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A universidade pública não é privilégio, afirma diretora da Poli

Pesquisas que começam na Universidade geram resultados relevantes para a sociedade, além do ensino, diz Liede Legi Bernucci

 
jorusp

download do áudio A série Porquê da Universidade Pública analisa com pesquisadores, especialistas da área da educação, ex-reitores da USP, a universidade como lugar da pesquisa científica e de desenvolvimento para a sociedade, a universidade como espaço público de ideias e, para isso, a fundamental importância de sua autonomia. Nesta edição, o Jornal da USP no Ar conversa com a professora Liede Legi Bernucci, diretora da Escola Politécnica (Poli) da USP.

“A universidade pública não é um privilégio, porque se você olhar na Europa, com países tão ricos, as universidades também são públicas”, afirma Liede. Ela pontua que, dentro do contexto brasileiro, um país com muitas diferenças sociais, o acesso das pessoas vulneráveis está aumentando a partir do Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp) e das cotas. “Nós temos feito um atendimento dentro da USP para que sejam acompanhados não só na questão de ensino, mas ajudá-las com bolsas para que se mantenham e possam estudar de fato.”

Para ela, o papel da universidade pública não se resume ao ensino. Nesse quesito, “a USP sem dúvida mantém um ensino de altíssimo nível. Isso pode ser visto pelos rankings mundiais”. A diretora exemplifica algumas pesquisas que começaram na Universidade e resultaram em fatos relevantes para a sociedade.

O Centro de Pesquisa para Inovação em Gás é reconhecido mundialmente. Envolve 60 pesquisadores e mais de 200 alunos de pós-graduação e doutorado para estudar o uso sustentável do gás natural, do biogás e do hidrogênio. “São questões importantes para a sociedade, porque inclusive olha como reduzir o CO2, uma questão ambiental relevante para o Brasil e o mundo”, explica Liede. Dentro do aspecto de energia, a professora relembra que a Escola Politécnica (Poli) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da USP estiveram muito presentes no desenvolvimento dos motores flex, que também reduziram o problema do CO2 e tiveram impacto social.

Vista aérea da Praça do Relógio na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, um amplo espaço aberto – Foto: George Campos / USP Imagens
Outra produção extremamente relevante que surgiu da Poli deriva do contexto de crise hídrica do Estado de São Paulo, que ocorreu em 2014. De acordo com Liede, professores da Poli foram responsáveis por construir o sistema de obras de interligação entre o Rio Paraíba do Sul e o Sistema Cantareira.

No aspecto social, a escola tem o programa Poli Cidadã (formado por alunos e professores) para atender a população da vizinhança, comunidades mais carentes. “A gente faz um programa que fabrica brinquedos tecnológicos para incentivar o estudo na área de Exatas ou Engenharia”, algo que aproxima as crianças e adolescentes da tecnologia, afirma a diretora.

Do ponto de vista econômico, a faculdade apresenta um simulador de transporte marítimo e hidroviário que pode aumentar a eficiência de portos. “A gente tem um grande problema de transporte de cargas no País inteiro, que é muito caro”. De acordo com a especialista, isso resulta numa perda de competitividade, então contornar a situação com sistemas mais eficientes geraria maior riqueza para o País.

A professora Liede enfatiza que, às vezes, algumas populações podem não perceber o impacto de algumas áreas. “Com a engenharia, que está mais próxima da sociedade, é possível exemplificar de maneira muito clara, mas todas as unidades da Universidade têm um papel relevante.”

 


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Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP, Faculdade de Medicina e Instituto de Estudos Avançados. Busca aprofundar temas da atualidade de maior repercussão, além de apresentar pesquisas, grupos de estudos e especialistas da Universidade de São Paulo.
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