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POLÍTICA

Leitão o indicou para a Educação com a finalidade de desviar verba e que o ajudou a ocultar propina e caixa 2, diz delator de esquema

 
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A delação premiada do ex-secretário estadual de Educação, Permínio Pinto, envolveu o ex-deputado federal Nilson Leitão (PSDB). Antes de virar secretário, Permínio foi assessor parlamentar do ex-deputado. Ele contou à Procuradoria Geral da República (PGR) que emprestava a própria conta bancária para movimentar dinheiro de propina e caixa dois, a mando de Nilson Leitão.

Ele também revelou que foi nomeado secretário para atender interesses de outros políticos, entre eles de Leitão, que disputou uma vaga no Senado ano passado e perdeu. Ele seria o responsável pela indicação de Permínio para o cargo de secretário. A missão seria ajudar a desviar dinheiro da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) para o pagamento de dívidas de campanha e despesas pessoais.

Na delação, que está em segredo de Justiça, Permínio disse aos procuradores da República que Leitão atuava para blindar e abafar qualquer fato criminoso da gestão de Pedro Taques, que também é tucano.

Depois de ser preso na Operação Rêmora, deflagrada em 2015, Permínio disse que foi visitado no Centro de Custódia de Cuiabá, por um advogado chamado Marcelo Segura. Ele queria saber se o preso tinha intenção de fazer delação premiada.

O ex-secretário de Educação de Mato Grosso disse que o advogado trabalhava para Nilson Leitão, que estava preocupado com o risco de todo o esquema ser revelado.

Nilson Leitão foi prefeito de Sinop por dois mandatos, entre 2001 e 2008. Permínio disse que, depois de sair do cargo, ele manteve relacionamento com o grupo Queiroz Galvão. Entre 2009 e 2010, período em que ficou sem mandato, ele prestou consultoria à empreiteira para ajudar nas licitações de serviços de saneamento e água em vários municípios de Mato Grosso, e teria ajudado a CAB Ambiental, a vencer a licitação em Cuiabá.

A empresa pertence ao grupo. Leitão teria dito a Permínio que ainda tinha R$ 500 mil a receber.

Em 2011, no início do mandato como deputado, Leitão nomeou Permínio Pinto como assessor do gabinete dele em Brasilia. Permínio conta que em junho de 2013 foi a São Paulo receber R$ 150 mil em espécie. O dinheiro foi depositado na conta pessoal do então assessor. Ele revelou ainda que usava duas contas exclusivamente para pagar despesas de Nilson Leitão.

Permínio disse que enviava dinheiro para amigos, advogados, jornalistas e empresas, que prestaram serviços na campanha eleitoral.

O delator revelou que foi a São Paulo, pelo menos quatro vezes, para receber um total de mais de R$ 400 mil do grupo Queiroz Galvão.

O ex-assessor declarou ter recebido 10 depósitos desconhecidos, que somaram mais de R$ 240 mil e quando perguntou a Nilson Leitão do que se tratava, ouviu que eram doações eleitorais, no caixa dois, feitas por gente que não queria aparecer.

Permínio também contou aos procuradores que repassou, a mando de Nilson Leitão, R$ 175 mil aos candidatos a deputado estadual Wilson Santos, Guilherme Maluf e Carlos Avalone. Tudo para o caixa dois de campanha.

Versão dos citados

Wilson Santos nega ter recebido dinheiro ilícito para campanha. Disse ainda que declarou à justiça eleitoral que gastou na campanha R$ 23 mil. Já Guilherme Maluf, que atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), disse por meio da assessoria de imprensa que nega a denúncia e que nunca usou recursos ilegais em suas campanhas e que vai provar sua inocência.

Carlos Avalone, Nilson Leitão e o grupo Queiroz Galvão, que também foram citados na reportagem não responderam as nossas ligações.


G1MT

 

 

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