Variedades

Variedades

Fechar
PUBLICIDADE

Variedades

Cineastas comentam mudanças de Bolsonaro no Conselho Superior de Cinema e declarações sobre '''filtro''' na Ancine

Bruno Barreto, atual membro do órgão consultivo, e Cacá Diegues, que já foi integrante, falam ao G1 sobre a mudanças. Diretores de filmes também comentam falas do presidente.

 
 -   /
/ /

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira (18) mudanças para o Conselho Superior do Cinema. A transferência do órgão para a Casa Civil e a redução do número dos membros pela metade são algumas das alterações.

Nesta sexta-feira (19), Bolsonaro também afirmou que se o governo não puder impor algum filtro nas produções audiovisuais brasileiras, por meio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), ele extinguirá a agência.

Antes, o conselho estava no Ministério da Cidadania, que engloba o antigo Ministério da Cultura. Quando criada, em 2001, a estrutura organizacional já era da Casa Civil, sendo transferida para a Cultura em novembro de 2009.

"Acho positiva a ida do conselho para a Casa Civil. Volta à origem", opina Bruno Barreto em entrevista ao G1.

“É uma questão de Política de audiovisual, não tem só a ver com Cultura. Tem coisas mais complexas. E a Casa Civil coordena todos os Ministérios. Tanto que o conselho tem membros de todos os ministérios. Então por que o conselho estaria sob o guarda-chuva da cultura?”, questiona o cineasta, atual membro do conselho.

Bruno preferiu não opinar sobre a redução no número de membros do conselho. "Não estou sabendo dos detalhes. Não sei se é bom ou ruim. Fiquei sabendo por você", afirmou Bruno, que não soube informar se seguirá na nova gestão.

Antes das mudanças anunciadas, além dos Ministros de Estado, o conselho era composto por nove integrantes, sendo seis da indústria audiovisual e três da sociedade civil - e mais nove suplentes.

O novo decreto diminui para:

  • três especialistas da indústria audiovisual
  • dois representantes da sociedade civil

'Conselho deve contemplar jovens cineastas'

Cacá Diegues durante apresentação do filme "O grande circo místico" no 71º Festival de Cannes — Foto: Alberto PIZZOLI / AFP Cacá Diegues durante apresentação do filme "O grande circo místico" no 71º Festival de Cannes — Foto: Alberto PIZZOLI / AFP

Cacá Diegues durante apresentação do filme "O grande circo místico" no 71º Festival de Cannes — Foto: Alberto PIZZOLI / AFP

Cacá Diegues integrou o conselho de 2016 a 2018. Ao G1, ele afirma que não pretende participar mais: “Meu mandato no Conselho já se encerrou em dezembro e não desejo renovação dele. Acho que tem que a composição do Conselho deve contemplar jovens cineastas e gente que cuida de nossa economia."

Cacá também indicou que “no final do ano passado, sem consultar os cineastas, a Ancine propôs ao governo um novo Conselho formado por representantes da economia estrangeira do cinema, um absurdo que parece já ter sido evitado”.

Cacá também falou sobre a forma como é feita a indicação dos membros para o conselho.

Segundo o novo decreto, os membros do conselho e seus respectivos suplentes “serão indicados pelo Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República e designados pelo Presidente da República para mandato de dois anos, permitida uma recondução”.

“As indicações sempre foram feitas ou aprovadas pela presidência que deveria ouvir a classe (sindicatos, associações, etc)”, explicou Diegues.

Filtros na Ancine

Vinculada ao Ministério da Cidadania, a Ancine é uma agência reguladora que tem como atribuições o fomento, a regulação e a fiscalização do mercado do cinema e do audiovisual no Brasil.

"Vai ter um filtro sim. Já que é um órgão federal, se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos, passarei ou extinguiremos", afirmou o presidente, após participar de uma solenidade em comemoração ao Dia Nacional do Futebol nesta sexta (19).

Questionado sobre qual filtro desejaria impor à Ancine, Bolsonaro respondeu: "Culturais, pô".

"No caso o que ele chama de filtro me parece censura, nem na época da ditadura militar isso ocorreu. Se acontecer de fato, eu sou contra, claro", comentou Barreto, em entrevista ao G1.

"Os projetos eram todos produzidos, depois havia censura, havia cortes, mas os projetos não deixavam de ser produzidos", lembra o cineasta.

"As mudanças propostas são ilegais", diz o cineasta Vicente Amorim. "Toda proposta é absurda: levar a Ancine para Brasília (caríssimo); extiguir a Ancine (ilegal); e filtrar conteúdo (censura)", completa o diretor de filmes como "Irmã Dulce", "Um homem bom" e "O caminho das nuvens".

"A palavra filtro assusta um pouco, porque logo se remete a uma possibilidade de alguma censura, de algum direcionamento", afirma o cineasta André Ristum. "A cultura e arte não pode ser passível de nenhum tipo de direcionamento, por si só ela tem que ser livre", explica o diretor de "O Outro Lado do Paraíso" e "A Voz do Silêncio".

"Uma característica do audiovisual, isso não é Brasil, é no mundo, nos Estados Unidos, é a inovação, porque o público quer e o público precisa do novo. Para ter inovação, você tem que dar liberdade para criador", explica a cineasta Laís Bodanzky.

"Qualquer coisa que esteja na contramão disso, você não está estimulando o setor, ao contrário, você está envelhecendo. Ele é feito de criatividade, de liberdade", afirma a presidente da SPCine e diretora de filmes como "Como Nossos Pais" e "Bicho de Sete Cabeças".

 

 

Mais Lidas em Variedades

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE