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Noruega detecta vazamento de radiação de submarino nuclear soviético naufragado há 30 anos

Especialistas dizem que não há motivo para alarme, apesar do césio acumulado nos restos do naufrágio.

 
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A Noruega detectou um nível de radiação 800 mil vezes maior do que o normal no naufrágio de um submarino militar russo. A embarcação da era soviética afundou no Mar da Noruega em 1989, quando um incêndio a bordo matou 42 marinheiros.

A análise da equipe norueguesa mostrou césio radioativo vazando de um tubo de ventilação no submarino, chamado Komsomolets. Segundo a pesquisadora Hilde Elise Heldal, o problema não é alarmante por ora, já que as águas do ártico rapidamente diluem o material radioativo.

O Komsomolets também está localizado em uma região muito profunda do mar, a 1.680m de profundidade, e há poucos peixes na área, diz Heldal.

É a primeira vez que um veículo submarino operado remotamente (ROV, na sigla em inglês) chega ao local e mostra o dano severo sofrido pela embarcação russa.

Conhecido também como K-278 na Rússia, o submarino afundou carregando dois torpedos nucleares com ogivas de plutônio.

Sua parte frontal tem seis tubos de torpedo, e o submarino também era capaz de lançar mísseis de longo alcance.

Curiosamente, o achado do submarino ocorre apenas uma semana depois que um incêndio atingiu um submarino nuclear russo no Mar de Barents, matando 14 oficiais navais.

Neste caso, os sobreviventes conseguiram levar o submergível de volta para sua base no Ártico.

Problema no reator

O submarino naufragado em 1989 teve um problema no reator antes de afundar. Quando o fogo começou em um dos compartimentos, o reator de água pressurizada do K-278 desligou rapidamente, segundo a agência de Segurança Nuclear do governo norueguês.

Vinte e sete tripulantes sobreviveram, e acabaram sendo resgatados por navios soviéticos.

O vazamento radioativo encontrado nesta semana vem de um tubo próximo ao reator.

Mas parte das amostras de água tirada do naufrágio não mostrou níveis elevados de radiação.

Os 42 marinheiros que morreram sucumbiram à fumaça tóxica ou congelaram na águas geladas do Ártico depois que o K-278 foi rapidamente à superfície. Os sobreviventes foram resgatados por dois navios soviéticos.

Durante o incidente, o comandante do submarino conseguiu enviar um pedido de socorro uma hora depois do início do incêndio, mas ele e outros quatro tripulantes morreram quando a cápsula de emergência em que estavam naufragou. O submarino ficou comprometido quando o fogo se espalhou, alimentado pelo ar com alta pressão vindo de uma tubulação danificada.

A Rússia já havia examinado o naufrágio com um submarino tripulado, e encontrou radiação vazando da mesma direção.

Os especialistas em radiação da Noruega e pesquisadores que fizeram a nova análise foram acompanhados por estudiosos da Associação Tufão de Pesquisa e Produção da Rússia.

  • Incêndio em submarino russo mata 14 marinheiros

"Tiramos amostras de água de dentro desse duto específico porque os russos já haviam documentado vazamentos no local em 1990 e em 2007", afirma a pesquisadora Heldal, que liderou a exposição.

"Os níveis (de radiação) que detectamos estavam claramente acima do que é normal no oceano, mas não eram alarmantemente altos", disse ela.

A Noruega e a Rússia têm monitorado a radiação na água regularmente desde o desastre, às vezes em expedições em conjunto.

O Komsomolets foi inaugurado em 1983. Tinha 117 metros de comprimento e podia mergulhar a até 1,250 metros de profundidade. Viajava a velocidade máxima de 30 nós (56km/h).

 

 

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