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Pais de meninas mortas por pedra no Chile contam como aconteceu tragédia: '''Não havia placa de perigo'''

Na primeira entrevista após o acidente, as famílias de Isadora Bringel e Khálida Trabulsi disseram que tentaram salvar as meninas ainda nas imediações da represa El Yeso.

 
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Os pais das duas meninas brasileiras mortas na região do reservatório de El Yeso, no Chile, disseram nesta quinta-feira (6) que não havia sinalização no local sobre risco de queda de rochas nem uma barreira física para impedir a entrada de pedestres.

Foi a primeira vez que os pais de Khálida Trabulsi Lisboa, de 3 anos, e Isadora Bringel, de 7 anos, contaram à imprensa os detalhes da tragédia.

Na segunda-feira (3), as duas crianças morreram atingidas por pedaços de uma rocha que se desprendeu de uma montanha nos Andes, em um local que costuma atrair turistas. Naquele dia, a governadora da província de Cordillera, onde o acidente ocorreu, Mireya Chocair, disse que o local é proibido, que há sinalização e que a operadora de turismo poderia ser responsabilizada.

Isadora Bringel e Khálida Trabulsi, de 7 e 3 anos de idade — Foto: Arquivo pessoal Isadora Bringel e Khálida Trabulsi, de 7 e 3 anos de idade — Foto: Arquivo pessoal

Isadora Bringel e Khálida Trabulsi, de 7 e 3 anos de idade — Foto: Arquivo pessoal

Marcelo Martins Bringel Carvalho, pai de Isadora, relatou que eles e os demais turistas desceram das vans em que viajavam e caminharam por cerca de 20 minutos, sem qualquer aviso de proibição.

"Em nenhum momento havia placas de sinalização de perigo, de desastre ou qualquer aviso", afirmou Marcelo.

Jorge Alberto Trabulsi Lisboa, pai de Khálida, afirmou que as crianças estavam acompanhadas de adultos em todo o momento.

Após cerca de uma hora de passeio, uma pessoa gritou ao avistar a pedra caindo, mas não deu tempo de salvar as meninas. "Foi realmente muito rápido", disse Jorge.

"Quando pude perceber tudo, eu vi duas meninas no chão. Uma era a minha filha, e a outra era a do meio do Marcelo. Fizemos o que pudemos para salvá-las", disse Jorge.

Os corpos de Isadora e Khálida saíram na noite desta quinta do Chile para seguir ao Brasil. Os velórios estão previstos para ocorrerem em São Luiz (MA).

Sinalização precária

Local onde ocorreu o deslizamento que matou duas crianças brasileiras no Chile — Foto: Arquivo pessoal Local onde ocorreu o deslizamento que matou duas crianças brasileiras no Chile — Foto: Arquivo pessoal

Local onde ocorreu o deslizamento que matou duas crianças brasileiras no Chile — Foto: Arquivo pessoal

As duas famílias ressaltaram que jamais levariam as crianças a um local proibido. "Nenhum pai neste mundo iria deixar levar o filho a algum local perigoso e colocar em risco a vida dos filhos", afirmou Marcelo.

"Não teria por que subir uma montanha, 20 minutos de caminhada para colocar em risco a minha família."

Jorge, pai de Khálida, usa o exemplo das praias de Recife onde há placas sobre a presença de tubarão para alertar turistas.

"Algum chileno poderia imaginar que existem tubarões mesmo nas águas rasas de Recife, se não houvesse sinalização? Não", apontou Jorge.

Em nota enviada ao G1, o governo do Chile afirmou que vai reforçar a instalação de placas que alertem sobre os riscos nas imediações do reservatório El Yeso. O local fechou até o dia seguinte ao incidente, e reabriu na terça-feira.

Sem ambulância

Marcelo Bringel, que é médico, narra que tentou salvar a filha com ela ainda no colo na volta à base onde desceram dos veículos. Isadora, porém, não resistiu.

"Quando cheguei lá não tinha uma ambulância que poderia ter tido um suporte mais avançado para ajudar no caso", relatou Marcelo.

Lenne Carvalho Lisboa, mãe de Khálida, contou ter visto a filha ainda com vida, mas ela morreu no caminho.

"Tinha outras pessoas, outros médicos que tentaram fazer de tudo", disse Lenne.

Os familiares agradeceram os chilenos pela ajuda após a tragédia.

"Eu gostaria de agradecer ao povo chileno, às autoridades que nos ajudaram, à polícia, ao Consulado, às pessoas do IML, todas as pessoas envolvidas em nosso caso que, de alguma forma, conseguiram amenizar a nossa dor", agradeceu Marcelo.

Deslizamento no Chile causou morte de brasileiras — Foto: Arte/G1 Deslizamento no Chile causou morte de brasileiras — Foto: Arte/G1

Deslizamento no Chile causou morte de brasileiras — Foto: Arte/G1

Vítimas eram amigas

Khálida e Isadora viajavam pelo Chile com as respectivas famílias, que são amigas. As duas meninas, inclusive, estudavam na mesma escola em Bacabal, cidade no interior do Maranhão onde ambas viviam.

Raimundo Lisboa, avô de Khálida, contou ao G1, que a família está em estado de choque com a morte da neta, que completaria 4 anos em 22 de junho.

"O convívio não poderia ser melhor. Era uma menina alegre. Quarta-feira [da semana passada] foi meu aniversário e ela fez um bolo para mim, cantou parabéns para mim. Era uma criança maravilhosa, amada. Está todo mundo em estado de choque", contou Raimundo.

 

 

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