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Membros da banda RPM se despedem de Paulo P.A. Pagni: '''É a dor da perda de um irmão'''

Fernando Deluqui, Luiz Schiavon e Dioy Pallone estiveram presentes no enterro do baterista em Araçariguama SP . Músico morreu aos 61 anos por insuficiência respiratória e broncopneumonia.

 
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"Era um cara que vibrava em outra frequência, mística, no mundo dele", lembra Fernando Deluqui, amigo e ex-companheiro de palco do baterista da banda RPM Paulo P.A. Pagni, enterrado neste domingo (23) em Araçariguama (SP).

O músico morreu no sábado (22) por insuficiência respiratória e broncopneumonia, segundo o Hospital São Camilo, em Salto (SP), onde P.A. estava internado. O enterro foi no cemitério municipal de Araçariguama, cidade onde o baterista viveu por 15 anos e onde os pais dele estavam enterrados.

Além de Deluqui, Luiz Schiavon e Dioy Pallone, atuais integrantes da banda, estiveram presentes no enterro do amigo de rock. Cerca de 50 amigos, fãs e familiares se reuniram no velório em oração e a palavra "gratidão" era única nas bocas de todos que foram dar adeus ao baterista.

Luiz Schiavon disse ao G1 que era amigo de P.A. há 47 anos, desde antes da construção da banda. "É a dor da perda de um irmão. A relação de amizade ao longo de quase cinco décadas não tem preço", lamenta.

Já Dioy Pallone, atual vocalista da banda, sente por não ter passado mais tempo com Pagni. "O P.A. era um cara incrível! Eu acho que era um dos melhores bateras que eu tive o prazer de tocar e gravar. Estou sentido por não ter tido a oportunidade de conviver mais e tocar mais por conta desses problemas de saúde que ele vinha passando", conta ao G1.

Paulo P.A. Pagni, da banda RPM, foi enterrado em Araçariguama — Foto: Ana Beatriz Serafim/G1 Paulo P.A. Pagni, da banda RPM, foi enterrado em Araçariguama — Foto: Ana Beatriz Serafim/G1

Paulo P.A. Pagni, da banda RPM, foi enterrado em Araçariguama — Foto: Ana Beatriz Serafim/G1

Segundo os integrantes, o sonho de P.A. era continuar com a banda e eles pretendem seguir o legado deixado pelo músico.

"A banda segue, a gente vai ter que estudar outra forma, mas até o último momento tinha a esperança dele voltar. Inclusive, esse é um dos motivos da gente querer seguir: para perpetuar a memória dele", explica Schiavon.

O grupo também diz que deu suporte para que o baterista se recuperasse dos problemas de saúde e voltasse à estrada do rock com a banda. "A gente não sabe como vai tocar, mas tem que seguir em frente, porque era a maior vontade do P.A.", complementa Pallone.

A memória do baterista no coração dos integrantes é de uma única melodia: amor. "Ele era uma lição de humildade, de amor e carinho com todos, tinha muita luz", lembra Deluqui.

Nos anos 80, a banda tinha como vocalista Paulo Ricardo, que não esteve presente no velório, mas fez um post em sua conta no Instagram em homenagem ao amigo.

P.A. era reconhecido no meio musical como um homem educado e querido por todos. Com a morte dele, a banda não poderá voltar à formação original. P.A. completou 61 anos no dia 1º de junho e não deixou filhos.

Membros da banda RPM se despedem de Paulo P.A. Pagni

Membros da banda RPM se despedem de Paulo P.A. Pagni

Homenagens

No sábado (22), a banda RPM postou uma nota em seu perfil no Facebook lamentando a morte do músico. O grupo estava em Santa Catarina, onde fez um show para 20 mil pessoas com homenagens ao companheiro que havia partido.

"Nosso querido amigo P.A resolveu definitivamente descansar de sua brava luta pela vida. Partiu hoje em decorrência do agravamento das suas condições respiratórias devido à forte pneumonia que o atingiu. Fomos pegos de surpresa e tomados pela tristeza quando soubemos de sua partida há pouco", publicou a banda.

Fãs fizeram uma homenagem ao baterista e escreveram 'gratidão e amém' na baqueta — Foto: Ana Beatriz Serafim/G1 Fãs fizeram uma homenagem ao baterista e escreveram 'gratidão e amém' na baqueta — Foto: Ana Beatriz Serafim/G1

Fãs fizeram uma homenagem ao baterista e escreveram 'gratidão e amém' na baqueta — Foto: Ana Beatriz Serafim/G1

O baterista estava internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Camilo desde 14 de maio. P.A. deu entrada na unidade com infecção pulmonar, apresentando dificuldade respiratória e recebendo ventilação por traqueostomia. A prima Edna Bachiega Rossi, única parente que vive na cidade, conta que os conhecidos tinham esperança na recuperação dele.

