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Preconceito aflige pessoas com hanseníase na capital federal

No Distrito Federal, foram registrados 165 casos novos da doença em 2017, conforme os últimos dados fornecidos pela Secretaria de Saúde.

 
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ÁUDIOTEXTO PARA RÁDIOCréditos: Ministério da Saúde É verdade que quase sempre estamos mais atentos aos nossos filhos, principalmente quando o assunto é saúde. É o caso de uma artesã e moradora do Gama, que preferiu não se identificar. Se não fosse o aparecimento de bolhas na pele da neta, na época ainda com sete anos, não saberia que tanto ela, quanto a netinha, estavam com hanseníase. No caso da menina, a situação foi mais séria. Logo após o início da medicação, a doença avançou rapidamente e deformou a mão da criança. Juntas, elas descobriram a pior parte da doença: o preconceito. 

“A minha filha tinha dado ela (neta) para o meu filho e a minha nora batizarem. Aí a menina foi crescendo e, quando apareceram umas feridinhas nos dedinhos da mão, parecendo uma bolhona grande que ia corroendo, sei lá, ela ficou com os dedos da mão em garra e foram encolhendo. Aí ele disse que não ia poder batizar porque a religião não permite, só por conta da doença da menina”. 

LOC.: A artesã também enfrentou dificuldades. Devido a um dos medicamentos que combate a doença, as reações a deixaram com rosto e tronco inchados, o que fez com que ela escondesse o diagnóstico de vizinhos e passasse três anos sem se olhar no espelho. A partir disso, além da hanseníase, a artesã passou também a ter depressão. De acordo com a médica dermatologista da Vigilância Epidemiológica da Hanseníase do Distrito Federal, Janaína Amorim, atualmente, todas as Unidades Básicas de Saúde devem receber e orientar os pacientes de hanseníase para auxiliar também no combate ao preconceito. 

LOC.: No Distrito Federal, foram registrados 165 casos novos da doença em 2017, conforme os últimos dados fornecidos pela Secretaria de Saúde. No Brasil, no mesmo ano, o número chegou próximo a 27 mil. A hanseníase é transmitida através da troca de fluidos orais e de vias respiratórias, como gotículas de saliva, por exemplo, de uma pessoa doente sem tratamento. O que pouca gente sabe é que para contrair a doença não basta encostar em uma pessoa doente uma única vez. A transmissão só acontece através de um contato prolongado e pode demorar até dez anos para se manifestar. Por isso, o importante mesmo é ficar atento aos sinais e sintomas do seu corpo. Ao surgimento de qualquer mancha em que você perceba perda ou diminuição de sensibilidade ao toque, ao calor ou ao frio, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Quanto mais cedo o diagnóstico, menores as chances de sequelas. A hanseníase tem cura e o tratamento está disponível gratuitamente no SUS. Então, não esqueça: identificou, tratou, curou. Para mais informações, acesse saude.gov.br/hanseníase.

 

 

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