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Grupo que lidera protestos no Sudão defende governo civil de transição com duração de 4 anos

Líder contou ao G1 que quer um comitê de especialistas no comando do país até que haja eleições. No entanto, no momento, poder está na mão de militares que derrubaram Omar al-Bashir.

 
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A entidade que lidera os protestos no Sudão, a SPA (Associação dos Profissionais do Sudão, na sigla em inglês), quer que o país seja governado por um comitê de civis durante os próximos quatro anos, e que eleições sejam realizadas depois desse período, segundo explica ao G1 Sara Abdul-Jaleel, uma das porta-vozes do SPA.

As manifestações no Sudão que resultaram na queda do ditador Omar al-Bashir no dia 11 de abril, depois de 30 anos no poder, foram resultado das mobilizações da SPA. Na madrugada desta quinta (17), Bashir foi transferido para uma prisão da capital Cartum.

Após a derrubada de Bashir, uma junta militar tomou o poder.

Os militares disputam com os civis a condução do Sudão a um regime democrático.

A SPA, a principal organização que representa os civis, segue com os protestos, agora contra os atuais ocupantes do poder, que são cúmplices de Bashir, segundo a entidade.

Manifestante participa de um protesto em frente ao Ministério da Defesa, em Cartum, capital do Sudão, neste domingo (14). — Foto: Stringer/Reuters Manifestante participa de um protesto em frente ao Ministério da Defesa, em Cartum, capital do Sudão, neste domingo (14). — Foto: Stringer/Reuters

Manifestante participa de um protesto em frente ao Ministério da Defesa, em Cartum, capital do Sudão, neste domingo (14). — Foto: Stringer/Reuters

“Nós queremos um governo civil, não pode haver composição com os militares; eles eram parte do regime anterior, injustiças foram cometidas nesse período, e eles precisam ser submetidos a algum reconhecimento disso”, afirma Jaleel.

A ideia é que seja formado um conselho executivo, com experts de todo o país que não sejam necessariamente ligados a partidos políticos. Esse grupo lideraria o Sudão durante quatro anos, segundo ela.

“Algumas pessoas acham que esse prazo é muito longo. Isso é negociável, mas não é fácil começar do zero, e uma eleição em um ou dois anos seria prematura.”

Manifestante durante um protesto neste domingo em Cartum, capital do Sudão. — Foto: Stringer/Reuters Manifestante durante um protesto neste domingo em Cartum, capital do Sudão. — Foto: Stringer/Reuters

Manifestante durante um protesto neste domingo em Cartum, capital do Sudão. — Foto: Stringer/Reuters

Entidade conta com proteção da mídia estrangeira

Os manifestantes seguem com suas demonstrações em Cartum, a capital do país, mesmo com um toque de recolher do exército e um pedido, por parte de oficiais, para limpar o espaço onde os protestos acontecem.

“O regime é conhecido por praticar atos violentos –já houve esforço de alguns oficiais para acabar com a ocupação–, mas com um grande número de participantes e com a atenção da mídia internacional, eles são forçados a reconhecer que na constituição há garantia da liberdade de expressão”, diz ela.

As manifestações lideradas pela SPA são diferentes daqueles que ficaram conhecidas como a Primavera Árabe –a recusa em aceitar a participação dos militares seria um dos traços que distinguem essa revolta sudanesa, segundo Abdul-Jaleel.

Abdel Fatah al-Burhan assumiu a liderança da junta militar que governa o Sudão — Foto: Sudão TV / AFP Abdel Fatah al-Burhan assumiu a liderança da junta militar que governa o Sudão — Foto: Sudão TV / AFP

Abdel Fatah al-Burhan assumiu a liderança da junta militar que governa o Sudão — Foto: Sudão TV / AFP

Representatividade de classe

Não é incomum no país que organizações ligadas a categorias profissionais se engajem em manifestações públicas --isso aconteceu nas décadas de 1960 e 1980, diz.

“Em agosto de 2018, a SPA anunciou que faria um esforço para restabelecer as organizações sindicais oficialmente no país. Nos últimos 30 anos houve conflitos entre o governo e as organizações de representatividade de classe", conta.

Houve muita emigração de especialistas, de professores, de médicos e de outros profissionais, mas ainda assim, esses diferentes grupos formaram essa coalizão da sociedade civil.

“Em um regime disfuncional, há um colapso de sistemas que afeta todos os setores e isso afeta a todos. Por isso, a adesão aos protestos foi muito rápida.”

O movimento atual começou como a hashtag “don’t stand alone” (não se levante sozinho) em 2018 nas redes sociais. Depois começou a haver encontros e sessões para discutir uma união entre distintos setores da sociedade civil.

Depois de quatro meses de manifestações na rua, Omar al-Bashir foi destituído por uma junta de militares.

Protestos no Sudão começaram no dia 19 de dezembro por conta dos altos preços do pão. — Foto: Igor Estrella/Arte G1 Protestos no Sudão começaram no dia 19 de dezembro por conta dos altos preços do pão. — Foto: Igor Estrella/Arte G1

Protestos no Sudão começaram no dia 19 de dezembro por conta dos altos preços do pão. — Foto: Igor Estrella/Arte G1

 

 

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