Mundo

Mundo

Fechar
PUBLICIDADE

Mundo

Rússia vai libertar jornalista acusado de tráfico de drogas

As denúncias contra Ivan Golunov serão retiradas e os policiais envolvidos no caso foram suspensos, afirmou o ministro do interior russo. Protestos contra a prisão do jornalista estavam marcados para esta quarta-feira.

 
 -   /
/ /

A polícia da Rússia informou que vai retirar as denúncias de tráfico de drogas contra o jornalista Ivan Golunov e que ele deve ser libertado ainda nesta terça-feira (11). Ele foi detido na semana passada e cumpria prisão domiciliar desde sábado (8).

"Ele será libertado hoje da prisão domiciliar. Todas as acusações foram retiradas", afirmou o ministro de interior russo, Vladimir Kolokoltsev.

O ministro também afirmou que os policiais envolvidos no caso serão suspensos – e que pedirá ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que demita dois generais de polícias de alta patente por conta do caso.

"Acredito que os direitos de todos os cidadãos, independentemente de sua profissão, devem ser protegidos", acrescentou Kolokoltsev.

Segundo a EFE, Kolokoltsev destacou, ainda, que as autoridades não conseguiram demonstrar que Golunov era culpado. Ele escreve para o portal "Meduza", um dos mais críticos ao Kremlin.

Comoção

Jornalista russo Ivan Golunov, acusado de tentativa de tráfico de drogas, dentro de uma cela durante uma audiência em um tribunal em Moscou em 8 de junho de 2019. — Foto: Tatyana Makeyeva/Reuters Jornalista russo Ivan Golunov, acusado de tentativa de tráfico de drogas, dentro de uma cela durante uma audiência em um tribunal em Moscou em 8 de junho de 2019. — Foto: Tatyana Makeyeva/Reuters

Jornalista russo Ivan Golunov, acusado de tentativa de tráfico de drogas, dentro de uma cela durante uma audiência em um tribunal em Moscou em 8 de junho de 2019. — Foto: Tatyana Makeyeva/Reuters

O caso de Golunov causou comoção entre jornalistas e figuras culturais proeminentes da Rússia e em organizações internacionais. Eles afirmam que a denúncia foi uma armação para punir suas investigações sobre corrupção nas altas esferas políticas.

Jornalistas russos que criticam as autoridades correm risco desde pelo menos a década de 90, diz a Reuters — às vezes ameaçados, atacados fisicamente e até assassinados por seu trabalho.

Mas a forma com que a armação para Golunov foi feita, dizem seus apoiadores, desencadeou uma demonstração incomum de união na mídia do país e uma resposta rápida, pouco usual, das autoridades — preocupadas com a agitação social em um momento em que o presidente Vladimir Putin já enfrenta insatisfação da população quanto aos padrões de vida no país.

Jornalista russo Ivan Golunov, acusado de tentativa de tráfico de drogas, dentro de uma cela durante uma audiência em um tribunal em Moscou em 8 de junho de 2019 — Foto: Tatyana Makeyeva/Reuters Jornalista russo Ivan Golunov, acusado de tentativa de tráfico de drogas, dentro de uma cela durante uma audiência em um tribunal em Moscou em 8 de junho de 2019 — Foto: Tatyana Makeyeva/Reuters

Jornalista russo Ivan Golunov, acusado de tentativa de tráfico de drogas, dentro de uma cela durante uma audiência em um tribunal em Moscou em 8 de junho de 2019 — Foto: Tatyana Makeyeva/Reuters

Antes de a polícia recuar no caso do jornalista, quase 25 mil pessoas haviam se inscrito em uma página no Facebook expressando sua intenção de participar de uma marcha de protesto na quarta-feira (12) em solidariedade a ele.

As autoridades disseram que os manifestantes não receberam aprovação para o protesto — que poderia ameaçar a segurança pública, afirmaram.

A marcha apresentou um dilema ao Kremlin: ou usar a força, arriscando provocar mais raiva da população, ou deixar o protesto acontecer e revelar fraqueza a opositores.

As acusações contra Golunov inflamaram a opinião de profissionais urbanos — grupo que é minoria em todo o país, mas que tem uma enorme influência em Moscou.

Segundo o último levantamento da ONG Repórteres Sem Fronteiras sobre grau de liberdade de imprensa, a Rússia está na posição 149 de 180 países considerados. As primeiras posições são ocupadas por Noruega, Finlândia e Suécia.

 

 

PUBLICIDADE

Curiosidades

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE