisão da ilha em uma república independente no sul e um território do Reino Unido no norte.

A organização clandestina lançou uma campanha de atentados contra as forças da Coroa, matando um primeiro soldado em fevereiro de 1971. No campo unionista, as milícias de extremistas protestantes respondem.

Domingo Sangrento

Repressão a manifestantes na Irlanda do Norte marcou data conhecida como Domingo Sangrento — Foto: THOMPSON / AFP Repressão a manifestantes na Irlanda do Norte marcou data conhecida como Domingo Sangrento — Foto: THOMPSON / AFP

Repressão a manifestantes na Irlanda do Norte marcou data conhecida como Domingo Sangrento — Foto: THOMPSON / AFP

No domingo, 30 de janeiro de 1972, paraquedistas britânicos atiraram contra uma manifestação pacífica de católicos em Londonderry, deixando 14 mortos.

Três dias depois da data conhecida como Domingo Sangrento, a embaixada britânica em Dublin foi reduzida a cinzas por uma multidão enfurecida.

Em 24 de março, o governo britânico suspendeu as instituições do Ulster e impôs sua administração direta.

Em 1974, o IRA estende seus ataques mortais à Grã-Bretanha. Os atentados nos bares de Guilford, Woolwich e Birmingham deixaram cerca de 30 mortos.

Em 27 de agosto de 1979, a organização atinge pela primeira vez a família real: Lorde Mountbatten, primo da rainha Elizabeth II e último vice-rei das Índias, foi morto na explosão de uma bomba colocada em um barco no noroeste da Irlanda. No mesmo dia, 18 soldados britânicos morreram no Ulster.

Sexta-feira Santa

Em 10 de abril de 1998, depois de anos de difíceis negociações, Londres, Dublin e os dirigentes leais e separatistas norte-irlandeses assinaram em Belfast um acordo de paz apoiado pelo IRA.

O acordo da "Sexta-feira Santa" pôs fim a um conflito que deixou mais de 3,5 mil mortos.

  • Impasse do Brexit tem a ver com acordo na Irlanda; veja

Em 2005, o IRA ordenou o desmonte de seu arsenal, e o Reino Unido reduziu progressivamente o número de seus soldados.

A operação Banner terminou oficialmente em 31 de julho de 2007.

 

 

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