"Ficou 38 dias em coma, em estado grave. A situação era difícil de reverter, mas a gente tinha esperança. A esperança é a última que morre, mas infelizmente ele não reagiu à medicação. A gente está muito triste. Todo mundo gostava dele na cidade", comenta.

Durante o velório, os fãs fizeram uma homenagem ao baterista e escreveram "gratidão e amém" na baqueta, ferramenta utilizada pelo baterista nos shows.

Amigos e familiares se despedem de Paulo P.A. Pagni em Araçariguama — Foto: Ana Beatriz Serafim/G1 Amigos e familiares se despedem de Paulo P.A. Pagni em Araçariguama — Foto: Ana Beatriz Serafim/G1

Amigos e familiares se despedem de Paulo P.A. Pagni em Araçariguama — Foto: Ana Beatriz Serafim/G1

O músico Júnior Boogil, que trabalhou com P.A. em Araçariguama, conta ao G1 que o amigo sempre teve o sonho de nunca deixar a banda RPM morrer. Juntos, eles tinham um projeto social chamado "Rock Histórias", que levava música para escolas carentes.

"A gente mostrava que o rock'n roll não era só atitude rebelde, era vivacidade e amor. Ele nunca deixou de acreditar que o RPM podia voltar ao auge dos anos 80", lembra.

Banda RPM publicou nota sobre falecimento do músico Paulo Pagni — Foto: Facebook/Reprodução Banda RPM publicou nota sobre falecimento do músico Paulo Pagni — Foto: Facebook/Reprodução

Banda RPM publicou nota sobre falecimento do músico Paulo Pagni — Foto: Facebook/Reprodução

Trajetória

A morte do músico paulistano Paulo Antônio Figueiredo Pagni (1º de junho de 1958 – 22 de junho de 2019), o baterista conhecido como P.A. e eternizado na formação clássica do grupo RPM, faz lembrar como o sucesso no universo pop às vezes acontece pelo que pode ser chamado de acaso ou destino.

P.A. nem aparece na capa do primeiro álbum do RPM, "Revoluções por Minuto", lançado em 1985. É que P.A. gravou o disco como músico convidado do grupo para suprir a lacuna aberta com a saída de Charles Gavin – este, sim, o músico recrutado para ser baterista do RPM.

Só que Gavin preferiu assumir as baquetas do grupo Titãs e saiu do RPM. Paulo P..A. Pagni foi arregimentado em janeiro de 1985, gravou o álbum de estreia do RPM, foi oficializado na sequência como baterista do grupo e entrou para a história do pop nacional.

P.A. viveu toda a fase de egolatria do RPM, alçado à condição de fenômeno pop do Brasil em 1986, com o vocalista Paulo Ricardo celebrizado como o símbolo sexual do país. O grupo RPM fazia um tecnopop que surfava na onda do som sintetizado da década de 1980. A marcação da bateria de P.A. nem sempre ficava evidenciada nos discos, mas o músico era respeitado como baterista.

Banda RPM com a formação anunciada em junho de 2018 — Foto: Divulgação Banda RPM com a formação anunciada em junho de 2018 — Foto: Divulgação

Banda RPM com a formação anunciada em junho de 2018 — Foto: Divulgação

A reboque do RPM, P.A. foi do céu reservado aos grande vendedores de discos ao inferno das brigas provocadas cotidianamente quando o sucesso infla os egos.

P.A. não integrou todas as formações do RPM. Saiu da banda em 1987, voltou em 1988, permaneceu até a ruptura de 1989 e, nos anos 1990, foi substituído por Marquinhos Costa na tentativa frustrada de ressuscitar a banda com Paulo Ricardo em 1993. Mas, além de ter estado ao lado de Paulo Ricardo no grupo PR-5, esteve reintegrado ao grupo nas voltas de 2001, 2007 e no bem-sucedido retorno de 2011.

Deste ano em diante, o grupo sempre esteve em cena com P.A. na bateria. Paulo Ricardo saiu e brigou na Justiça pelos direitos do nome RPM. Na briga, P.A. ficou ao lado do guitarrista Fernando Deluqui, do tecladista Luiz Schiavon e do novo vocalista Dioy Pallone.

Com a morte de P.A., o RPM nunca mais poderá reeditar a formação clássica dos anos 1980, década em que Paulo Pagni também embarcou na egolatria provocada pela exposição desmedida do grupo.

Passada essa fase de turbulência, P.A. também acalmou, sendo reconhecido no meio musical como um cara educado e querido por todos.

*Colaborou sob a supervisão de Ana Paula Yabiku.

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