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'''A Divisão''' revive onda de sequestros dos anos 90 no Rio, mas sem '''mocinho x bandido'''

Afroreggae é uma das produtoras da série original do Globoplay lançada nesta sexta-feira 19 . Ao G1, atores falam sobre mostrar relações entre crime organizado, polícia e sequestro.

 
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"Um paciente na CTI". É assim que Mendonça, policial chefe da Divisão Antissequestro do Rio de Janeiro (DAS), se refere a um sequestro em "A Divisão". Silvio Guindane interpreta o personagem e também usa a comparação para explicar o que conduz a nova série original Globoplay.

A narrativa gira em torno da onda de sequestros do Rio na década de 90. E seus desdobramentos da Polícia, com uma força-tarefa para tentar solucionar os casos. O lançamento é nesta sexta (19) com Erom Cordeiro, Natália Lage, Marcos Palmeira, Dalton Vigh e Vanessa Gerbelli no elenco.

Mendonça e Santiago (Cordeiro), um investigador, são colocados na DAS para tentar conter os recorrentes crimes. Baseada em histórias reais, "A Divisão" tem José Júnior, líder da ONG Afroreggae, como principal criador.

"A série mostra um panorama realístico do que é essa relação entre o crime organizado, a polícia e o sequestro", explica Guindane ao G1.

Assista ao trailer de 'A Divisão

Assista ao trailer de 'A Divisão'

O elenco defende que a história não pretende mostrar mocinhos contra violões. Para eles, essa é uma grande diferença entre as outras produções amparadas pela tríade crime, violência no Rio e corrupção na polícia, como "Tropa de Elite".

"Vai para além de ser uma série de ação, de mocinhos x bandidos, ela dá uma radiografia das relações de poder dentro da própria polícia e como isso reverbera dentro de uma comunidade, de uma cidade inteira", explica Erom Cordeiro.

"A série tenta fugir da arrogância de dar um veredito", diz o ator.

"Não tem um ponto de vista narrativo que te leva ali para você ver a pessoa como um herói ou anti-herói", explica Natália Lage, que interpreta a policial Roberta.

"Você tem uma série de configurações que expõem essa problemática da violência e cada um tem seus motivos. Assim, o público tem mais liberdade de tomar seus partidos."

Força-tarefa com genocida e corrupto

A diferença de personalidades entre Mendonça e Santiago também é um dos motivos que faz com que o caminho maniqueísta não seja aplicado em "A Divisão".

Em 'A Divisão', Marcos Palmeira é um agente da Divisão Antissequestro e Dalton Vigh é um deputado que tem a filha sequestrada — Foto: Carlos Fofinho/Divulgação Em 'A Divisão', Marcos Palmeira é um agente da Divisão Antissequestro e Dalton Vigh é um deputado que tem a filha sequestrada — Foto: Carlos Fofinho/Divulgação

Em 'A Divisão', Marcos Palmeira é um agente da Divisão Antissequestro e Dalton Vigh é um deputado que tem a filha sequestrada — Foto: Carlos Fofinho/Divulgação

Guindane diz que seu personagem é um "policial incorruptível, que teve um treinamento genocida e anti-humano". Já Santiago utiliza métodos obscuros e segue uma "política totalmente não cartesiana" para conseguir o que quer.

"Não é um crime que já aconteceu e você vai investigar, é um crime que está acontecendo, latente ali. É um paciente na UTI, uma pessoa que pode morrer a qualquer momento".

Cordeiro vê um cabo de força entre eles: "Eles vão vendo que se não conseguirem caminhar juntos, eles não vão avançar."

Seu personagem, Santiago, é inspirado em José Luiz Magalhães, ex-inspetor da Polícia Civil e um dos roteiristas da série. Para o ator, o contato com ele foi "essencial". O elenco também conversou com delegados, inspetores e criminosos na preparação.

Com o selo Afroreggae

Os atores ouvidos pelo G1 dizem que presença de José Júnior, criador da série e líder do Afrorregae, foi vital para que a trama não fosse pelo caminho do "bem contra o mal".

O braço audiovisual da ONG, que atua em comunidades do Rio desde 1993, está à frente da produção, ao lado do Multishow e da produtora Hungry Man.

"A função do Afroreggae é mediar, observar e tentar proteger humanisticamente o cidadão. O trabalho não é pra polícia ou para o tráfico de drogas, mas sim de interlocução para priorizar o cidadão", explica Guindane.

"E a gente joga isso para série. A gente coloca não como certeza, mas como dúvida e questão para o espectador a problemática que temos até hoje no Brasil", explica o ator.

A direção é de Vicente Amorim, que tem no currículo as séries "Copa Hotel", do GNT, e "A Justiceira", da Globo; além dos filmes "Um Homem Bom" (2008) e "Irmã Dulce" (2014).

Santiago (Erom Cordeiro) e Mendonça (Silvio Guindane) em cena gravada na Vila Vintém, zona oeste do Rio de Janeiro, em 'A Divisão' — Foto: Carlos Fofinho/Divulgação Santiago (Erom Cordeiro) e Mendonça (Silvio Guindane) em cena gravada na Vila Vintém, zona oeste do Rio de Janeiro, em 'A Divisão' — Foto: Carlos Fofinho/Divulgação

Santiago (Erom Cordeiro) e Mendonça (Silvio Guindane) em cena gravada na Vila Vintém, zona oeste do Rio de Janeiro, em 'A Divisão' — Foto: Carlos Fofinho/Divulgação

Com orgulho, o elenco comenta que foram os primeiros a gravar na Vila Vintém, comunidade da Zona Oeste do Rio. "A gente saiu de alguns lugares-comuns", conta Cordeiro.

Natália gravou pela primeira vez em uma comunidade. "Lógico que tinha uma tensão de estar naqueles lugares, mas era super respaldado."

"Para gente como ator é muito importante, porque te coloca em um estado de tensão que é o do personagem e o das pessoas que moram ali", lembra a atriz.

Lembranças da época

Os três atores moravam na cidade na década de 90 e lembram bem da onda de sequestros. "Eu era adolescente, mas não era rica, não era muito um alvo... Lembro de amigos, amigas que andavam com segurança", conta Natália.

Natália Lage e Erom Cordeiro são policiais corruptos em 'A Divisão' — Foto: Carlos Fofinho/Divulgação Natália Lage e Erom Cordeiro são policiais corruptos em 'A Divisão' — Foto: Carlos Fofinho/Divulgação

Natália Lage e Erom Cordeiro são policiais corruptos em 'A Divisão' — Foto: Carlos Fofinho/Divulgação

Natural de Maceió, Erom lembra que estava chegando ao Rio em 1995. "Era bem esquisito estar vivendo essa onda. Tem um lado meio sádico do telefone, de ver quantos dias a pessoa fica, aí você não tem notícia. É muito louco", comenta o ator.

Já Guindane lembra de ver os casos no jornal e sentir pavor: "Imagina a pessoa ficar presa em um cativeiro, trancada, você não sabe se morreu, se tá viva. Era uma coisa que ficava na minha cabeça. Foi um momento tenso."

A série já tem a segunda temporada gravada, mas não há previsão de lançamento. Todos os episódios da primeira estão no Globoplay.

 

 

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